Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 20h53

Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo

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Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo

A Polícia Civil de Campinas confirmou nesta sexta-feira (21) que foi pedida a prisão preventiva de cinco policiais militares acusados pela morte do adolescente Joab Gama das Neves, de 17 anos. Eles continuam presos temporariamente (até 1º de março) no presídio militar Romão Gomes, na Capital, e foram denunciados à Justiça por homicídio doloso. Se condenados, podem pegar até 30 anos de cadeia.

 

O delegado do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Campinas (SHPP), Rui Pegolo, informou que o sexto PM indiciado pelo mesmo crime está em liberdade porque contribuiu com as investigações — ele, porém, foi denunciado pelo caso. A Polícia investiga ligação do crime com a série de mortes registrada na região do Ouro Verde entre os dias 12 e 13 de janeiro.

 

Inquérito encerrado

 

“A polícia finalizou o inquérito em relação ao Joab na quarta-feira, e decidiu por pedir a prisão de forma preventiva, até que ocorra o julgamento. Estamos, agora, aguardando uma posição da Justiça em relação a isso”, disse o delegado Seccional José Rolim Neto, sobre os trabalhos do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Campinas (SHPP).

 

Os investigadores ainda buscam provas que possam ligar a morte do adolescente aos outros crime cometidos naquele final de semana, mas estão encontrando dificuldades. “O projétil que foi retirado da cabeça do Joab estava muito deteriorado e, por isso, não há como ligar se ele pertence às mesmas armas que provocaram as outras 11 mortes. Aguardamos, agora, os laudos que estão em São Paulo (no Instituto de Criminalística) para ver. Por enquanto, não há novidades nesse sentido”, disse Pegolo.

 

Execução

 

Segundo ele, os policiais militares apreenderam quatro menores que estariam roubando motoristas no Distrito Industrial na noite do dia 12 de janeiro. Um conseguiu fugir e três foram levados para um terreno baldio. No local, os policiais teriam perguntado qual dos três iria morrer. Como não responderam, atiraram na cabeça de Joab, que chegou a ser levado com vida ao hospital, mas morreu três dias depois. Ele não informou qual foi a participação de cada militar no crime. Para o promotor que acompanha as investigações, Ricardo Silvares, os PMs agiram com “crueldade”.

Durante o curso das investigações, a sequência de mortes também foi modificada No início, acreditava-se que o jovem Sadrack Santana Galvão, de 25 anos, assassinado a tiros no Residencial Sirius Pirelli por volta das 20h30 do dia 12, era o primeiro da série de execuções. Mas o caso foi descartado. O assassino se apresentou à Polícia, mas está em liberdade porque não houve o flagrante. “O Sadrack, desde o começo, já vinha sendo investigado como um crime não ligado (à chacina), e isso se confirmou. Ele tinha fama de mexer com as mulheres do bairro, e a motivação provável foi essa”, confirmou Rolim.

 

Portanto, o adolescente Joab Gama das Neves, de 17 anos, poderá a ser a primeira vítima dos assassinatos em série. Na sequência, às 23h30, quatro jovens foram assassinados no Recanto do Sol 2. Dez minutos depois, Jailson Costa Silva, de 28 anos, foi executado a tiros no Parque Universitário. Pouco antes da meia-noite, mais cinco pessoas foram mortas no Vida Nova. Já na madrugada do dia 13, por volta de 1h40, Sérgio Donizete da Silva Júnior, de 18 anos, foi morto no bairro Vista Alegre.

 

Uma das hipóteses investigadas é de que os crimes tenha sido uma represália à morte de um PM, assassinado com um tiro na cabeça na manhã do dia 12 de janeiro, durante um assalto.