Publicado 28 de Fevereiro de 2014 - 22h50

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Cedoc/RAC

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Não é de hoje que Felipe Nasr é tido como uma espécie de salvador da pátria para o automobilismo brasileiro. Com uma rara combinação de escalada sólida nas categorias de base, patrocínios duradouros e carreira bem gerenciada, o brasiliense de 21 anos tomou ares de último dos moicanos, resultado de um total descaso com a formação de pilotos no País de 10 anos para cá.

Entretanto, mesmo tendo sido confirmado como piloto de testes da Williams nesta temporada, Nasr está longe de poder se sentir garantido na Fórmula 1. São dois os fatores que podem travar o futuro do brasileiro: os dois anos de certa forma decepcionantes na GP2 e a disputa com rivais que trazem maior aporte financeiro.

Por isso, 2014 será muito importante para Nasr: estará em uma equipe que promoveu recentemente Valtteri Bottas (2013) e Nico Hulkenberg (2010) a titulares, com a confirmação de que andará em cinco sessões de treinos livres às sextas-feiras e justamente no ano em que os testes durante a temporada voltam a ser permitidos. Isso sem contar no valioso trabalho no simulador e junto aos engenheiros. Ou seja, tem a possibilidade sólida de ganhar experiência para se colocar em uma posição melhor no mercado em 2015.

Outro ponto importante para a temporada de Nasr será na GP2, categoria que ele disputará pelo terceiro ano. Lá, o brasiliense tem a chance de se livrar da incômoda marca de nunca ter vencido uma corrida na categoria e de provar que é mais do que apenas um piloto cerebral. Isso porque, apesar de ter chances de título até a última etapa, o piloto deixou a impressão de que poupava em demasia o equipamento, sem saber a hora de atacar. Mais do que nunca, é o momento de mostrar as garras.

Pensar em uma promoção na própria Williams a curto prazo não parece estar nos planos nem de seus empresários, vide o acordo de apenas um ano com o time de Grove. Isso porque o contrato de Felipe Massa é de três anos e Bottas é considerado um futuro campeão do mundo por lá — apenas sairia para um time maior. Mesmo nesse caso, por questões financeiras, é difícil imaginar um time 100% brasileiro no ano que vem.

Se não é o caso de promoção direta, a meta de Felipe Nasr é mostrar evolução para buscar uma vaga como titular em 2015. Nos planos iniciais de seu staff, o brasiliense teria conquistado o título da GP2 ano passado e sido promovido a titular da Fórmula 1 nesta temporada. Sem o campeonato e sem experiência com a categoria de cima, o plano teve de ser adiado e repensado. Que seja pela última vez.