Publicado 05 de Fevereiro de 2014 - 12h08


O calor excessivo e atípico dos últimos dias — em torno dos 35ºC em Campinas — tem mudado a rotina de trabalhadores que ficam diretamente expostos às altas temperaturas. Com um termômetro na mão, o Grupo Rac acompanhou cozinheiros, entregadores de panfletos, passadeiras, churrasqueiros, porteiros, pedreiros e motoristas para medir a temperatura nos ambientes de trabalho. Dentro de veículos o termômetro marcou 45ºC, na rua foram registrados 38ºC e nos ambientes de restaurantes e lavanderias, o equipamento chegou medir a 36ºC. Mais perto dos fornos, fogões, chapas, churrasqueiras e mesas de passar roupa, o calor passou dos 50ºC.

Para amenizar um pouco o calor, os trabalhadores buscam alternativas, como levar água congelada, trabalhar somente pela manhã e só colocar o avental nos horários de movimento.

Os entregadores de panfletos Márcia Freitas e Vislon Machado dos Santos só estão trabalhando no período da manhã.

“Trabalhamos cerca de 4 horas por dia, só pela manhã. Além disso, trazemos água congelada, boné, protetor solar, creme com filtro solar para o cabelo e quando dá uma brecha, corremos para a sombra”, disse Márcia.

 Churrasqueiro há 16 anos, Claudinei Soares (foto) contou que tenta ficar o mínimo possível no “bafo” da churrasqueira.

“Tento sempre dar uma saidinha e bebo uns quatro litros de água por dia.” Já a cozinheira Luzilene Amorim de Lima disse que deixa o exaustor ligado o tempo todo. “Eu bebo muito líquido e tiro o avental quando possível.” Para o porteiro Antonio Lourenço dos Santos, o calor da guarita está insuportável. “Está muito quente, mesmo com o ventilador ligado.”

Morando em Campinas há apenas um mês, o azulejista Pedro Leonardo da Silva, de 32 anos, disse que está sofrendo mais com o calor da cidade do que com o de sua terra natal. “Em Fortaleza, no Ceará, faz calor, mas parece que o sol daqui é mais quente que lá”, afirmou.

Além dos equipamentos de proteção individual, Silva usa boné, camiseta de manga longa e bebe muita água. A cozinheira Monique Ferreira aguenta temperaturas de mais de 50ºC comandando a chapa do restaurante onde trabalha. “Tem que intercalar a chapa com o ventilador e beber muita água gelada.”

Mesmo com ar-condicionado ligado, as passadeiras Adriana Evangelista, Elaine Cristina de Andrade e Lucidalva Ferreira da Silva têm sofrido com o calor. O vapor do ferro de passar chega a atingir 50ºC.

“A gente toma muita água gelada e deixa o ar-condicionado ligado o tempo todo, mas mesmo assim, está muito quente este ano”, disse.

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