Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 5h00

Por Inaê Miranda

Usuários do Centro de Saúde do Jardim Ipaussurama, em Campinas, sofrem com a escassez de profissionais, de medicamentos e de equipamentos na unidade. Referência há cinco anos, a unidade enfrenta uma situação delicada, segundo informou o Conselho Local de Saúde.

Atualmente, apenas um clínico geral é responsável por aproximadamente 15 mil pessoas. As consultas demoram até três meses para serem marcadas, segundo os pacientes. O serviço está sem psicólogos, sem terapeutas ocupacionais e o único psiquiatra está em licença saúde. Faltam técnicos de enfermagem, faltam medicamentos e entre os 23 aparelhos de medir pressão, apenas três estão funcionando. Um protesto está sendo organizado para terça-feira.

Além dos moradores do Jardim Ipaussurama, a unidade é responsável pelo atendimento da população de pelo menos 10 bairros do entorno, entre eles o São José, Granja Ito, São Judas Tadeu, Novo Ipaussurama, Jardim Marialva e parte do Parque Residencial Vila União.

"Em 2008, o nosso posto tinha oito clínicos, hoje temos apenas um, que além de atender os pacientes na unidade, faz visitas domiciliares. Precisaríamos de no mínimo mais três clínicos gerais, um psiquiatra, um pediatra, um psicólogo, um terapeuta ocupacional, cinco técnicos de enfermagem, enfermeiro, e técnicos de farmácia. Só com essa equipe seria possível atender dignamente a população" , afirma o presidente do conselho local de saúde, Pedro Aparecido Egídio.

Os usuários reclamam que as consultas levam em média três meses para serem agendadas.

"Não está tendo agenda. A gente leva de dois a três meses para marcar uma consulta, ou então na sorte consegue um encaixe. Até você passar pelo médico, realizar os exames, conseguir marcar um retorno vai uns cinco meses. Quem tem uma doença mais séria e precisa de respostas mais rápidas sofre com essa espera. Antes, esse era o melhor posto da região, agora está nessa situação" , reclamou a comerciante Lurdes Maria de Jesus.

A dona de casa Ercília Venâncio, de 61 anos, diz que há dois não passa pelo médico por dificuldade em conseguir marcar consulta. "Só agora, conseguiram um encaixe para mim" , afirmou.

Além de recursos humanos, a unidade sofre com a falta de material e de medicamentos.

"A autoclave não está funcionando e o material está sendo esterilizado em outra unidade de saúde, no CS Integração. Antes, nós esterilizávamos não só o nosso material, mas o do Satélite Íris e do Perseu, que estavam com os aparelhos quebrados. Com a sobrecarga, o nosso quebrou e agora é o CS Integração que está sendo sobrecarregado" , reclamou.

A lista de medicamentos em falta soma oito itens, entre eles omeprazol e sinvastatina. 20 aparelhos de medir pressão estão quebrados. Apenas três dão conta da demanda.

"A situação já estava complicada e de uns cinco meses para cá a coisa está ficando cada vez pior" , afirmou o voluntário do conselho Joaquim Borges de Figueiredo, de 63 anos.

Com tantos problemas, o conselho organizou para a próxima terça-feira, às 8h, um protesto. Na entrada do Centro de Saúde, em um cartaz, a população é convidada para a manifestação.

"A gente vai cobrar melhorias. Porque não adiante ter o Centro de Saúde, se não tem médico, se não tem material, se não tem medicamento" , acrescentou Egídio.

Outro lado

A Secretaria de Saúde informou que um concurso para contratação de médicos será aberto até o fim do primeiro semestre deste ano. Psicólogos e Terapeutas Ocupacionais também serão convocados de concursos anteriores, no mesmo prazo. Em relação aos demais profissionais, como técnicos de enfermagem e enfermeiros, está sendo realizado um mapeamento pelo setor de recursos humanos para contratação em momento oportuno.

Sobre os aparelhos de pressão, a Pasta afirmou que os equipamentos já foram comprados e serão repostos nos próximos dias.

Uma empresa especializada foi contratada para consertar a autoclave e o serviço está agendado para a próxima semana.

Sobre os medicamentos, a Secretaria explicou que dos 314 itens que distribui, cinco estão em falta na rede porque encontra dificuldades em encontrar empresas que queiram participar do pregão eletrônico. Mas alguns dos medicamentos têm previsão para serem repostos em março.

A Secretaria de Saúde ressaltou ainda que a empresa que distribui Omeprazol não estava respeitando os prazos e está sendo penalizada. Uma nova licitação foi aberta para contratar outra empresa.

Escrito por:

Inaê Miranda