Publicado 13 de Fevereiro de 2014 - 13h05

Por Renê Moreira

Com a estiagem, moradores estão sendo obrigados a dividir com o gado a água antes usada apenas pelos animais na zona rural de Itapeva (MG). O motivo para isso é o nível do Rio Camanducaia -que em seu final vai parar no Sistema Cantareira, e que hoje está quase 2 metros abaixo do normal.

O Camanducaia corta a cidade de Itapeva e sua vazão baixou mais de 50%, sendo o reflexo disso sentido também já em outras localidades da região. As propriedades rurais não contam com água encanada e os poços usados para o abastecimento encontram-se secos devido à falta de chuva. Os moradores então não tiveram outra saída e, em Itapeva, o jeito tem sido usar a água de uma mina, até então direcionada apenas para o consumo do gado.

"Tem que dividir com os bichos para ninguém ficar sem água", contou o produtor rural Braz Maciel. Segundo ele, toda a sua família se utiliza agora dessa nascente porque a caixa d'água também está vazia. Na região as caixas estão recebendo água de caminhões-pipa que passam duas vezes ao dia.

O coordenador de Meio Ambiente de Itapeva, Sidnei José da Rocha, confirmou que os produtores estão mesmo consumindo a água do gado, que agora passou a ser o maior prejudicado com a seca. Segundo ele, aparentemente a água é boa para o consumo humano, mas não há exames que confirmem sua qualidade.

Rocha alega que a situação do rio é crítica porque, mesmo baixo, com os poços secos muitas propriedades estão com equipamentos bombeando e tirando água do rio. "É a pior seca em 40 anos e se não chover imediatamente nem dá para prever o que pode ocorrer", afirmou à RAC.

Importância

 

Ele criticou o governo, a Sabesp e os órgão envolvidos na discussão do processo de outorga do Sistema Cantareira, que vence em agosto deste ano. "Talvez sirva de exemplo que as fazendas tirem toda a água do rio. Porque até hoje ninguém fez nada para ajudar os municípios que mandam água para esse reservatório e ainda sofrem com a seca e o descaso". Para ele, é preciso que as prefeituras tenham uma contrapartida na discussão dessa outorga.

O Camanducaia tem 90 quilômetros de extensão e para chegar ao Cantareira primeiro se encontra com o Rio Jaguari, em Jaguariúna, já no território paulista. Os dois então se juntam à frente com o Rio Atibaia formando o Rio Piracicaba, no município de Americana. As águas correm até o município de Barra Bonita, também no estado de São Paulo, onde termina no Rio Tietê.

O reservatório resultante dessa junção toda integra o Cantareira, como é chamado o sistema construído para permitir a reversão de água da bacia do Piracicaba para a bacia do Alto Tietê. Esse reforço no abastecimento representa 50% da água distribuída na Região Metropolitana de São Paulo.

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Renê Moreira