Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 9h00

Por Delma Medeiros

José Reinaldo Pontes, dono da Livraria Pontes: instituição campineira

Dominique Torquato/AAN

José Reinaldo Pontes, dono da Livraria Pontes: instituição campineira

Tudo começou em 1968, em Itatiba, com a livraria Vanguarda. Depois de considerar que aquela cidade, na época com cerca de 20 mil habitantes, era um mercado limitado, José Reinaldo Pontes, que estudava em Campinas, soube de uma livraria à venda no Centro e resolveu transferir seu negócio para cá. Desde então, são 40 anos de funcionamento da Livraria Pontes, uma referência em vários segmentos. Lançamento de livro, exposições e outros eventos vão comemorar a marca.

 

“No local funcionava a livraria Lisa (Livros Irradiantes S/A), uma editora de São Paulo que tinha uma rede de livrarias. Como algumas lojas se mostravam deficitárias, resolveram vender. Eu comprei, fechei a de Itatiba e decidi batizar a de Campinas com meu nome. Ela começou a funcionar no final de março de 1974 e permanece no mesmo endereço”, conta Reinaldo, como é mais conhecido. Ele explica que há cerca de 15 anos demoliu o antigo prédio e construiu o novo no mesmo local, na Rua Dr. Quirino.

“Nesse período, por cerca de um ano, a livraria funcionou em outro prédio, mas exatamente na frente do endereço original. Reinauguramos um ano depois com o lançamento de um livro da Hilda Hilst”, lembra ele, cuja paixão pelos livros é antiga — na adolescência, Reinaldo vendia de porta em porta. Atualmente, a Livraria Pontes é endereço certo para quem busca títulos raros, além de ser uma referência nacional quando o assunto é esporte. É a única no Brasil a ter um andar inteiro dedicado ao tema — 90% sobre futebol —, com cerca de 2 mil títulos.

 

Reinaldo lembra que, no início, a Livraria Pontes era ponto de encontro de intelectuais e universitários. “Aos sábados, muitos chegavam logo depois da abertura, às 8h, e ficavam conversando até meio-dia, 13h. Hoje, aos sábados, não acontece nada no Centro”, lamenta. O movimento pode ter diminuído, mas a livraria continua investindo em artes. Há cerca de dois anos, abriu o espaço para exposições de artistas locais. Neste sábado (22), por exemplo, entra em cartaz a exposição 'Um Olhar Atencioso', de Deolinda Della Nina. Reinaldo mantém ainda uma pequena galeria com quadros de artistas pouco conhecidos que recebeu em troca pelo fornecimento de livros.

Editora

 

Em 1987, Reinaldo expandiu as atividades e fundou a Pontes Editores, especializada em publicações sobre linguística e em métodos de aprendizagem de português para estrangeiros. Seu método 'Fala Brasil' percorre o mundo como um dos mais eficientes instrumentos de ensino da língua portuguesa para não falantes do idioma. Reinaldo explica que o método foi criado por Pierre Coudry, da Interclass - Escola Graduada de São Paulo. “Até hoje já fiz 20 edições com 100 mil exemplares vendidos. É a publicação do gênero mais utilizada no mundo. É usada inclusive pela Força Aérea norte-americana, que anualmente adquire entre 300 e 400 exemplares.”

 

“No início, a editora tinha tendência para o ensino linguístico. Depois percebi que a área de esportes era pouco explorada e decidi investir nesse filão também”, conta. “Vendemos livros de esportes para vários países e vem gente do Brasil inteiro em busca de publicações sobre o assunto. E os livros sobre futebol são o carro-chefe. Tenho um cliente de Teresina (PI) que anualmente, durante as viagens de férias, passa por aqui para renovar seu estoque de livros sobre o assunto.”

Agenda de comemorações

 

O lançamento, no final de março, da biografia do jogador Carlos Renato Frederico, conhecido como Renato Morungaba, escrita pelo jornalista e crítico de cinema do Correio Popular João Nunes, marca a abertura das comemorações pelos 40 anos da Livraria Pontes. Nunes, que foi convidado pela editora a escrever o livro, conta que Renato começou no Guarani aos 17 anos, em 1975, e em 1978 ajudou o time a conquistar o título de campeão brasileiro, jogando 31 das 32 partidas do campeonato. “Depois ele jogou no São Paulo, Botafogo (RJ) e Atlético Mineiro, além da Seleção Brasileira. Passou quatro anos no Japão e encerrou a carreira na Ponte Preta e no Taubaté. Hoje, ele tem uma escola de futebol em Itatiba.” A biografia foi montada a partir de pesquisas de jornais e revistas da época, além de depoimentos dele, de amigos, ex-jogadores e jornalistas.

 

A programação completa das comemorações ainda não está fechada, mas Reinaldo adianta alguns eventos que serão realizados ao longo do ano, além das exposições regulares que ocupam o espaço. “Todo ano realizamos o Bloomsday (evento que ocorre em 16 de junho para lembrar o personagem Leopold Bloom, do livro 'Ulisses', de James Joyce), mas, em 2014, teremos algo especial, possivelmente um autor de São Paulo especializado na obra de Joyce”, diz Reinaldo.

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Delma Medeiros