Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 21h11

Por France Press

Dois atentados suicidas com carros-bomba atingiram nesta quarta-feira (19) um centro cultural iraniano em Beirute, matando seis pessoas, em um novo ataque na capital libanesa vinculado ao conflito na vizinha Síria.

O ataque foi reivindicado rapidamente pelas Brigadas Abdullah Azzam, um grupo jihadista inspirado na Al-Qaeda que já se responsabilizou por um ataque contra a embaixada do Irã em Beirute que matou 25 pessoas em novembro do ano passado.

"Nossos irmãos das Brigadas Abdallah Azzam (...) reivindicam o duplo atentado suicida contra o centro cultural iraniano em Beirute", afirma um comunicado.

No comunicado, as Brigadas ameaçam prosseguir com os ataques "contra o Irã e seu partido no Líbano", em referência ao Hezbollah, até que suas demandas sejam cumpridas, entre elas a de que "o Partido do Irã retire suas forças da Síria"

Jihadistas têm realizado uma série de ataques no Líbano visando tanto o Irã quanto o poderoso movimento xiita Hezbollah, que fornecem apoio vital ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, enquanto ele enfrenta uma rebelião sunita.

O Ministério da Saúde declarou que seis pessoas foram mortas e 129 ficaram feridas, com o exército informando que um dos carros estava carregado com 90 kg de explosivos e o outro com 75 kg.

As explosões, no distrito de Bir Hassan, ao sul da capital, produziram uma grande nuvem de fumaça sobre a região e provocaram danos generalizados.

Equipes de emergência retiravam os feridos da rua, repleta de escombros, enquanto moradores locais com extintores de incêndio ajudavam os bombeiros a apagar as chamas.

Os braços de um homem ferido pendiam nas laterais de uma maca amarela enquanto ele era retirado do local dos atentados.

"Eu estava dirigindo meu carro com a minha esposa para a universidade quando fomos atingidos pela força da explosão e encontrei pedaços de carne humana no meu rosto", declarou Yousef al-Tawil, professor da Universidade do Líbano, à AFP.

Dezenas de crianças de um orfanato próximo testemunharam a explosão, que deixou algumas delas feridas por estilhaços. Desorientadas em meio ao caos, muitas choravam.

O governo do Irã condenou o ataque, que chamou de "ato terrorista com o objetivo alterar a estabilidade, a segurança e a unidade do Líbano".

Já o exército libanês confirmou que o ataque foi um duplo atentado suicida.

Às 9h30 (4h30 de Brasília), um automóvel BMW dirigido por um homem-bomba avançou contra um posto de controle perto do centro cultural. Quase simultaneamente, um Mercedes também dirigido por um jihadista explodiu a 50 metros de distância.

O Líbano, profundamente dividido pelo conflito na Síria, foi afetado nos últimos meses por uma série de atentados, muitos deles contra redutos do Hezbollah.

Este movimento reconheceu no ano passado que enviou combatentes à Síria para apoiar as tropas do presidente Bashar al-Asad contra uma revolta majoritariamente sunita, iniciada em março de 2011.

O Hezbollah afirma que seu envolvimento na Síria é necessário para proteger o Líbano dos extremistas sunitas. Os críticos do movimento xiita lamentam o envolvimento do Líbano no conflito sangrento do país vizinho.

Os ataques desta quarta-feira aconteceram poucos dias depois de o primeiro-ministro libanês, Tammam Salam, formar um novo governo de compromisso que reúne pela primeira vez em três anos o movimento Hezbollah e a coalizão liderada pelo ex-primeiro-ministro Saad Hariri.

O anúncio do novo governo acabou com uma crise de quase um ano, exacerbada pelo conflito sírio.

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