Publicado 02 de Março de 2014 - 1h27

Por Dominique Torquato

Na segunda e última parte do Especial Suíça, o Turismo visitou as cidades Belalp, Leukerbad e Zermatt, na região do Cantão do Valais. No caminho, a partir de Zurique, Brig é a primeira parada. São mais de três horas de trem em um trajeto encantador, em que as janelas das composições são emolduradas por casinhas salpicadas de neve nos telhados, pinheiros e a estrada de ferro serpenteando as montanhas. Antes da chegada, vilarejos históricos, construções de arquitetura magnífica, como a ponte curva de Berna, Capital e cidade onde morou Einstein.

Foto: Dominique Torquato/AAN

O Centro de Brig

O Centro de Brig

Em Brig, no trecho de cerca de 400 metros entre a estação e o Hotel Touring, nada de carros ou vans. Uma boa caminhada para esticar as pernas é revigorante. A primeira visão do lugar impressiona. A cidade abriga um paraíso de montanhas geladas que são cultuadas pelos suíços e pelos praticantes de esportes de Inverno, que se deslocam do mundo inteiro para a região. São mais de 60 quilômetros de encostas, bem como trilhas para caminhadas e esqui cross-country. Mas Brig não é apenas para quem gosta de esquiar. A cidade é muito charmosa, com boas lojas e restaurantes. Em todos os cantos sempre se encontra um português para dar dicas de passeios. De acordo com guias locais, a região é cheia de oportunidades para explorar a paisagem marcada pelo branco da neve e pelo ensurdecedor silêncio das montanhas.

As bruxas de Belalp

O rígido Inverno suíço não esfria em nada o ânimo de quem vai até Belalp participar da tradicional Descida das Bruxas, que este ano comemorou sua 32 edição, e que acontece paralelamente à competição oficial da cidade, a Belalp Hexe Ski Race. Na véspera, durante a noite, uma festa reúne o público em torno de apresentações de dança com fogo, bruxas e tambores. Quem assiste e participa, não dispensa um drinque para espantar o frio. O mais inusitado é que a trilha sonora pode ter músicas brasileiras e, de repente, o turista do Brasil se sentirá mais perto de casa ao se deparar com um bando de gringos acompanhando a plenos pulmões os alto falantes, que tocam “Eh! Meu amigo Charlie. Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown”. Benito di Paula na Suíça é realmente exótico, mas acolhedor. E depois da dança, do fogo e do calor do público, os anfitriões reservam um verdadeiro banquete. Antes do final da festa, servem um grande pão recheado com pequenos lanches de presunto cru e queijo suíço, além de uma sopa de carne com vinho para completar o menu.

Foto: Dominique Torquato/AAN

A Descida das Bruxas em Belalp

A Descida das Bruxas em Belalp

Ainda com o gostinho de quero mais da noite anterior, é preciso acordar cedo, pegar o teleférico e esperar bruxas e bruxos em seus esquis descendo a montanha. O Clube de Esqui de Belalp criou o evento em homenagem à lenda de uma bruxa da região, que matou o marido e foi queimada na fogueira. A ideia era inventar uma festa popular em janeiro, período de férias escolares. E não é que a lenda virou folia? A festa lembra muito o Carnaval do Brasil, com blocos fantasiados, amigos reunidos e mochilas cheias de drinques para esquentar. Quem não leva lanche, encontra bares em forma de iglus no alto da montanha, lugares perfeitos para tomar chá, chocolate, sopa, cerveja, vinho e outras bebidas quentinhas.

 

 

 

 

 

O evento é muito divertido, mesmo em uma pista difícil. São doze quilômetros de comprimento a 1,8 mil metros de altitude. Há trechos planos, em que bruxas mais experientes chegam a alcançar 140 km/h. A corrida começou tímida, com apenas 300 pessoas em 1983. Hoje, são mais de 1,5 mil participantes de toda a Europa. O júri, distribuído ao longo da pista, avalia originalidade, performance e técnica. A competição dura o dia inteiro e, no final da tarde, todos se encontram no ponto de chegada para uma grande confraternização. A peregrinação das bruxas inspira, mais uma vez, uma grande festa com muitos drinques e petiscos.

Onde ficar

Caminhar por Leukerbad é se deparar com ladeiras estreitas, cheia de lojas, restaurantes, cafés e casas antigas e igreja, cujo padroeiro é São Lourenço. Em Leukerbad fica o Relais&Chateaux Hôtel Les Sources des Alpes (www.sourcesdesalpes.ch). Inaugurado em 1834, o hotel é um luxo, com SPA, termas privativas e piscinas externas. Em uma sala, retratos de personalidades que foram testemunhas dos efeitos benéficos das águas termais, como Johann Wolfgang von Goethe, Mark Twain, Lenin, James Baldwin, Herbert von Karajan e Eduard Zimmermann.

Os quartos têm varandas com vista para a cidade, para a montanha ou para a piscina. No jantar, vinhos da região do Valais, a maioria com a uva Petite Arvine, para harmonizar com éclair à la crème de foie gras, caramel beurre salé (uma bomba de creme de foie gras com caramelo puxada na manteiga salgada), tudo servido por simpáticos garçons portugueses que ficam felizes em falar com brasileiros.

Com 160 anos de hospitalidade o Mont Cervin Palace (www.seilerhotels.ch), em Zermatt, é um dos grandes hotéis dos Alpes. Nele, tradição e modernidade se misturam na dose perfeita, com tecnologia e aconchego. Um dos melhores spas de Zermatt, o Hotel Mont Cervin Palace tem piscinas, jacuzzis, hidromassagens, saunas, banhos térmicos e sala de ginástica. No final da tarde, quando escurece, tome um banho relaxante bem quente ao ar livre, enquanto a neve cai suavemente do céu.

O hotel tem história para contar. Localizado no coração de Zermatt, perto de tudo, as instalações são de primeira classe. O jeito alpino de viver transpira em cada canto do hotel. Há um grande salão cheio de sofás onde os hóspedes se encontram para tomar vinho e contar as histórias do dia - tudo ao som delicado de um piano. Muita gente importante já se hospedou lá.

Hipno-relaxante

Foto: Dominique Torquato/AAN

Banho de águas termais em Leukerbad.

Banho de águas termais em Leukerbad.

A próxima parada é Leukerbad. No trajeto de trem, seguido de ônibus, muitas casas com parreiras de uvas nos quintais. As montanhas nevadas são uma onipresença. Quem chega ao lugar, antes de mesmo de seguir para o hotel, pode passar horas na estação simplesmente contemplando a paisagem. A vista é de tirar o fôlego e, mesmo de longe, é possível presenciar uma pequena avalanche. A imagem é de uma nuvem de gelo despencando, seguida de um estrondo. Apesar do horizonte dominado pelo branco, pelo frio e pelas as montanhas, em Leukerbad é possível desfrutar das águas termais. Elas são de origem glacial e percorrem canais subterrâneos durante mais de 40 anos antes de surgir à luz do dia. Em Leukerbad, a cada minuto, cerca de 3 mil litros de águas termais puras fluem por meio de nascentes a 51 graus centígrados. Antes de chegar aos spas, a água é resfriada a uma temperatura ao redor de 38 graus. Deliciosamente mornas, jorram em 30 piscinas. São 65 fontes termais, das quais oito são usadas como balneários. As termas podem ser utilizadas o dia todo por 23 francos suíços, mas há também passes para uma semana com descontos. Durante a temporada, um passe de neve e banhos sai por 75 francos suíços por dia ou 266 para a semana. O passe dá ao visitante acesso a todas as ofertas de esporte de Inverno nas montanhas e também aos banhos termais dos spas alpinos Leukerbad Therme e Walliser Alpentherme & Spa Leukerbad.

As termas oferecem um universo de opções entre jacuzzis, hidromassagens e saunas. Vários eventos em torno das águas termais são organizados, como sauna à luz de velas, café da manhã com champanhe, piscinas abertas sob a lua cheia, espetáculo de luzes e até cinema com direito a queijos e schnapps. Um dos banhos mais conhecidos é o Roman-Irish bath (banho romano-irlandês), um circuito relaxante no qual o banhista passa por 10 estações de tratamento diferentes, incluindo saunas, banhos a vapor, piscinas quentes e frias, esfoliação, limpeza com sal grosso etc, ao longo de quase duas horas. Para frequentar as piscinas mais de uma vez, entra em cena a tradicional organização suíça. O local oferece vestiários e armários com chaves. Para entrar na piscina, utiliza-se uma escada que passa por uma cortina e pronto: é só mergulhar o corpo na água quente com a neve ao redor e ter uma sensação de liberdade em pleno frio, uma delícia! Dentro da piscina há pontos específicos de massagem e, de tempos em tempos, a água borbulha massageando o corpo inteiro.

Em Leukerbad, a proposta é tornar possível o acesso de moradores e turistas ao bem-estar. Não importa se o visitante está hospedado em um hotel de luxo ou em um pequeno apartamento de temporada. São mais de 300 propostas de tratamento disponíveis, entre beleza e saúde. O município também tem grande oferta de esportes de Inverno, incluindo pistas de esqui com uma bela área para iniciantes, a Snowpark Sportarena, e atividades que incluem os dois picos principais que a rodeiam, o Torrent e o Gemmipass. O acesso pelo teleférico é rápido, apesar dos 2,3 mil metros de altura.

Terra de tradição e respeito 

Foto: Dominique Torquato/AAN

Telhados cobertos de neve em Zermatt

Telhados cobertos de neve em Zermatt

Outra vez no trem, mais montanhas, mais geleiras e surge Zermatt. O vilarejo situa-se no Sudoeste da Suíça, a 167 quilômetros de Zurique, na parte de língua alemã do cantão de Valais, e é cercado por 38 picos de 4 mil metros. Em Zermatt, o respeito pelas tradições e pelo meio ambiente fazem parte do cotidiano. Desde 1947 é proibido o trânsito de veículos que poluem o ambiente. No local não entra carro comum, salvo poucas exceções. Na pequena cidade só trafegam charretes e carruagens puxadas por cavalos e pequenos carros elétricos. Por isso, uma carruagem vermelha com condutores vestidos a caráter leva o turista pela cidade. Os moradores vivem das montanhas e com elas e, às vezes, só para admirá-las. A mais famosa, Matterhorn, com seus 4.5 mil metros, é símbolo da Suíça e está retratada até na embalagem do Toblerone.

A cidade é um paraíso para os amantes do esqui. São 313 quilômetros de pistas — das mais fáceis, às profissionais - que ficam repletas de praticantes de snowboard, cross country, paragliding e patinação no gelo, entre outros. A vila de seis mil habitantes abriga mansões, lojas sofisticadas e restaurantes incríveis. A principal rua comercial, a Bahnhofstrasse, é voltada para o turismo e pode atender quase todos os desejos do visitante. Nela, o turista pode ir a da igreja ao Bergsteigerfriedhof, o Museu dos Alpinistas. Outra opção é o Museu Matterhorn, que conta a história dos pioneiros da cidade. De dia e à noite, Zermatt é completa com pubs e bares. Quem procura boa culinária encontra restaurantes conceituados como o do hotel Cervo Bar e Lounge (www.cervo.ch). O Cervo integra o Gault Millau, um dos mais influentes guias franceses de restaurantes.

Passeios obrigatórios

Foto: Dominique Torquato/AAN

Palácio de Gelo, dentro glacial Paradise

Palácio de Gelo, dentro glacial Paradise

Para se deslumbrar com uma vista aérea de Zermatt e claro, sua emblemática Matterhorn, é preciso ir a Gornergrat. A 3,5 mil metros de altitude surge o observatório Kulmhotel Gornergrat. O período da manhã é o melhor para fazer esse passeio, porque a montanha está iluminada pelo sol. Lá de cima é possível observar também o glacial Gorner e o Monte Rosa, na Itália. Os teleféricos exploram as duas faces da montanha. Uma delas leva ao Schwarzsee, onde há um restaurante de vidro com ampla visão dos arredores. De lá é possível chegar a Klein Matterhorn, o ponto mais alto da Europa alcançável por teleférico, a 3,9 mil metros de altitude. Do lugar se vê Matterhorn, Gornergrat, Mont Blanc e uma parte da Itália, além de uma visão panorâmica dos Alpes suíços. Antes de descer, é preciso conhecer o Palácio de Gelo, dentro de uma geleira de 25 metros e repleto de impressionantes esculturas.

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Escrito por:

Dominique Torquato