Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 17h55

Márcio Rodrigo Wolf diz que a gema fica mais fraca e os ovos duram menos na época de muito calor

Del Rodrigues/ AAN

Márcio Rodrigo Wolf diz que a gema fica mais fraca e os ovos duram menos na época de muito calor

Quem chegou primeiro, o ovo ou a galinha? Com certeza, se o dia determinado para a chegada estivesse tão quente como estes de 2014, nem um nem outro gostaria de ser o primeiro a dar as caras por aqui. É que esse forte calor, que incomoda tanto as pessoas, também incomoda as aves e altera a qualidade de um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros: o ovo.

Márcio Rodrigo Wolf, da Wolf Comércio de Ovos, é um expert no assunto, já que é ele quem compra a mercadoria de sua empresa nas granjas. De acordo com Wolf, as galinhas poedeiras comem, normalmente, 120 gramas de ração diariamente. Em dia de calor, elas comem 30% a menos e ingerem mais água. “A gema fica mais fraca (e com uma cor mais pálida) e os ovos duram menos”, conta. “É preciso manter 65% da alimentação com milho, para que não haja essa perda de cor e de nutrientes”, avisa.

Por conta disso, a doceira Claudete Chiodi Cury tem sofrido na hora de preparar seus bolos. “As gemas se misturam com a clara, daí tenho de jogar e comprar outros ovos. O ovo desanda”, conta. A solução que encontrou foi congelar as claras que sobram. Quando abre novos ovos e eles desandam, ela joga as claras e aproveita as congeladas.

Wolf revela que em épocas mais frias, os ovos duram de 25 a 28 dias, tempo que cai para 15 dias no Verão. “Se guardar na geladeira, pode consumir em até 30 dias”, observa.

A qualidade cai e os preços sobem. Wolf calcula que a dúzia de ovos teve um aumento de 20% com a onda de calor. Hoje, uma dúzia custa entre R$ 4,50 e R$ 5 nos supermercados.

 

Para refrescar

A zootecnista e mestranda do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Dayana Cristina de Oliveira Pereira conta que no calor as aves diminuem o consumo de ração e tomam mais água, como fazem os humanos.

O objetivo é se refrescar, já que ao se alimentarem, elas geram calor para dissolver esse alimento. “A energia disponível para a produção de ovos, no caso de galinhas poedeiras, é menor. A casca do ovo, principalmente, é muito afetada. Ela é formada por muitos minerais e se as galinhas comem menos as cascas ficam mais finas. Essa casca é a proteção do material que está dentro e se ela estiver mais fina, há perda de água e de gás carbônico. Isso causa a perda de peso dos ovos e sabor”, descreve Dayana.

O professor do Nupea (Núcleo de Pesquisa em Ambiência) da Esalq, Iran José Oliveira Silva, observa que é preciso trabalhar com duas questões: o conforto térmico e o bem-estar do animal, tanto o físico como o produtivo, para amenizar a perda da qualidade do produto. Outro ponto que ele destaca é que é preciso ter cuidado com o transporte e também com o armazenamento. “Os ditos caminhões refrigerados. Há dados que muitos não são refrigerados e isso altera a qualidade”, alerta.

É justamente a procedência do ovo que é levada em conta pela chef e consultora Karen Bressan. “Eu não sofro com esse problema porque escolho bem o meu fornecedor. Levo isso em conta na hora de comprar qualquer produto perecível”, avisa.