Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 20h11

Por Rubens Morelli

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

AAN

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

A 110 dias do chute inicial da Copa do Mundo, ainda nos perguntamos se estamos no caminho certo. A cada dia somos bombardeados com dúvidas da Fifa, das federações internacionais, das seleções, dos torcedores estrangeiros, dos torcedores brasileiros. Já soubemos que os jornalistas de fora terão muitas complicações para levar as informações aos seus países do local onde acontecem os jogos, haja vista a dificuldade em encontrar produtoras brasileiras com capacidade para transmissões internacionais em todas as sedes. Sem contar o custo de tudo isso, muito acima do considerado normal, mesmo para um evento como a Copa do Mundo. Uma TV inglesa desistiu de montar um estúdio móvel em Manaus por causa do aluguel do link e da dificuldade de transportar a carga para lá, por exemplo.

Nem mesmo a empresa responsável pelas transmissões para da Fifa, aquela que gera as imagens oficiais para os quatro cantos do mundo, terá vida fácil, por causa de tantos atrasos nas obras dos estádios, o que torna impossível passar os cabos necessários para fazer um trabalho digno. E notem que eu uso a palavra “digno” porque a própria empresa já abandonou a meta de oferecer o produto considerado ideal.

A 110 dias da Copa no Brasil vivemos a mesma incerteza de sete anos atrás, quando a Fifa ratificou a escolha para sediar a competição. Seremos capazes de organizar um Mundial em nossa casa, o País do futebol? Pois o que se vê nas ruas é desaprovação à candidatura. Não se vê nenhuma empolgação especial por sediar o evento, apenas a mesma de sempre: estamos próximos da Copa.

Sem dúvida será sucesso de público nos estádios, haja vista a procura por ingressos. Mas mesmo quem aceitou pagar os valores dos ingressos, as tarifas dos voos e as estadias dos hotéis concorda que o governo deveria investir esses bilhões de reais gastos nas obras dos estádios em infraestrutura dos hospitais, das escolas e do transporte nas cidades. Se há todo esse dinheiro no cofre, por que continuamos com estruturas precárias no que realmente importa no dia a dia?

Nesta semana a Fifa decidiu pela permanência de Curitiba como cidade-sede, dadas as garantias financeiras para a conclusão das obras da Arena da Baixada. Só que, para garantir os milhões que faltam, o governo paranaense cortou o orçamento da educação. Esse será o legado que deixaremos para o futuro?

A 110 dias da início da festa, temos muito ainda a aprender. Desde cobrar e fiscalizar os governantes e suas gastanças, até mesmo eleger as nossas prioridades.

Escrito por:

Rubens Morelli