Publicado 01 de Março de 2014 - 11h00

Por Marita Siqueira

A dupla sertaneja Matheus & Kauan

Divulgação

A dupla sertaneja Matheus & Kauan

O Carnaval deste ano em Salvador (BA) aponta para uma tendência que pode tomar grandes proporções nos próximos anos. Tradicionalmente comandados por grupos e cantores de axé, gênero genuinamente baiano e sinônimo do Carnaval de Salvador, os trios elétricos abriram espaço para o sertanejo universitário. Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Gusttavo Lima e Israel Novaes, por exemplo, estão confirmados para o circuito Barra/Ondina. Pode ser um número irrisório diante da quantidade de atrações nos sete dias de festa, porém, levanta a bandeira de alerta para uma eventual derrocada da genuína música baiana no principal momento do calendário turístico do estado.

 

Imagina quem se programou o ano inteiro, pagando dolorosas parcelas mensais, para ir ao famoso Carnaval de Salvador, no qual tocam Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Timbalada, Moraes Moreira etc. e se depara com um show sertanejo universitário? O questionamento, vale ressaltar, não é pelo mérito qualitativo, mas pela inversão de proposta.

 

Outra ponderação: 'Lepo Lepo', apontado como hit do Carnaval baiano em 2014, da banda Psirico, não é nem axé, nem sertanejo universitário, enquadra-se mais no brega sem romantismo, com letra de funk. O trio elétrico da banda ainda terá participação de Matheus & Kauan.

 

Muitos foliões — são esperado 600 mil turistas pela Prefeitura de Salvador — vão para o circuito com o simples intuito de diversão e pouca preocupação com a música mais tocada, no entanto, o que deve ser levado em consideração é a identidade. A cantora campineira Ilcéi Mirian acredita que há espaço para todos os ritmos musicais, mas tem momento certo para cada um. “Acho que as parcerias são sempre bacanas, nossa diversidade musical e cultural pede isso, a troca de informações, de ideias artísticas. Mas elas podem ocorrer em outro período, já que o sertanejo universitário tem tido um superdestaque na mídia o ano todo. No período do Carnaval, a ênfase poderia ser ao ritmo baiano em Salvador, às marchinhas por aqui e assim por diante.”

 

O cantor e compositor Ido Luiz é mais incisivo. “Na minha ótica, o Carnaval virou uma vitrine para grandes artistas, começou no Rio de Janeiro com as grandes escolas e depois em Salvador. Essa história começou com os pagodeiros. É uma visibilidade para quem tem bala na agulha, que agora são os sertanejos. Os carnavais nos grandes centros, com suas variações, são na verdade um grande comércio.”

Puxando a fila

 

A dupla Jorge & Mateus foi a pioneira na adesão do sertanejo ao trio elétrico, em 2011. Desde então, eles têm o bloco Pirraça, com o qual recebem convidados. Neste ano, os músicos sobem no trio neste domingo (2), no circuito Barra/Ondina, e Israel Novaes fará um show. Em entrevista para a agência de notícias Folhapress, a dupla declarou que o ritmo sertanejo já invadiu a capital baiana e não tem mais volta. Segundo Jorge, a cada ano conquista mais o espaço, fato que pode ser constatado ao observar a programação.

Escrito por:

Marita Siqueira