Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 20h01

Degradação do Parque Ecológico avança diante da falta de formalização de acordo entre Prefeitura e Estado

César Rodrigues/AAN

Degradação do Parque Ecológico avança diante da falta de formalização de acordo entre Prefeitura e Estado

 

 

A falta de uma definição, entre Município e Estado, sobre a gestão compartilhada do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim tem intensificado a deterioração de um dos maiores parques da cidade. Mato alto, pista de caminhada e quadra com pisos estragados, placas e lâmpadas quebradas compõem o cenário de degradação.

 

O casarão, onde eram desenvolvidas atividades culturais e educativas, está abandonado. As paredes estão mofadas, sujas e as janelas quebradas. O deck, onde antes eram realizadas aulas, agora está tomado pelo mato, com o piso arrebentado e a grade danificada.

 

Abandono

A falta de cuidado com a manutenção do local tem provocando, além da sensação de abandono, o afastamento das pessoas do parque. Tanto no período da manhã quanto no final da tarde e começo da noite são poucas as pessoas que procuram o local para a prática de exercícios ou caminhadas.

 

Segundo um levantamento feito pela Prefeitura, seriam necessários ao menos R$ 16 milhões para uma reforma mais ampla na área verde. No começo do mês passado um acordo entre o Executivo campineiro e o estadual ficou acertado que R$ 6 milhões deveriam ser empenhados para uma reforma básica no local.

Desse total, R$ 2,5 milhões seriam investidos pelo Município e R$ 3,5 milhões do Estado.

 

Formalização

 

O acerto foi feito entre o prefeito Jonas Donizette (PSB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O valor cedido pelo governo seria anual e pelos próximos três anos. Porém, o documento que formaliza a parceria ainda não ficou pronto.

Segundo a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o documento está sendo finalizado e será entregue em até 10 dias para a avaliação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA).

 

Um dos pontos mais importantes no texto é a formalização da parceria e o que cabe ao Estado e ao Município na manutenção da área verde. "A Prefeitura vai passar a cuidar do parque por meio das secretarias de Serviço Públicos e do Verde. Também teremos a participação de um representante da Secretaria estadual do Meio Ambiente", afirmou o secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes.

 

Ele adiantou que será formado também, por meio de um decreto, um conselho de gestão do parque. "Será formado por representantes de várias secretarias, além de pessoas que tem interesse pelo tema", disse. Ainda não se sabe o número de pessoas que o conselho terá.

 

Até abril

 

O secretário afirmou que a assinatura da gestão compartilhada deve acontecer entre março e abril. "Primeiro precisamos resolver todas as questões burocráticas para destravar qualquer tipo de ação. Mas quando iniciarmos as obras começaremos pelas áreas de convivência que estão bastante deterioras".

 

Menezes citou que a recuperação será iniciada pelos passeios públicos e iluminação. "Está previsto uma recuperação ambiental onde faremos o plantio de dezenas de mudas, além de reformas nos prédios, que estão bastantes deteriorados, e das áreas de lazer" .

 

Capivaras

 

O parque enfrenta ainda um problema que deverá ficar nas mãos da Vigilância Sanitária: a solução para o número grande de capivaras que vivem no local. De acordo com informações da Prefeitura, estima-se que no parque haja cerca de 100 animais, que são os principais hospedeiros do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. O papel da Vigilância será analisar qual o risco da permanência delas no parque e se há infecção ou indícios de contaminação da doença.

 

Gestão compartilhada

 

O consenso pela gestão compartilhada vem sendo discutido dentro da Prefeitura há meses. Assim que o Estado fez a concessão ao município, o prefeito Jonas Donizette afirmou várias vezes que não admitiria assumir o parque se tivesse de investir sozinho recursos para a recuperação, que há anos segue em estado de abandono e é pouco frequentado pela população. Desde então, tem reunido seus secretários para estipular o valor de quanto é necessário para manter o espaço aberto e movimentado.

 

O parque também abrigará o Teatro de Ópera Carlos Gomes, que deverá estimular ainda mais uso do parque. O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Carlos Bratke e doado à Administração pelo Swiss Park. A pedido da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto passou por alterações para atender as necessidades de um teatro de ópera. A construção custará cerca de R$ 80 milhões.

 

Outro lado

 

A secretaria Estadual de Meio Ambiente informou, por meio de nota, que as obras de manutenção das áreas verdes do parque são feitas constantemente. A manutenção é feita diariamente: aparando a grama, consertando os bebedouros, as cercas e os banheiros, fazendo a substituição de lixeiras, conservando as áreas verdes e fazendo monitoria ambiental. O campo de futebol foi recuperado.

 

Os vigilantes circulam por todo o parque e coíbem a maioria da depredação, que tinha um índice muito maior de incidência. E nega que a área verde esteja abandonada.