Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 13h46

O estudante de enfermagem da PUC-Campinas Felipe Nunes Venâncio examina

César Rodrigues/AAN

O estudante de enfermagem da PUC-Campinas Felipe Nunes Venâncio examina "paciente", orientado pelo professor José Carlos de Oliveira e observado pela colega Renata Ferreira

A crescente preocupação com a qualidade de vida, combinada ao aumento da longevidade da população no País, colocam a enfermagem no centro das atenções entre as profissões da área de Saúde. A demanda é tanta que especialistas em gerontologia (ciência que estuda o processo de envelhecimento) têm salários equivalentes aos de médicos em algumas instituições.

Além disso, o curso ganha espaço entre jovens de ambos os sexos, principalmente porque forma gestores de recursos para hospitais — profissional em falta e muito valorizado no mercado. Mas o cuidado com o próximo continua a principal característica dos enfermeiros e, por isso, é essencial gostar do contato com pessoas.

A região de Campinas tem aproximadamente 20 cursos de enfermagem, que formam mais de 1 mil profissionais por ano, além de inúmeros hospitais. Mas os recém-graduados interessados em empregos que paguem mais de R$ 5 mil precisam de flexibilidade para mudanças, pois é no Norte e no Centro-Oeste que estão as melhores oportunidades de trabalho.

Camila Terra Savieto, aluna de curso técnico, simula atendimento: ela pretende prestar vestibular para a Unicamp e trabalhar com dependentes

Créditos: Elcio Alves/ AAN

Além disso, a pós-graduação é fundamental para que o profissional galgue posições dentro das organizações de saúde.

O enfermeiro se dedica a promover, a manter e a restabelecer a saúde das pessoas. Ele atua na proteção, na promoção e na recuperação da saúde, bem como na prevenção de doenças. É responsável também pelos recursos, materiais e pela disponibilidade das equipes nos hospitais, exercendo papel de gestão.

O coordenador da Faculdade de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), José Carlos de Oliveira, resumiu o curso como o trabalho do cuidado do ser humano, baseado nas ciências biológicas e humanas. “Ele também é responsável pela coordenação de campanhas e na prevenção de doenças, com trabalhos educativos na comunidade”, completou.

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Para Oliveira, uma das áreas mais promissoras da enfermagem é a saúde do idoso, pelas características da pirâmide populacional brasileira. Ele explicou que é cada vez mais comum enfermeiros montarem clínicas geriátricas de repouso e reabilitação, em parceria com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e nutricionistas. “Eles não precisam necessariamente trabalhar como funcionários de hospitais, mas podem ser profissionais liberais e empreender”, disse Oliveira.

Gerência

Uma tendência em hospitais, segundo o coordenador, é que os enfermeiros ocupem cargos de administração do hospitais, justamente por terem uma visão global e humanizada de todos os processos que ocorrem dentro da unidade. “Ele também pode ser responsável pelos processos de auditoria e qualidade, pela característica da formação da faculdade. Pode também auxiliar na montagem de unidades de saúde”, acrescentou.

A vice-coordenadora do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Erika Marocco Duran, afirmou ainda que o enfermeiro aprende a ter um olhar crítico e reflexivo, levando em consideração o perfil epidemiológico de onde está inserido. “Por isso, ele é gabaritado a ocupar cargos de chefia e planejamento em saúde.”

Ainda segundo Erika, a enfermagem especializada em doenças cardiovasculares e oncologia também estão em alta. “E são também as enfermidades ligadas a idades mais avançadas”, disse a vice-coodernadora.

O salário inicial de um enfermeiro na cidade fica entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Já em Manaus (AM), o profissional pode começar recebendo R$ 6 mil.

Curso técnico 

O estudante de enfermagem da PUC-Campinas Felipe Nero Nunes Venâncio, de 24 anos, fez o curso técnico antes de optar pela faculdade. Foi na escola que tomou gosto por cuidar de outras pessoas e teve certeza de que profissão queria seguir.

“É o enfermeiro que oferece todo cuidado que o paciente precisa, desde o medicamento até o aperto de mão, o acolhimento”, disse.

Depois que se formar, Venâncio afirmou que pretende fazer especialização em auditoria, para trabalhar na administração de unidades hospitalares, mas também se identifica com a área de oncologia e hematologia.

“Os pacientes de oncologia são especiais, porque chegam muito desacreditados e inseguros para o tratamento. Gosto da parte psicológica, de fazer o paciente acreditar que há esperança. É um trabalho na linha humanizada, que eu me identifico muito”, disse o estudante.

Camila Vechini Terra Savieto, de 19 anos, segue o mesmo caminho. Faz o curso técnico de enfermagem em Campinas e quer seguir carreira na profissão. Sua intenção é prestar vestibular a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no final do ano e trabalhar com dependentes químicos.

“Eu fiz um estágio na Instituição Padre Haroldo, que foi muito gratificante. Pretendo me especializar nessa área”, disse.

Formação generalista

De acordo com o Ministério da Educação, o curso deve ter caráter generalista, voltado para a necessidade de atenção primária, que o trabalho de enfermeiro em ambulatórios, prontos-socorros e postos de saúde.

O início do curso tem disciplinas básicas na área de biológicas. Mais tarde há matérias de administração, psicologia e sociologia. Os alunos aprendem as técnicas e cuidam de enfermarias. A duração média é de quatro anos.