Publicado 13 de Fevereiro de 2014 - 10h17

Por France Press

Fãs de Seymour Hoffman depositam flores, fotos e velas em frente ao apartamento do ator, em Nova York

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Fãs de Seymour Hoffman depositam flores, fotos e velas em frente ao apartamento do ator, em Nova York

A heroína, que teve efeitos desastrosos em Nova York nas décadas de 70 e 80, e ajudou a difundir a Aids, voltou ao primeiro plano com a trágica morte do ator Philip Seymour Hoffman, por uma suposta overdose. O corpo do ator foi achado no último domingo, em seu apartamento em Manhattan, com uma seringa no braço, e vários envelopes que supostamente continham a droga, também conhecida como “cavalo”, que gera um grande grau de dependência, segundo fontes da polícia.

A necropsia do ator norte-americano Philip Seymour Hoffman não permitiu chegar a resultados conclusivos, e outras análises serão necessárias, informou o instituto médico legal de Nova York, na última quarta-feira. Uma porta-voz explicou que a necropsia foi concluída, mas que outros testes seriam necessários para determinar com precisão as causas da morte do ator, de 46 anos, encontrado sem vida dentro de seu apartamento, em Nova York, aparentemente vítima de uma overdose de heroína. Numa busca mais minuciosa feita depois, foram encontradas 50 doses da mesma substância, seringas e comprimidos.

Os novos resultados podem demorar vários dias até ficarem prontos, e a polícia não informou uma data precisa.

Segundo a polícia, a heroína encontrada na casa de Hoffman não continha fentanilo, uma potente substância aditiva associada à morte de 22 pessoas recentemente no Estado americano da Pensilvânia.

Em Nova York, a “Cidade do Pecado”, as drogas estão por toda a parte. O consumo deste pó branco semissintético, derivado da morfina e produzido a partir do ópio extraído da papoula, expandiu-se na década de 70, quando a cidade registrava 650 mortes por ano ligadas à droga. Nos anos 80, haviam aproximadamente 200 mil dependentes de heroína na cidade, e 50 mil nos EUA. Devido ao uso compartilhado de seringas, os usuários foram particularmente vulneráveis à epidemia de Aids, que também atingiu NY na mesma década.

O crescente consumo da cocaína, a partir da década de 80 e o uso relativamente raro da heroína deixaram-na em segundo plano nos anos seguintes. No entanto, há algum tempo as autoridades e a imprensa têm alertado paraa retomada do consumo.

Um relatório da Administração para Controle de Drogas (DEA) do ano passado informou que “a disponibilidade da heroína continuou aumentando em 2012” nos EUA, devido à uma maior produção no México e à uma expansão da atividade dos traficantes nesse país vizinho. O mesmo estudo acrescenta que é possível observar um crescimento no uso da droga em pessoas cada vez mais jovens, e que o número de usuários “passou de 142 mil em 2010 para 178 mil em 2011”.

A apreensão também cresceu. A mais recente, na semana retrasada, levou à incineração de 13 quilos de heroína, com valor de US$ 8 milhões, no Bronx. Os envelopes usados na distribuição da droga tinham escritos nomes como “NFL” (Liga Nacional de Futebol), “iPhone” e “Paralisação do governo”, uma prática comum no submundo da heroína.

Nos envelopes achados na casa de Hoffman, haviam alguns com os nomes “Ás de Espadas” e “Ás de Corações”, segundo a polícia, que procura a pessoa que forneceu as drogas ao ator. Essa informação é importante porque permite conhecer a origem da droga, que muitas vezes é misturada com outras substâncias, em um coquetel que pode ser mortal.

Os nova-iorquinos que têm entre 45 e 54 anos, a mesma faixa etária de Hoffman, registram a taxa mais alta de mortes por heroína. Ironicamente, o ator interpretou em 2007 um dependente de heroína que mata seu traficante, no filme Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, do diretor Sidney Lumet.

Segundo o Instituto Nacional de Abuso de Drogas, mais de 4 milhões de americanos experimentaram a heroína ao menos uma vez na vida. Estima-se que 23% das pessoas que consomem heroína se tornam dependentes. A ONG Drug Alliance Policy informa que, das 115 mil pessoas nos EUA que recebem metadona (uma droga que alivia o uso da droga), 40 mil vivem na “Big Apple” (Grande Maçã).

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