Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 21h05

Por Sheila Vieira

Operários concretam o piso em torno da passarela do Viaduto Miguel Vicente Cury

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Operários concretam o piso em torno da passarela do Viaduto Miguel Vicente Cury

A revitalização no entorno do Viaduto Miguel Vicente Cury, iniciada em setembro passado com valor estimado de R$ 700 mil e que reúne oito secretarias, atinge 80% de execução e já muda o cenário da região embaixo do elevado apelidada de Ceasinha que mantém 25 permissionários em 52 espaços e abrange 3,5 mil m2. O comércio no local foi criado em 1988 e a área nunca passou por reformas. Esta semana representantes da Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) se reuniram com os comerciantes do local para dar conta do andamento da obra.

 

O presidente da Associação de Comerciantes Varejistas da Ceasa Campinas, Sérgio Marcos Cucculi, disse que foi comentado na reunião que as obras estarão prontas no dia 20 de março. Comerciante no local há 20 anos, ele defende que toda obra é demorada e que, em vista de como era, a área está ficando ótima. A Ceasa promove encontros semanais com os permissionários e visitas diárias à obra.

 

Obra

 

Betoneiras estão sendo utilizadas para a concretar o acesso às passarelas, que deverá estar pronto na próxima semana. Cerca de 100 toneladas de concreto já foram usadas nas obras do viaduto. Postes com telas que irão impedir o uso da parte embaixo da passarela por moradores de rua e usuários de crack já estão sendo instalados.

 

O perímetro da Ceasinha e entorno do Viaduto serão cercados. Por enquanto, 280 metros lineares de tela já foram instalados, faltando 20 metros para finalizar o entorno, com colocação prevista para a próxima semana. Na reta final da obra, 120 pessoas estão trabalhando no local. Os banheiros públicos estão prontos mas ainda não podem ser usados pelos frequentadores. O mesmo ocorre com a nova iluminação, por enquanto sem energia.

Comerciantes

 

Com previsão de conclusão para o primeiro semestre, a obra é considerada lenta por parte dos comerciantes e frequentadores do local. Ações da primeira fase das obras — com término previsto inicialmente para dezembro —, como sanitários, por exemplo, estão prontas, mas ainda não inauguradas.

 

O gerente de varejo da Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa), Elton Tamileiro, diz que a revitalização está dentro do cronograma e lista melhorias: as novas salas onde vão funcionar os escritórios da Setec; Ceasa e da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social; uma sala para um permissionário, que precisou ser realocada pela reforma; construção dos banheiros públicos que não existiam; retirada do piso da área e pavimentação com asfalto na área do comércio local; reparo das rampas, pintura nas bases e teto embaixo do Viaduto Cury; instalação de um coletor hidráulico para lixo orgânico, nova rede coletora de água; rede coletora de efluentes; ligações de esgoto nos pontos comercias, além da padronização do lay-out das bancas e reforço na segurança como etapas concluídas.

 

O local vai ganhar a instalação da TV Ceasa e som ambiente. Falta, ainda, pavimentar a área do estacionamento, que terá capacidade para 70 veículos de frequentadores do local. Os comerciantes não terão vagas no local.

 

Não funciona 

 

O comerciante Anderson de Oliveira, da Vino Frangos e Laticínios, notou que a rede da nova iluminação foi instalada há quase um mês e ainda não está funcionando. Ele trabalha no local há nove anos e percebe que o funcionamento das lixeiras subterrâneas já diminui o número de pessoas que reviravam o lixo do mercado. “No final do dia costumo despejar cerca de 10 quilos de material orgânico e reciclável nas novas lixeiras”, conta. Um caminhão adaptado do Departamento de Limpeza Urbana (DLU) retira diariamente 1,5 tonelada de lixo orgânico da Ceasinha.

 

De acordo com Tamileiro, o pedido de ligação de energia já foi feito à CPFL, serviço que deve ser feito nos próximos dias. O funcionamento dos banheiros públicos depende da instalação de baias de separação dos sanitários, e do final da licitação para a compra de uma catraca que será instalada na entrada da área dos sanitários.

 

Policiamento

Acostumada a transitar pelo local a pé, pelo menos três vezes por semana, Virginia Vieira, moradora do Jardim dos Oliveiras, considera o local como um “chamariz para desocupados” e defende que a necessidade constante de policiamento. Apesar das melhorias, para ela o local ainda está precário principalmente no quesito segurança.

 

Após 18 anos de promessas sem nenhuma realização, a comerciante Cleusa Lisboa está contente com o novo visual do local e se sente mais segura com a presença da Guarda Municipal. Contudo, anos de degradação e violência afugentaram boa parte da clientela que costuma ir a pé da Vila Industrial para fazer compras na Ceasinha. “Para mudar a imagem negativa e o medo das pessoas será necessário algum tempo”, acredita a comerciante. 

Escrito por:

Sheila Vieira