Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 9h47

O navegador e escritor Amyr Klink, entrevistado durante um programa de televisão, informava sobre aspectos ambientais e humanos ligados à sobrevivência em situações extremas.

 

Um comentário dele me pareceu extremamente importante. Disse que, nesses momentos agudos, as mulheres têm mais condições de se controlar e criar alternativas para sobreviver. Os homens tendem mais ao pânico e à impulsividade.

Ele mostrou ainda que, se o náufrago masculino estiver sozinho, as chances de ele suportar as adversidades e sobreviver serão mínimas. E crescem muito se houver a companhia de uma mulher.

 

Pensando a respeito, me ocorreu que o homem realmente apela de modo direto e impensado para atitudes de truculência, em vivências de risco.

A sede, a fome e todo o panorama ameaçador passam a ser inimigos que ele tem que derrotar.

 

O homem vai matar a sede e a fome literalmente, guerrear com elas, ao invés de pensar e criar alternativas que mitiguem a necessidade de água e de alimentos.

Os filmes de aventuras mostram homens lutando contra o tubarão e não desviando a atenção do peixe...

 

A mulher evita o enfrentamento.

 

Ao invés de partir para o combate, ela lida de outro modo com a adversidade ou o inimigo.

 

Essas circunstâncias podem ser também observadas nas crises de relacionamento, nas demandas de separação e até no projeto de uma celebração.

 

Noivos planejando uma festa de matrimônio ou cônjuges comemorando bodas de prata demonstrarão as diferenças de gênero nos contatos com os profissionais de decoração, bufês e afins.

 

Um casal em etapa crítica, com filhos em crescimento, pode litigar intensamente pelo divórcio. Ambos poderão se revelar belicosos - tudo tem limites e exageros - a mulher chegaria até a expulsar o homem de casa, mas ela tenderá a poupar os filhos das consequências piores.

 

Aproveitando os deuses da mitologia grega, Freud sugeriu que os seres humanos dependemos de dois instintos básicos: a pulsão de vida, inspirada em Eros (deus grego do amor) e a de morte, plantada em Tânatos (deus grego da morte).

Essas duas forças básicas coexistem em cada pessoa e precisam estar equilibradas para que a afetividade predomine levemente sobre a agressividade.

 

A pessoa tem que se defender e amar. Melhor que interaja mais com amor do que com ataques, a não ser que a situação demande mais assertividade agressiva.

Os homens são mais solicitados para circunstâncias competitivas e disputas. É um apego cultural e uma decorrência da natureza corporal.

 

Valores fálicos, machistas e a compleição física do macho corroboram esse contexto.

As mulheres têm o corpo físico mais frágil, mas, espiritualmente, suportam dificuldades que os homens nem de leve aguentariam.

 

Desde os anos 80, o apelo feminista conseguiu mostrar que o homem traz um sexo fraco em corpo forte, e as mulheres, um corpo fraco em sexo forte.

Este vigor anímico da mulher é testado nas horas mais difíceis, implicando em capacidade adaptativa e reações pensadas que superam as emoções impulsivas.

De outro lado, focando as relações dos casais mais comuns que compartilham a vida, na grande maioria heterossexual, curiosa e contraditoriamente, entende-se uma condição oposta.

 

A mulher é subentendida como pessoa eminentemente afetiva, ao passo que o homem é apontado como um exemplo racional, de pouca sensibilidade sentimental.

Com exceções para confirmar a regra, a alma feminina é o reduto essencial do amor. Ela é a inspiração da conduta das mães, das esposas, das professoras, das cuidadoras em geral.

 

Existem muitos exemplos de cuidados femininos ruins, babás que agridem bebês, acompanhantes que atacam idosos, mas a maioria das mulheres é plenamente confiável em sua capacidade amorosa e no exercício das atenções e dedicações.

A sabedoria popular conhece o assunto, tanto que, via de regra, quando necessita de serviços de proteção e assistência a uma criança, um velho, um doente, prefere uma mulher para a função.

 

E, agora, para a eventualidade de um naufrágio ou qualquer coisa equivalente, que haja uma mulher na ocorrência...

 

Acompanhem a programação do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), através do site www.blove.med.br (clique GEA).