Publicado 07 de Fevereiro de 2014 - 7h00

Maria de Lourdes do Carmo usa balde e pano para limpar sorveteria e economizar água

Rodrigo Zanotto/Especial para AAN

Maria de Lourdes do Carmo usa balde e pano para limpar sorveteria e economizar água

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) vê risco à produção industrial na região metropolitana de Campinas com a falta de chuvas. A seca fora de época também já preocupa a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic).

Segundo o diretor titular do Ciesp-Campinas, José Nunes Filho, a situação é crítica e deve haver um esforço geral para que os problemas não se agravem ainda mais entre julho e agosto, período típico de estiagem. Para ele, uma das saídas para amenizar a situação é incentivar o setor a utilizar a água de reúso.

“As indústrias podem utilizar água de reúso nas caldeiras, nas lavagens. É preciso repensar o uso da água. Por enquanto, ainda não estamos com grandes problemas, mas temos que agir rápido. As indústrias mais prejudicadas serão as fabricantes de bebidas, como refrigerantes e cerveja. O reúso da água tem que ser adotado. Além disso, é preciso investir no tratamento da água, na manutenção das matas ciliares e no reflorestamento das áreas de mananciais. Não podemos só utilizá-la, temos que devolvê-la em condições para que seja reutilizada”, afirmou Nunes Filho.

Produção em risco

Segundo ele, a situação preocupa também em relação a possibilidade de diminuição da produção. “Tivemos uma indústria grande que se instalaria em Campinas, mas viu a possibilidade de problemas futuros de recursos hídricos e acabou se instalando em outra cidade”, disse. Para debater o assunto, o Ciesp-Campinas marcou um workshop para as 8h30 do próximo dia 19, no auditório da entidade, localizado à Rua Padre Camargo Lacerda, 37, bairro Bonfim. O evento é aberto ao público.

A Acic também está orientando comerciantes em relação ao uso da água. “O comerciante deve usar a água com bom senso, como cidadão. Além disso, deve transmitir esse bom senso aos seus colaboradores. Não só nesse momento de escassez, mas que isso seja uma postura de sustentabilidade do seu negócio”, orientou a presidente da Acic, Adriana Flosi.

Maria de Lourdes do Carmo é um exemplo de comerciante na economia dos recursos naturais. Além de lavar sua sorveteria utilizando balde e pano para economizar água, ela instalou vidros no estabelecimento para economizar energia. “Assim eu posso acender a luz bem mais tarde. Um outro cuidado que eu tenho é desligar o freezer quando ele está sem a mercadoria. Quando um freezer está com pouco sorvete, eu transfiro para outro freezer, assim não fico gastando energia a toa”, explicou.

Recorde

O ano de 2014 já é o mais seco dos últimos 25 anos em Campinas, com média de chuva de 152,7 milímetros em janeiro, segundo dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. A medição na cidade teve início no segundo semestre de 1988. A média histórica de chuvas para o mês é de 280 milímetros. Além do tempo seco, a cidade também vem batendo recordes diários de calor. Nesta quinta-feira (6), os termômetros marcaram 37ºC, contra os 36,8 registrados na quarta.

A estiagem fez a Prefeitura de Campinas ampliar o período considerado de estiagem de fevereiro até agosto. A medida prevê multa de três vezes o valor da conta de água em caso de o consumidor, reincidente, ser flagrado ao lavar a calçada. O decreto foi assinado na última segunda-feira. Outras cidades da região já adotaram racionamento.

 

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