Publicado 22 de Fevereiro de 2014 - 0h06

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Cedoc/RAC

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Para terminar em primeiro, primeiro você tem de terminar. A frase célebre do dirigente da McLaren Ron Dennis tem tudo para ser a tônica ao menos das primeiras etapas da temporada de 2014 da Fórmula 1. Enfrentando o maior desafio técnico da história da categoria, nenhuma equipe conseguiu se firmar após mais da metade dos testes de pré-temporada realizados.

Há dois referenciais básicos para observarmos se um carro nasceu bem antes do primeiro GP do ano: um, menos confiável, são os tempos obtidos; outro, a quilometragem. Além disso, a observação do comportamento dos carros na pista, as condições em que os melhores tempos foram feitos — que tipo de pneus, se era uma sequência mais ou menos longa de voltas, etc. — completam o quadro.

Mas nada disso parece valer na atual pré-temporada, tamanho o sobe e desce das equipes. A McLaren foi quem liderou mais vezes até aqui — três das sete sessões — enquanto Mercedes, Williams, Force India e Ferrari estiveram na frente nas outras quatro. O time britânico também vai bem no quesito quilometragem, com 2.226km percorridos até o momento, perdendo apenas para a Mercedes. Favoritos? Ninguém arrisca, especialmente depois do ano sofrível da equipe em 2013.

A expectativa da maioria é por ao menos um início de ano forte da Mercedes de Hamilton e Nico Rosberg. Contudo, mesmo esta aposta, que parecia certeira depois do primeiro teste, perdeu força após ambos os pilotos terem problemas nas últimas sessões, realizadas no Bahrein.

O que está clara é a vantagem que os times com motores Mercedes têm neste momento. Eles estiveram na ponta em todos os testes até aqui, à exceção do primeiro dia, e somam mais quilometragem — das quatro mais bem colocadas no quesito (Mercedes, McLaren, Ferrari e Williams), três usam os motores alemães. Na outra ponta, está o motor Renault de Red Bull, Lotus, Toro Rosso e Caterham, pouco confiável e lento.

Na Ferrari, há uma silenciosa consistência. O time está constantemente entre os primeiros, soma boa quilometragem, mas vira e mexe tem seus problemas, os quais Fernando Alonso comparou com aquelas travadas que nossos computadores costumam dar.

De fato, a maioria dos desafios é eletrônica, tem a ver com os softwares que controlam a nova parafernália que comanda os sistemas de recuperação de energia, grande vedete dos novos carros. Quando, há dois meses, o chefe da Red Bull, Christian Horner, falou que “metade do grid não vai terminar o primeiro GP”, pareceu um comentário alarmista. Hoje, há quem chame isso de otimismo.