Publicado 18 de Fevereiro de 2014 - 7h00

Fiscalização visa combater entulho jogado em terrenos particular, canteiros e vias públicas

Cedoc/RAC

Fiscalização visa combater entulho jogado em terrenos particular, canteiros e vias públicas

A avenida fantasma construída ao longo do Parque Linear do Capivari, em Campinas, mas que não leva a lugar algum, continua abandonada pela Prefeitura. A via de mão dupla com quase dois quilômetros de comprimento, que consumiu R$ 15 milhões de um grupo de empresários, acumula grande quantidade de lixo, móveis velhos e entulho e é motivo de preocupação para moradores da Vila União.

A Agência Anhanguera de Notícias já havia mostrado o descaso com a avenida há sete meses, em julho de 2013. À época, urbanistas e moradores da região afirmaram que com mais 200 metros de obra, a avenida poderia ligar as avenidas Ruy Rodrigues e Amoreiras e ajudar a desafogar o trânsito nos bairros do entorno. Em 2013, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano disse que analisaria as desapropriações necessárias para terminar a obra o quanto antes. Mas de acordo com a pasta, o estudo ainda não foi concluído.

Parceria

A construção é fruto de uma parceria público-privada da Administração com sete empresários para revitalizar a região e atrair investimentos de grandes companhias para o entorno. A avenida seria a espinha dorsal do projeto, e deveria ligar a Rodovia Santos Dumont (SP-75) a estrada Campinas-Monte Mor (SP-101), passando pelas avenidas Amoreiras e John Boyd Dunlop.

A obra foi prevista em lei complementar municipal de 2004, no governo Izalene Tiene (PT) e iniciada na gestão Hélio de Oliveira Santos (PDT), mas está paralisada há dois anos e meio. Até agora, somente os empresários arcaram com os custos. A contrapartida da Prefeitura, que seriam as desapropriações para continuação da avenida, não foi feita.

Cobrança

O empresário Laerte Quintana, um dos investidores da obra, afirmou que se reuniu com a Secretaria de Infraestrutura na semana passada para cobrar um posicionamento. "Estamos conversando com várias secretarias para ver se desenrola. A verdade é que a Prefeitura está interessada em resolver o problema, e agora faz uma pesquisa do interesse social da obra", disse Quintana.

O empresário acredita que a Administração deve decidir sobre o término da via ainda neste semestre. No entanto, o grupo consorciado está preocupado com a degradação e acúmulo de lixo do entorno e deve contratar uma empresa para fazer a limpeza da área. "Apesar de isso ser uma obrigação da Prefeitura", completou Quintana.

Descarte

Moradores da Vila União disseram que as margens da via inacabada é ponto de descarte de entulho e produtos químicos para diversas empresas. "Isso sem contar a população dos bairros, que joga muito lixo e móvel velho aqui. A sujeira virou ninho de rato e escorpião" , disse microempreendedor Gustavo Xavier, de 25 anos. Além disso, animais como vacas e cavalos andam livremente pela via. "Eles deixam um rastro de sujeira", disse Anderson Silva, de 25 anos, também morador da Vila União.

A Secretaria de Planejamento informou que recebeu as propostas dos empresários para a região e que faz uma avaliação urbanística para o término da obra, levando em consideração a lei de zoneamento para a região. Já a Secretaria de Serviços Públicos disse que realizou limpeza na avenida em dezembro do ano passado e que irá fazer nova manutenção em dez dias.