Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 12h18

Por France Press

Caminhão despeja lixo em Nova York após passagem de furacão

France Press

Caminhão despeja lixo em Nova York após passagem de furacão

Nova York quer descartar e dobrar a reciclagem de lixo até 2017, mas o desafio é grande em uma metrópole que produz diariamente mais de 40 mil toneladas de rejeitos. Esta é a cidade americana que gera a maior quantidade de rejeitos: 2,5 quilos por pessoa ao dia, em comparação com os 2 quilos gerados no restante do país, segundo o gabinete do prefeito, Bill de Blasio. Para cumprir sua meta, a "Grande Maçã" tem 7 mil funcionários e uma frota de mais de 2.500 caminhões.

"O saneamento é a força uniformizada mais importante das ruas", escreveu Robin Nagle, antropóloga da Universidade de Nova York em seu livro, "Picking Up" ('Catando', em tradução livre).

"Se os funcionários do saneamento não estão lá, a cidade fica inabitável rapidamente", acrescentou.

Mas Nova York, na vanguarda em outras políticas municipais do país, está muito atrás dos rivais da Costa Oeste e da Europa na questão da reciclagem.

Ron Gonen, o 'czar' nova-iorquino da reciclagem, afirma que a quantidade de lixo aumenta a cada ano e que a cidade gasta US$ 330 milhões para transportar seus rejeitos para lugares como Ohio e Carolina do Norte.

Mas nos últimos dois anos, a cidade de 8,4 milhões de habitantes, onde os estabelecimentos organizam sua própria separação de lixo, fez esforços sérios para melhorar sua reciclagem.

Das 11.200 toneladas de lixo coletado diariamente pela cidade cidade, Nova York se compromete a aumentar a taxa de reciclagem de 15% para 30% até 2017, sem incluir o lixo orgânico.

Companhias privadas descartam outras 29 mil toneladas por dia.

A cidade fez parcerias com investidores privados para construir uma nova e moderna usina de reciclagem no Brooklyn.

Além disso, estendeu um programa piloto para coletar lixo orgânico de 300 escolas este ano contra 90 no ano passado.

A partir de julho de 2015, restaurantes, lojas de alimentos e mercearias também terão que separar o lixo orgânico e reciclar.

"Nos últimos dois anos tem havido uma dedicação fenomenal. Há muito potencial", disse Gonen à AFP.

Eric Goldstein, especialista do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, que também trabalha com o município, concorda.

"Estamos nos primeiros estágios da transformação", disse à AFP.

"Tivemos um início lento, ainda não somos uma das cidades líderes, como Seattle ou San Francisco. Mas estamos nos atualizando rapidamente e dando bons passos adiante", acrescentou.

Ele atribuiu o atraso a uma preocupação focada demais no curto prazo e que evita investimentos de longo prazo.

"O maior desafio é que o avanço da administração Bloomberg continue com o novo prefeito", disse Goldstein à AFP, referindo-se ao recém concluído reinado do bilionário da mídia Michael Bloomberg.

Em dezembro, uma ultramoderna usina de reciclagem para metais, vidros e plásticos abriu no Brooklyn, operatada pela Sims Municipal Recycling, líder mundial do setor.

Foram necessários dez anos e US$ 110 milhões de investidores privados e públicos para construir os 44.515 metros quadrados da usina Sunset Park Material Recovery, ao longo de East River.

Mas, a reciclagem não é boa unicamente para o meio ambiente. Ela também gera renda: um cubo de alumínio com cerca de 680 quilos produzido pela Sunset Park pode ser vendida por US$ 1.000.

Escrito por:

France Press