Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 6h00

são poucos que procuram o local para a prática de exercícios ou caminhadas

Edu Fortes/AAN

são poucos que procuram o local para a prática de exercícios ou caminhadas

A falta de uma definição, entre Município e Estado, sobre a gestão compartilhada do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim de Campinas tem intensificado a deterioração de uma das maiores áreas de lazer da cidade.

Mato alto, pista de caminhada e quadra com pisos estragados, placas e lâmpadas quebrados formam o cenário de degradação.

O Casarão, onde eram desenvolvidas atividades culturais e educativas está abandonado. As paredes estão mofadas, sujas e as janelas quebradas. O deck onde antes eram desenvolvidas aulas, agora está tomado pelo mato, com o piso arrebentado e a grade danificada.

A falta de cuidado com a manutenção do local tem provocado, além da sensação de abandono, o afastamento das pessoas. Tanto no período da manhã ou no final da tarde e começo da noite, são poucos que procuram o local para a prática de exercícios ou caminhadas.

Segundo levantamento feito pela Prefeitura, seriam necessários ao menos R$ 16 milhões para uma reforma mais ampla na área verde. No começo do mês passado um acordo entre o Executivo campineiro e o estadual ficou acertado que R$ 6 milhões deveriam ser empenhados para uma reforma básica no local.

Desse total, R$ 2,5 milhões viriam do Município e R$ 3,5 milhões do Estado. O acerto foi feito entre o prefeito Jonas Donizette (PSB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O valor cedido pelo governo será anual e pelos próximos três anos. Porém, o documento que formaliza a parceria ainda não ficou pronto.

Segundo a pasta municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o documento está sendo finalizado e será entregue em até dez dias para avaliação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA). Um dos pontos mais importantes no texto é a formalização da parceria e o que cabe ao Estado e ao Município na manutençao da área verde.

“A Prefeitura vai passar a cuidar do parque por meio das secretarias de Serviço Públicos, e do Verde. Também teremos a participação de um representante da secretaria estadual do Meio Ambiente”, afirmou o secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes.

O chefe da pasta adiantou que será formado também por meio de um decreto um conselho de gestão do parque.

“Será formado por representantes de várias secretarias, além de pessoas que tem interesse pelo tema”, defendeu. Ainda não se sabe o número de pessoas que o conselho terá.

“Esse valor de R$ 3,5 milhões será repassado anualmente. No total serão R$ 10,5 milhões. O Município vai colocar os outros R$ 2,5 milhões pelo mesmo período e conseguiremos chegar ao necessário”.

O secretário afirmou que a assinatura da gestão compartilhada deve acontecer entre março e abril. “Primeiro precisamos resolver todas as questões burocráticas para destravar qualquer tipo de ação. Mas quando iniciarmos as obras começaremos pelas áreas de convivência que estão bastante deterioradas”.

A recuperação começará pelos passeios públicos e iluminação. “Está previsto uma recuperação ambiental onde faremos o plantio de dezenas de mudas, além de reformas nos prédios que estão bastantes deteriorados, além das áreas de lazer”.

Gestão compartilhada

O consenso pela gestão compartilhada vem sendo discutido dentro da Prefeitura há meses. Assim que o Estado fez a concessão ao município, Jonas afirmou várias vezes que não admitiria assumir o parque se tivesse de investir sozinho recursos para a recuperação, que há anos segue em estado de abandono e é pouco frequentado pela população.

Desde então, tem reunido seus secretários para estipular o valor de quanto é necessário para manter o espaço aberto e movimentado.

O parque também abrigará o Teatro de Ópera Carlos Gomes, que deverá estimular ainda mais uso do parque. O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Carlos Bratke e doado à Administração pelo Swiss Park.

A pedido da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto passou por alterações para atender as necessidades de um teatro de ópera. A construção custará cerca de R$ 80 milhões.

Outro lado

A secretaria Estadual de Meio Ambiente informou por meio de nota que as obras de manutenção das áreas verdes do parque são feitas constantemente. A manutenção é feita diariamente: aparando a grama, consertando os bebedouros, as cercas e os banheiros, fazendo a substituição de lixeiras, conservando as áreas verdes e fazendo monitoria ambiental. O campo de futebol foi recuperado.

Os vigilantes circulam por todo o parque e coíbem a maioria da depredação, que tinha um índice muito maior de incidência. E nega que a área verde esteja abandonada.