Publicado 06 de Fevereiro de 2014 - 9h34

Por Maria Teresa Costa

Jovem enche garrafa de água em bica de praça em Campinas

Leandro Ferreira/AAN

Jovem enche garrafa de água em bica de praça em Campinas

O calor excessivo fez o campineiro consumir em janeiro 754,4 milhões de litros de água a mais, o equivalente a 300 piscinas olímpicas, na comparação com o mesmo mês de 2013, agravando as condições do abastecimento da cidade, que está operando no limite da capacidade de captação do Rio Atibaia.

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) continua retirando 4,1m3/s e deixando, para as cidades a frente, uma vazão máxima de 1m3/s. A pouca água no Atibaia levou a Rhodia a reduzir a captação em 40% e ajustar sua produção em Paulínia.

Campinas consumiu no mês passado 9,8 bilhões de litros, valor que não inclui, ainda, a água de poços que é parte do abastecimento da cidade.

O volume é 2,6% superior a dezembro e 8,3% maior que em janeiro de 2013, segundo a Sanasa.

A captação no Atibaia, segundo o consultor da Sanasa, Paulo Tinel, está se mantendo em 4,1m3/s — na área da captação passava ontem cerca de 5m3/s, o que significa que o rio, depois daquele ponto, segue com apenas 1m3/s de vazão.

A maioria das cidades da região vem registrando aumento no consumo, como Americana, que teve um crescimento em 280 milhões de litros em janeiro.

No ano passado, em janeiro, foram consumidos 2,4 bilhões de litros de água tratada e em 2014, foram contabilizados 2,7 bilhões de litros.

Esse aumento é devido ao clima atípico, com temperaturas elevadas e sem chuvas, que tem feito com que as pessoas mudem seus hábitos, mas a autarquia alerta a população sobre o uso consciente da água. Outro fator é a velocidade com que a água é consumida.

Para garantir o abastecimento, Americana anunciou obras para elevar o nível do rio. Entre as medidas estão o enrocamento (colocação de rochas no rio) para aumentar o nível da água próximo à captação no Rio Piracicaba, limpeza externa das grades na captação, facilitando a passagem da água, além do trabalho de conscientização para o uso da água sem desperdícios.

Empresa

A queda na vazão levou a Rhodia a ajustar sua produção. Em nota, a empresa informou que a água captada pela empresa é utilizada em seus processos produtivos e mais de 90% do total captado é devolvido para o rio, sem prejuízo para o abastecimento das comunidades.

Rodízio

Duas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) implantaram o racionamento e os demais municípios já se preparam para adotar o sistema de rodízio caso não haja queda no consumo nem a ocorrência de chuvas significativas para recompor os reservatórios.

Em Vinhedo, o racionamento está sendo feito em todo o município em sistema de rodízio por um período de até 4 horas em determinado momento do dia.

O racionamento acontece de acordo com o consumo de cada região. A cidade capta água em quatro mananciais (Rio Capivari, Córrego Bom Jardim, Córrego da Cachoeira e Ribeirão do Moinho).

Em Valinhos, a medida emergencial não atinge só os bairros localizados nas regiões mais altas da cidade — Figueiras, Palmares, América 2, Jurema e Parque Portugal —, normalmente os mais afetados em período de estiagem.

A oferta de água, dessa vez, está reduzida para todo o município em sistema de rodízio.

Além dessa medida, o Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (Daev) está buscando água de uma represa que existe na região do Moinho Velho, mapeando todas as lagoas da cidade e áreas represadas, além de ações de conscientização da população.

Escolas, creches, prédios municipais também estão sendo abastecidos por caminhões-pipa. De acordo com a Administração, o rodízio é uma medida paliativa.

Consumo de água em Campinas

Dezembro 2012: 9.397.263 m3

Dezembro 2013: 9.581.794 m3

Janeiro 2013 9.080.343 m3

Janeiro 2014 9.934.759 m3

Fonte: Sanasa

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Maria Teresa Costa