Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 10h00

Por Marita Siqueira

Chico Fransé monta sua exposição 'Obras Recentes'

Élcio Alves/ AAN

Chico Fransé monta sua exposição 'Obras Recentes'

O artista plástico Chico Fransé e o fotógrafo Martinho Caires abrem nesta quinta-feira (20), às 20h, a agenda de exposições do Museu de Arte Contemporânea de Campinas (Macc), com projetos contemplados pelo Fundo de Investimento Cultural de Campinas (Ficc). Na primeira — e principal — sala, estarão as obras em mosaico de Fransé. A mostra 'Obras Recentes' é composta por 12 esculturas que chegam a 2 metros e 14 painéis confeccionados nos último cinco anos — exceção para a “peça mãe” da exposição, 'Chá das Cinco', feita em 2004. Na outra sala, Martinho Caires apresenta 'Campinas... Província e ou Metrópole?', com 18 fotografias feitas no ano passado. As duas exposições ficam em cartaz até o dia 30 de março.

 

Em suas esculturas, Fransé transforma chaves, fechaduras, cerâmicas, pratos, tigelas, xícaras, vidros, metais, cimento, joias, cristais Baccarat e azulejos holandeses do século 19 em obras-primas. 'Chá das Cinco', por exemplo, foi feita com louças herdadas pela avó portuguesa. “Aquelas que estavam inteiras, eu guardei. As que tinham lascado, que estavam quebradas, com trinco, viraram essa peça”, conta o artista, que começou a trabalhar com mosaico em 1990. “Um livro de Gaudi caiu nas minhas mãos, daí comecei a ver exposições e a pesquisar sobre o tema”, diz, referindo-se ao estilo do famoso arquiteto catalão Antoni Gaudi (1852-1926), que tornou-se sua principal referência.

 

Fransé desenvolveu sua técnica sozinho, sem realizar cursos e, após 24 anos focado nessa técnica, diz ter mudado a forma de usar os materiais. “Ficou mais sofisticado, requintado.” Garimpa matéria-prima por todos os cantos, inclusive em casa. Às vezes ganha, caso dos potes de perfume usados em 'Cálice Contra-Gotas'. Os painéis, diferentemente das esculturas, têm um tema: grafismo amazônico. Fazem uma releitura da pintura corporal indígena, segundo Fransé. Todas as obras serão comercializadas posteriormente, sendo que as esculturas custam de R$ 2 a R$ 20 mil e os painéis a partir de R$ 5 mil.

Poesia na metrópole

O fotógrafo Martinho Caires mostra na exposição 'Campinas... Província e ou Metrópole?' os contrapontos da cidade. Sem pretensões de questionamentos ou críticas, segundo Caires, o trabalho explora o olhar poético do desenvolvimento. “Não é uma crítica. Existem coisas ótimas que devem ser preservadas sim, mas a cidade também cresce. Acredito que tenha de haver harmonia entre esses dois temas. Mas, não é essa a minha intenção, não fiz um inventário sobre, não esgotei o tema”, diz.

 

Caires afirma que o início foi totalmente intuitivo. “Fiz fotos da Norte-Sul, do Centro de Convivência Cultural, do Jardim Carlos Gomes. E então percebi que havia um sentido em seguir esses rumos e me programei para continuar. Passei pela Barão de Jaguara e terminei no MIS (Museu da Imagem e do Som). Se eu tivesse realmente uma pretensão crítica, teria de ter registrado todos os lugares”, conta.

 

Com intenção ou não, o fato é que as fotografias de Caires propõem uma reflexão sobre várias mudanças que envolveram a sociedade ao longo dos anos. Por exemplo: a imagem do cartaz, sem título, mostra pai e filho brincando de bola no cimento no Teatro de Arena do CCC. “Jogar bola é uma tradição tão provinciana, no melhor sentido, e está sendo feita no cimento, símbolo da modernização”, explica. Outra foto mostra uma horta no bairro Nova Campinas, sobreposta aos prédio espelhados da Avenida Norte-Sul.

 

“Campinas tem, lado a lado, calçamento de paralelepípedos, os remanescentes casarões coloniais do Cambuí e do Centro da Cidade, como o Palácio dos Azulejos, e os prédios modernos, os centros de pesquisa de alta tecnologia, o polo industrial”, diz Caires. As fotografias, em molduras de 1 metro e 10 centímetros por 77 centímetros serão vendidas, assim como as obras de Fransé, ao preço de R$ 1 mil cada.

 

Serviço

 

Exposições 'Obras Recentes', de Chico Fransé, e 'Campinas... Província e ou Metrópole?', de Martinho Caires

Vernissage nesta quinta-feira, às 20h. Visitação: de terça a sexta, das 9h às 17h; sábados, das 9h às 16h; domingos e feriados, das 9h às 13h. Até 30/3

No Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti - Macc (Rua Benjamin Constant, 1.633 - Centro). Telefone: (19) 3236-4716

De graça

Escrito por:

Marita Siqueira