Publicado 23 de Fevereiro de 2014 - 5h00

O Brasil é um país atolado pela alta carga tributária que penaliza o setor produtivo, gera estagnações onde deveria correr o fluxo do desenvolvimento, agrava as injustiças sociais e premia os governos incompetentes que desperdiçam receita em projetos inconsistentes, decisões temerárias e desvios criminosos. Há tempos que se pleiteia uma reforma tributária, que não passa pela desoneração dos setores economicamente ativos, mas que busca uma forma de premiar a produção e empregos, tirando a gestão perdulária do Estado em setores dispensáveis.

Nesta semana, o ministro Guido Mantega acenou com a possibilidade de arrochar ainda mais a carga tributária, aumentando os impostos para atingir a meta fiscal deste ano. Para analistas estrangeiros, ele antecipou que não descarta a medida como forma de equilibrar o orçamento, classificando como um “sacrifício suplementar”. Um dos motivos que levaria ao desajuste orçamentário estaria nos gastos adicionais com o setor energético em 2014. A política atual prevê que o governo arcará com parte dos gastos através de aporte da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

A perspectiva para este ano é temerária. O governo tenta equilibrar seu orçamento em frangalhos por conta da gestão perdulária e mal direcionada, queimando recursos em programas e metas de governo, maquiando resultados que todos sabem que desaguam na alta de inflação, no crescimento acanhado e no entrave da falta de investimentos em infraestrutura, o maior gargalo para o desenvolvimento do País. Ter os impostos como suporte para as desventuras e rastros de incompetência é uma saída cômoda, porém impopular. É assinar um atestado de improbidade e de falta de rumos sérios para uma economia que deveria estar fortalecida depois de tantos anos de oportunidades, que foram desperdiçadas e que bafejaram os ventos da fortuna para outros países emergentes que souberam aproveitar a chance e se firmaram como economias promissoras.

O Brasil tem um enorme território, recursos naturais infindáveis, força descomunal em commodities, potencial na indústria de transformação, excelência em serviços e capacidade ímpar de enfrentar desafios. Para este governo, parece mais viável acomodar-se no arrocho tributário que fomentar a capacidade de crescimento. Por estes atalhos, leva a nação à encruzilhada da eterna dependência de fatores externos que propiciem novas e renovadas oportunidades. Se desperdiçadas, podem significar o fim da jornada.