Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 10h00

Cena do filme Hannah Arendt, de Margarethe Von Trotta com Barbara Sukowa

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Cena do filme Hannah Arendt, de Margarethe Von Trotta com Barbara Sukowa

Apesar de ser o eixo da discussão, o tema do ótimo longa 'Hannah Arendt', de Margarethe von Trotta (2012), que o Telecine Cult exibe neste sábado (22), à meia-noite, não é se a filósofa judia/alemã estava certa ou não ao analisar o julgamento do nazista Adolf Otto Eichmann, responsável pela logística de extermínio dos judeus durante o nazismo. Seria simplista resumir o filme — e a vida e a obra da escritora — a partir da abordagem mais óbvia, que a coloca no centro de um tiroteio entre os que concordam com ela e os que discordam.

 

A questão primordial é que Hannah aproveitou o julgamento realizado em Jerusalém, em 1961, e que ela cobriu para a revista The New Yorker (ela foi presa na França Ocupada e, mais tarde, exilou-se nos EUA), para propor uma reflexão sobre o mal, que gerou o conceito da “banalidade do mal”, e pela qual ficou famosa.

 

Eichmann, segundo ela, estaria longe de personificar o demônio. Era burocrata medíocre que cumpria ordens e não enviou judeus para a morte por odiá-los, mas porque perdeu a essência do ser humano dotado do privilégio de pensar. Imperdível.