Publicado 18 de Fevereiro de 2014 - 20h17

Por Agência Brasil

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos durante discurso

France Press

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos durante discurso

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou nesta terça-feira (18) a saída do general Leonardo Barrero do comando das Forças Militares do país. Ele e quatro generais do Alto Comando foram afastados pelo governo. A saída dos generais ocorre dois dias depois da revelação de um escândalo de corrupção no Exército colombiano.

Santos, no entanto, disse que o afastamento de Barrero não tem relação com as denúncias de corrupção, mas que o motivo foi a reação “negativa” e "grosseira" do general quanto às investigações que o Ministério Público estava fazendo sobre o caso dos falsos positivos (execuções extrajudiciais feitas por militares no país).

“Considero oportuna e necessária esta troca da cúpula militar, ressaltando que o comandante-geral das Forças Militares [Barrero] não sai por nenhum ato de corrupção, senão por umas expressões desrespeitosas que ele usou ao se referir ao Poder Judiciário”, explicou Santos.

O presidente voltou a defender que seja feita uma investigação “a fundo” sobre as denúncias para que a raiz dos problemas de corrupção sejam cortadas “pela raiz”.

A reportagem da revista colombiana Semana, veiculada nesse domingo, mostra áudios com conversas de generais e militares que apontam para um suposto esquema de contratos fraudulentos entre 2012 e 2013 e também sobre conversas sobre as investigações judiciais sobre os escândalos dos falsos positivos.

Em gravação entre Barrero e um coronel, o ex-comandante foi grosseiro ao falar da atuação dos promotores que investigavam os casos dos falsos positivos. “Façam uma máfia para denunciar os promotores e todas essa palhaçada [investigação dos falsos positivos]”, revelou a reportagem.

Agora os áudios estão em poder do Ministério Público para investigação. A revelação das conversas causou comoção na opinião pública, pelo referência de Barrero às execuções extrajudiciais, caso sensível à opinião publica. O afastamento foi uma resposta “rápida” do governo Santos, em pleno período eleitoral. O país terá eleições presidenciais em maio.

Além de Barrero, foram afastados o major-general Manuel Guzmán, segundo comandante do Exército; o general Fabrício Cabrera, chefe de Aviação do Exército; brigadeiro general Jaime Reyes e o general Javier Rey, chefe de Operações do Comando-Geral.

A partir de agora o comandante do Exército, Juan Pablo Rodríguez, assume o Comando-Geral das Forças Militares, no lugar de Barrero.

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