Publicado 02 de Março de 2014 - 5h00

A violência é um mal a ser combatido sob todas as formas possíveis, aumentando a responsabilidade do Estado sempre que a sociedade acaba refém do crime e a paz social fica ameaçada. O Brasil vive séria crise institucional e a Segurança, entre tantos setores essenciais, está em frangalhos, com o desaparelhamento das polícias, um sistema penitenciário muito aquém da real necessidade, um Judiciário que não responde prontamente contra a impunidade, tudo levando a crer que os criminosos levam alguma vantagem.

O desbaratamento de um plano de resgate de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, da Penitenciária de Presidente Bernardes mostra a dicotomia entre o discurso de isolamento dos principais líderes do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC) e a realidade da vulnerabilidade do sistema penitenciário, que não consegue sequer impedir a entrada de aparelhos celulares ou interceptar as comunicações. O ousado plano incluía o uso de helicópteros para levar o que seria uma “tropa de choque” do PCC que daria apoio a outra nave que faria o resgate. O vazamento da informação impediu que a política paulista ficasse à espreita para surpreender os invasores e até abater os helicópteros. Agora, o Estado tenta o isolamento total dos líderes da facção (Correio Popular, 28/2, A17).

Ainda que frustrado, o ataque revela a que ponto chegou a arrogância e o sentimento de poder dos bandidos. Não parece haver limites para as ações planejadas e tampouco qualquer resquício de temor pela ação policial. Mesmo o senso de justiça está totalmente comprometido: recentes declarações dos líderes do PCC dão conta de que eles se julgam responsáveis pelo controle da violência fora das grades e atribuem ao grupo a redução dos homicídios.

Embora o discurso recorrente seja pelo controle da situação, é importante admitir que existe um longo caminho a ser percorrido para que efetivamente não haja qualquer prerrogativa exarada por criminosos, especialmente de seus líderes encarcerados e sob a tutela do Estado. Mesmo considerada a possibilidade de um ato político a divulgação da tentativa de fuga, ainda é inadmissível que a desfaçatez do crime organizado chegue ao ponto de tentar obter helicópteros para intentar uma fuga ao estilo de filmes de ação. É desfazer da seriedade da situação e propor um desafio aberto e violento contra o Estado. Resta saber até que ponto a arrogância tem razão de ser.