Publicado 28 de Fevereiro de 2014 - 20h51

Por Sheila Vieira

Shirley e Cristiano se conhecem no chat destinados a deficientes visuais

Dominique Torquato/AAN

Shirley e Cristiano se conhecem no chat destinados a deficientes visuais

Um casamento mobilizou pessoas para ajudar os noivos a conseguir doações para os preparativos do enlace, que acontece hoje às 17h30, na Paróquia Conceição da Nova Aparecida. Os noivos Shirley Grazielly Pereira Fernandes, de 33 anos, e Cristiano Andrade de Paula Chagas, de 26 anos, ambos deficientes visuais, são de famílias simples e estão sem ocupação profissional, para se casarem como mada o figurino, contaram com o apoio de amigos, parentes e o apelo no programa de rádio do Luiz Lauro, para obter desde o terno do noivo, dia da noiva, convites, transporte e até a hospedagem para a lua de mel em um hotel da região.

 

 

 

O casal, que mora junto há dois anos em alguns cômodos construídos nos fundos da casa do pai de Shirley com material doado, com a ajuda da família comprou a aliança em dez parcelas, o vestido longo em um bazar e o bolo de 20 quilos para cerca de 200 convidados. Os demais preparativos para o casamento foram doados por pessoas comovidas com a história dos noivos.

 

Dia da noiva

 

Andreia Aparecida de Lima Alves de Souza, sócia-proprietária do Nil Company Cabeleireiros, no Jardim Campos, foi convencida pela irmã, que ouviu o apelo pela rádio, a ajudar Shirley e Cristiano e doou um pacote de embelezamento para a noiva no valor de R$ 480,00. "A história do casal tocou meu coração. Deus dá tanto para a gente que não custa ajudar quem precisa", diz a cabeleireira. Outra cortesia foi um final de semana no Holambra Garden Hotel doado pela proprietária do estabelecimento.

A história do casal começou exatamente há dois anos, no dia 28 de fevereiro, em um chat direcionado para deficientes visuais. "Eu nunca tinha entrado em bate-papo na internet. No primeiro acesso encontrei a Shirley e, de cara, soube que iria me casar com ela", comemora Chagas. Solto no mundo, sem namoros sérios, o ex-integrante de um grupo de pagode não imaginava que encontraria o amor de sua vida em uma sala de bate-papo.

 

Saiu da criminalidade

 

O namoro e sua vinda para Campinas o tirou da influência de más companhias e da criminalidade na região onde vivia com a família em Curitiba (PR). O noivo recorda que chegou a ouvir uma pessoa ser executada bem do seu lado. Encantado com a voz charmosa e a simpatia da campineira, em menos de dois meses de namoro por telefone - muitas vezes o casal não desligava o aparelho e no dia seguinte continuava o papo com a chamada ainda ativa, o rapaz deixou Curitiba (PR) e viajou 480 km de ônibus, trazendo os pertences para iniciar uma nova vida em Campinas.

 

"Disse para ele (Cristiano) que era coisa séria e se quisesse ficar comigo teria de vir para ficar", intimou Shirley. A família do noivo não apoia a união e nenhum membro vai participar da celebração. O pai da noiva, Pedro Carvalho Lima, conta que a filha já enfrentou muitas situações difíceis e dolorosas e acredita no sucesso dessa união.

 

Alma gêmea

 

A noiva, que já sofreu algumas desilusões amorosas e há dois anos acessava esporadicamente salas de bate-papo sem encontrar pretendentes que valessem a pena, está convicta de que Chagas é sua alma gêmea. "Ele me realiza em todos os sentidos. É companheiro, amigo e inspirador. A gente se completa", resume.

 

Segundo ela iniciar uma vida há dois é um desafio, independentemente de ter ou não uma deficiência porque, no fundo, de algum modo todos dependemos de outra pessoa.  Shirley fez questão de agendar o casamento durante a celebração de uma missa, comandada pelo padre Manoel Messias Pereira Martins, ocasião em que o noivo irá comungar pela primeira vez. Depois do enlace, a próxima providência do casal será um bebê.

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Sheila Vieira