Publicado 10 de Fevereiro de 2014 - 22h10

João Mata mostra abaixo-assinado contra a realização dos desfiles do Carnaval na Estrada dos Amarais

Elcio Alves/AAN

João Mata mostra abaixo-assinado contra a realização dos desfiles do Carnaval na Estrada dos Amarais

Moradores do Jardim São Marcos, Jardim Santa Mônica e Jardim Campineiro, em Campinas, preparam uma abaixo-assinado para tentar barrar o Carnaval na Avenida Cônego Antônio Rocato, conhecida como Estrada dos Amarais, que liga a região Noroeste ao bairro Matão, em Sumaré.

Eles são contra a transferência dos velórios que ocorreriam no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, às margens da via, para outros locais no período da festa, de 28 de fevereiro a 4 de março.

Além disso, os habitantes afirmam que o acesso aos bairros será prejudicado e temem pela segurança do entorno durante os dias de folia.

O presidente do conselho fiscal da Associação Amigos do Bairro do Jardim São Marcos, João da Mata, disse que a força-tarefa já recolheu 500 assinaturas. O objetivo é protocolar o documento na Prefeitura na quarta-feira (12).

“Não somos contra o Carnaval, mas somos contra a maneira que ele foi imposto na nossa região. Ninguém do bairro foi consultado”, disse. João da Mata afirmou que a decisão desrespeita famílias dos bairros próximos que terão que velar “entes queridos” em locais afastados. “Vai ser um transtorno”, completou.

O Carnaval nos Amarais deve também complicar o trânsito local, segundo o padre Gian Carlos Pereira, da Paróquia Santa Mônica. Para ele, a Estrada dos Amarais é a via mais prática para moradores do bairro e do Matão se deslocarem para o Centro de Campinas.

“Com as obras que estão correndo na D. Pedro I, o acesso aos bairros ficará muito prejudicado. E a rodovia ficará mais congestionada do que já está”, disse o pároco. Ainda segundo Pereira, falta iluminação e infraestrutura adequada nos bairros para receber os foliões do município.

A cabeleireira Marilza Pereira, de 57 anos, aderiu ao abaixo-assinado porque acredita que a festa trará violência à região. “Carnaval tem muita bebida e brigas. Ninguém gosta desse tipo de situação por perto. Aqui também é afastado de hospitais, para o caso de algum acidente”.

Estrutura

O diretor de Cultura Gabriel Rapassi afirmou que não existe possibilidade de o Carnaval na Estrada dos Amarais ser cancelado. Segundo ele, os velórios serão realizados em outros pontos, acordados com as famílias, mas os enterros no Cemitério Nossa Senhora da Conceição acontecerão normalmente durante o dia. Rapassi explicou ainda que o tráfego de veículos será desviado para a Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332) durante as horas de festa (das 18h às 5h), nos cinco dias de Carnaval. “Durante o dia, a Estrada dos Amarais funciona normalmente. Depois fechamos para os desfiles e circulação livre de pedestres”.

Além disso, o diretor disse que o local terá 100 cabines de banheiro químico, 30% a mais do que em carnavais anteriores, além de 60 brigadistas profissionais, que darão suporte ao efetivo da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. Um estacionamento gratuito para mil veículos também será instalado. O número de guardas e policiais não foi revelado, por uma questão estratégica, de acordo com Rapassi. “Antes, o Carnaval de Campinas era feito em uma região de 9 mil moradores. Escolhemos a Estrada dos Amarais justamente por ter poucas residências”, completou.