Publicado 10 de Fevereiro de 2014 - 8h39

Por Daniela Nucci

Voluntários orientam como proceder para limpeza do Rio Atibaia

Janaina Ribeiro/Especial para AAN

Voluntários orientam como proceder para limpeza do Rio Atibaia

Um grupo de voluntários formado por biólogos, veterinários, líderes da comunidade, moradores antigos, autoridades e comerciantes da região do distrito de Sousas, em Campinas, se uniram, na manhã de domingo (9), na Praça Beira Rio, para um movimento de conscientização da população para a preservação do rio Atibaia e da preservação da fauna.

"O nível baixo do rio e a situação que ele se encontra gerou a comoção da população e o momento era oportuno para criar a conscientização das pessoas. Mas esta ação deve ser permanente" , diz a bióloga e uma das organizadores do encontro, Danila Torres. Na ação, o grupo exibiu reportagens sobre os danos causados no rio para a população e trocava ideias com os participantes.

Segundo Danila, este problema é complexo e envolve várias frentes como a sáude pública, abastecimento de água para a população e a própria saúde do rio.

"Ele não consegue se recuperar sozinho e precisa de uma ação humana. Temos uma biodiversidade muito importante com representantes nativos da fauna e o movimento conta com o auxílio de veterinários que vão cuidar da parte do manejo dos animais" , explicou a bióloga.

Grande parte dos animais já morreram e a oferta de alimentos está escasso.

"Muitos estão morrendo por conta da intoxicação devido a grande quantidade de bactérias no fundo do rio. Nossa ideia é manter o mais natural possível o habitat destes bichos fornecendo água e alimentação neste período escasso" , disse a veterinária Bruna Campos.

 

A subprefeitura de Sousas vem apoiando o movimento e vai disponibilizar caminhão para retirada do lixo do rio, cadastrar os voluntários e orientar como deve ser feito o recolhimento dos entulhos.

"É importante ter uma retirada manual do lixo, mas não é o momento porque o nível da água está baixo e tem muito lançamento de esgoto dentro do rio. O nível de contaminação da população é alto, assim como o de acidentes, porque as pedras são escorregadias e o fundo do rio é um lodo. Tem que ter uma ação planejada até o destino final do lixo. Ele chama a atenção, mas está aí faz tempo e só apareceu por causa do nível baixo" , alertou a bióloga. Na ação, outro projeto citado no encontro foi o que prevê a recuperação de quatro quiolômetros de mata ciliar do rio Atibaia.

"Fizemos uma solicitação para a Secretaria do Verde quanto a possibilidade de reflorestamento das margens do rio, tirando as árvores invasoras, alguns bambus que foram queimados e quebrados, para substituir por árvores nativas. A Secretaria já autorizou e agora vamos esperar a liberação referente ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para colocar a ideia em prática" , destacou o subprefeito de Sousas, Wander Villalba.

"Tudo o que fazemos é com a participação da população e, por isso, estimulamos estes encontros" , completou o subprefeito.

Segundo a bióloga, será feito um trabalho para recompôr a vegetação do rio com árvores adequadas para auxiliar na alimentação dos animais e na dispersão das sementes, possibilitando assim a perpetuação de cada espécie.

Para o diretor e presidente da Jaguatibaia Associação de Proteção Ambiental, José Carlos Perdigão, esta ação é muito satisfatória na luta pelo rio.

"Todo movimento da população para mostrar sua mobilização é bem vinda. Fazemos isso há 17 anos" , disse Perdigão, que fez no sábado um percusso de 272 km por terra registrando o estado do rios Atibaia, Jaguari e Piracicaba.

Durante o trajeto foi visto muitas sub-bacias contribuindo de forma significativa para o volume do rio Atibaia. Em cada trecho, as cidades vão tirando água.

"Essas sub-bacias tem que estar restauradas para garantir o maior volume para o rio Atibaia e consequentemente para a bacia do rio Piracicaba" , registrou.

Muitos moradores aproveitaram a ação para pedir ajuda e se informar sobre a grave situação ambiental. Como foi o caso de Maria Aparecida Cherfen, que mora numa chácara beirando o rio e sofre com o forte cheiro de esgoto.

"Tenho que fechar a casa inteira e não conseguimos respirar. Vim aqui para pedir ajuda para as pessoas tomarem uma providência" , disse Maria Aparecida.

Chocada com o estado do rio, Cidinha Bertassoli, de 65 anos, apoiou a causa. "Este movimento serve para alertar a população que vê de perto o caos ambiental. É importante cada um fazer sua parte, como o racionamento de água", comentou.

Mais informações sobre o movimento é só acessar: www.facebook.com/movimentorioatibaia

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Daniela Nucci