Publicado 13 de Fevereiro de 2014 - 9h46

Por Da redação

Espuma é causada por hipoclorito de sódio, usado para tratamento na ETE

Edu Fortes/AAN

Espuma é causada por hipoclorito de sódio, usado para tratamento na ETE

Bruno Bacchetti

Cecília Polycarpo

O Rio Atibaia recebe dejetos da população e da própria Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Sousas e Joaquim Egídio, em Campinas, inaugurada em junho do ano passado. O Portal RAC flagrou na quarta-feira (12) grande quantidade de efluente esbranquiçado sendo despejado no Atibaia por uma tubulação que sai da unidade construída pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). O líquido forma uma espuma espessa no leito do rio.

Além disso, pelo menos três casas antigas da Rua Monsenhor Emílio José Salim, em Sousas, escoam esgoto in natura nas águas que abastecem 95% da população da cidade.

A Sanasa alega que a unidade ainda está em fase de ajustes nos equipamentos e na dosagem de produtos químicos, e que o despejo está de acordo com a legislação.

A bióloga Danila Torres, mestre em Saneamento pela Unicamp, afirma que a água apresenta sinais de hipoclorito de sódio, muito usado em tratamento de esgoto, para formar a espuma. Em grande quantidade, a substância pode ser prejudicial à vida aquática.

O líquido despejado próximo à ETE tem odor forte. Quando ele cai no Atibaia, é possível diferenciá-lo por causa da diferença de cor. A mancha clara forma uma espuma que cobre grande parte do leito. Morador de Sousas e frequentador assíduo do rio para pescar, o pedreiro Paulo Sérgio da Silva, de 43 anos, afirmou que o descarte começou há três meses no ponto. “Está descendo muita espuma por aqui e o cheiro do esgoto é forte”, disse.

Já nas residências antigas da Rua Monsenhor Emílio José Salim, construídas antes da década de 1950, os canos por onde escoam os dejetos são menores. Porém, é possível observar algas provenientes da matéria orgânica no rio. Uma camada de gordura também cobre a água rasa. Moradora da via há 84 anos, a aposentada Nilda França, de 85, afirmou que sua casa foi construída por seu pai em uma época em que não havia fiscalização e nem legislação específica em relação ao descarte do esgoto.

“A Sanasa já veio aqui várias vezes estudar o que poderia ser feito. Os técnicos disseram que a obra que deve ser feita para desviar o esgoto é difícil”, disse. Nilda afirmou ainda que, durante a construção da residência, foi necessário fazer um muro de três metros para que o Atibaia não invadisse o terreno. “Hoje em dia, isso está longe de acontecer.”

Sobrinha de Nilda, a artista plástica Lisa França, de 60 anos, mora em outra casa nas margens do rio. “Várias moradias aqui não têm tratamento de esgoto”, afirmou Lisa. Ainda segundo ela, na Rua Treze de Maio, que margeia o Atibaia, algumas residências também despejam dejetos diretamente no rio.

Outro lado

Em nota, a Sanasa informou que “o índice de esgoto coletado e tratado pela ETE de Sousas e Joaquim Egídio é de quase 100%, com exceção de algumas residências.”

Ainda de acordo com o texto, para medir a quantidade de esgoto in natura despejado no Rio Atibaia é necessário fazer um levantamento em todas essas residências de geração de resíduos.

Outra nota informou que a água esbranquiçada jogada pela estação no rio não está poluindo as águas “pois a quantidade de produtos químicos está de acordo com a legislação.”

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