Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 20h37

Por France Press

A Justiça iraniana anunciou nesta quinta-feira (20) a proibição do jornal reformador "Aseman", lançado há menos de uma semana, por ter publicado uma matéria considerada "insultante" em relação à lei islâmica em vigor no Irã.

Lançado no sábado, o jornal "Aseman" ("céu", em português) "foi proibido de circular por ter publicado matérias insultantes em relação às crenças sagradas do Islã e matérias ofensivas às leis islâmicas", declarou o procurador-geral de Teerã em sua página na Internet.

"Em uma matéria publicada na terça, ele qualificou de 'desumana' a 'qisas' (a lei do Talião inscrita na charia, a lei islâmica em vigor no Irã)", de acordo com a nota divulgada.

O diretor-geral do jornal, Abbas Bozorgmehr, também foi acusado nesse caso, acrescentou o procurador.

Segundo a agência oficial de notícias Irna, Bozorgmehr foi detido nesta quinta e levado para a prisão de Evin, no norte de Teerã. O valor da fiança foi estabelecido em 3 milhões de rials (cerca de US$ 100 mil). Antes de ser preso, ele explicou à imprensa que a publicação da palavra "desumano" foi um "erro involuntário".

"Eu retirei a palavra na versão relida, mas infelizmente a equipe técnica enviou para a gráfica a versão não relida" do artigo, disse ele, citado pela agência Isna, afirmando que "esse tipo de erro pode acontecer, considerando o lançamento recente do jornal e a falta de meios técnicos".

Ele denunciou "os que querem usar esse incidente (...) para descartar um concorrente".

Um membro de um centro de reflexão religioso, Mohammadreza Bagherzadeh, atribuiu ao governo do presidente moderado Hassan Rohani a responsabilidade desse "ataque" à lei islâmica.

"Esse tipo de comentário e de observação feitos pelos que não acreditam no ensino religioso é causado pela atmosfera cultural do novo governo", denunciou o religioso à agência Fars.

Eleito em junho de 2013, o presidente Rohani disse desejar mais liberdade para os assuntos culturas e sociais no país.

Outro jornal reformador, o "Bahar" ("primavera", em português) foi fechado em outubro pelo mesmo motivo.

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