Publicado 07 de Fevereiro de 2014 - 7h00

Por Sheila Vieira

Peixes foram transferidos da lagoa do CLT de Valinhos e levados para outro local para garantir a sobrevivência

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Peixes foram transferidos da lagoa do CLT de Valinhos e levados para outro local para garantir a sobrevivência

A queda drástica no nível dos rios não afeta apenas o abastecimento das cidades. Também interfere no habitat de milhares de peixes, colocando em risco a vida de várias espécies que povoam os rios da região. Se a estiagem continuar, poderá comprometer a piracema, período de reprodução que se estende de fevereiro até o início de abril e que, por enquanto, ainda não começou na região, aponta o coordenador de projetos do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, Guilherme Valarini.

Devido a poucas chuvas que resultaram na diminuição da vazão de rios - Jaguari, Atibaia e Piracicaba,por exemplo, estão com os níveis mais baixos de sua história - os seres aquáticos desses locais lutam para sobreviver diante da disputa pelo pouco oxigênio presente na água. "A vazão diminuiu. Em alguns rios a lâmina d´água chega a sessenta centímetros e a quantidade de peixes é a mesma disputando o oxigênio", explica Valarini.

Mortes

Em alguns pontos dos rios já começam a aparecer peixes mortos indicando que os níveis de oxigênio na pouca água restante chegaram a índices críticos. "O cascudo é uma espécie que sofre bastante. Porém, o comportamento diante da falta de oxigênio na água é bastante parecido entre outras espécies. Os peixes começam a colocar a cabeça para fora d´água na tentativa de conseguir mais ar", explica.

Quando os rios estão caudalosos, o normal é que a movimentação da água nas pedras melhora a oxigenação, recurso que cessa quando os níveis caem e as formações rochosas ficam à mostra, situação hoje visível nos principais rios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Valarini conta que a mortalidade dos peixes é maior em áreas com maior assoreamento, situação que piora ainda mais o habitat em pontos com níveis da lâmina d´água mais críticos.

Temperatura

Esse cenário pode ser visto em alguns trechos do Rio Atibaia, que passa por uma das piores baixas em sua vazão já registra. O veterinário especialista em animais selvagens Roberto Stevenson explica que a elevação da temperatura da água devido à estiagem provoca a migração de peixes. "A temperatura ideal para que os peixes vivam é em torno de 17ºC. Com a seca, a temperatura nos rios da região chega a 25ºC", conta.

Sem ter as condições ideais de sobrevivência, os peixes seguem o fluxo da correnteza e migram para regiões onde há abundância de água e, por consequência, temperaturas mais amenas. Por isso não vemos muitos peixes mortos no leito seco do Rio Atibaia, por exemplo. "Muitos conseguem migrar, mas outros são devorados por socós, garças e mergulhões, aves que pescam" , completa o especialista em vida selvagem.

Stevenson conta ainda que as aves tendem a seguir os peixes nessa migração, para poder pescar com mais facilidade. A seca pode, ainda, atrasar a piracema. "A reprodução dos peixes pode atrasar com essa estiagem fora de época" , afirma.

Remoção

Uma intervenção para a retirada dos peixes e sua remoção para áreas mais caudalosas não seria uma alternativa viável, explica o coordenador de projetos do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Mas em Valinhos essa solução foi adotada com sucesso pela Prefeitura para salvar a população de peixes da lagoa do Centro de Lazer do Trabalhador (CLT), na Vila Santana. Trata-se de uma área de represa que está secando e onde os peixes começaram a apresentar sinais de dificuldade de respiração.

Na quinta-feira (6), uma equipe de piscicultores contratada pelo Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV) iniciou a retirada dos peixes às 8h e prosseguiu com a passada da rede especial de piscicultura e o transporte das espécies até o final da tarde resultando na retirada de mais de 4 toneladas de peixes como curimbatá, tilápia, traira, matrinxã, cascudo, tambaqui e até carpas adultas na cor amarelo.

Escrito por:

Sheila Vieira