Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 10h00

Joel Kinnaman durante a entrevista coletiva de divulgação de "Robocop" no Rio de Janeiro

DIVULGAÇÃO/Christian Rodrigues

Joel Kinnaman durante a entrevista coletiva de divulgação de "Robocop" no Rio de Janeiro

Jovem (34 anos, mas parece menos), olhos verdes, alto (1,89 m) e bonito. O que mais faltaria para um ator em tempos de supervalorização da juventude e da beleza? Ter talento. Pois o sueco de Estocolmo Joel Kinnaman o possui, como prova a atuação na série 'The Killing' e como protagonista de 'Robocop' (José Padilha), que estreou anteontem no Brasil.

 

Joel esteve no Rio de Janeiro para lançar o filme. Em hotel em Copacabana, em uma mesa-redonda, ele conversou com um grupo de jornalistas, entre eles, o do Correio Popular. Simpático, senta-se portando estranho cigarro falso, que o impede de se aproximar de um verdadeiro — ele diz que funciona.

 

Traga, a ponta do cigarro se ilumina e ele solta a fumaça suavemente antes de responder à primeira pergunta. O jornalista quer saber qual foi o maior desafio ao fazer o filme. Usar a roupa do personagem quatorze horas por dia, seis dias por semana. Na primeira semana emagreceu doze quilos. E brinca que seria bom para lutadores que necessitam perder peso — diz que daria a roupa ao brasileiro de MMA Junior Cigano.

 

E, apesar de ter usado dublê (em algumas cenas o dispensou), passou por treinamento em Los Angeles e em Estocolmo. E como tinham duas unidades de filmagens, não existia intervalo. “Foi uma negociação diária com José, mas eu tinha consciência de que havia muito dinheiro em jogo e precisava me concentrar; fisicamente, me exigiu muito”.

 

Joel conhecia bem o primeiro filme, mas nunca se preocupou em manter o mesmo comportamento do personagem, pois, para ele, tudo é diferente daquele criado por Padilha. Na versão 2014, justifica o ator, Alex Murphy não só não morreu como mantém a consciência, o que acrescenta maior dramaticidade ao personagem.

O outro desafio foi exteriorizar os sentimentos de um homem do qual restou a cabeça, um braço, os pulmões e o coração. “Foi bizarro. Sou ator formado no teatro; portanto, aprendi a usar o corpo, mas em 'Robocop' eu não tinha corpo e precisava transmitir emoções como tristeza, ansiedade e desespero unicamente com o rosto”.

Alguém quer saber se ele gosta de filmes populares. “Não gosto de filmes nos quais eu não posso me exercitar como ator. Um filme de ação? Bem, pode ser legal ver Nova York explodir uma vez, mas, na segunda já não tem tanta graça assim”. E, em 'Robocop', conseguiu juntar filme com vocação popular e a possibilidade de se experimentar na atuação e ficou feliz com o que considera oportunidade rara para o ator. “Por isso fiquei tão estimulado a adorei ter feito”.

 

Joel soube pelo próprio Padilha que a negociação com os produtores não foi nada fácil. Eles sabiam, conta o ator, a respeito dos trabalhos do diretor e do sucesso alcançado. Porém, em Hollywood, deveria fazer o filme que eles quisessem. “Mas acredito que foi o contrário, pois Padilha fez 'Robocop' do jeito que pensou”.

Diz ter sido o primeiro ator escalado, portanto, teve tempo para conversar com o diretor, sugerir nomes para o elenco e conhecê-lo melhor. O mais importante, assegura, foi dividir com ele os mesmos gostos. “Eu confiei na concepção dele e porque tínhamos visões parecidas. O resultado foi um filme honesto e verdadeiro”.

Quanto à expectativa de público, ele afirma não estar tão preocupado. Sabe que existe ela existe por parte do estúdio e dos produtores, mas o importante para ele foi ter feito o filme. “E pode ser que nem seja o sucesso esperado, mas é legal que as pessoas gostem”.

Bergman

 

Um sueco não poderia deixar de mencionar Ingmar Bergman (1918-2007). Pergunto quais filmes do cultuado diretor ele aprecia. “Mesmo considerando-o um gênio, não gosto de tudo o que ele fez. Eu citaria Persona (1966) e 'Fanny e Alexander' (1982). Este, o meu favorito”.

 

No Rio, o ator visitou os principais pontos turísticos e, no domingo passado, foi ao Maracanã (levado pelo flamenguista Padilha) assistir a Flamengo e Vasco. Quero saber se ele gostou da experiência. “Sim, mas tinha muito pouca gente”. Padilha, que acabara de entrar na sala, justifica-se com uma provocação: “É que jogamos com um time da segunda divisão”.