Publicado 21 de Fevereiro de 2014 - 19h10

Por Maria Teresa Costa

Apesar do aumento da liberação de água pelo Sistema Cantareira, nível do Rio Atibaia continua baixo em Campinas

Elcio Alves/AAN

Apesar do aumento da liberação de água pelo Sistema Cantareira, nível do Rio Atibaia continua baixo em Campinas

O aumento de vazão do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ, anunciado no sábado passado (15) pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), chegou na região, mas não alterou a exigência de atenção no abastecimento de Campinas. Segundo o consultor da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Paulo Tinel, o aumento de 1 m3/s amenizou a situação, mas o nível de atenção continua.

 

O motivo principal, disse, é que as cidades que estão antes de Campinas aumentaram o consumo da água do Rio Atibaia. Além disso, está havendo fuga de água do rio, que a empresa está investigando. Na madrugada passada, entre 1h e 4h, a vazão caiu de 11,75 m3/s a meia noite para 7,8 m3/s às 6h

 

Nova queda

 

Assim, a vazão do Atibaia variou nesta sexta-feira (21) de 6m3/s e 8 m3/s - há uma semana, quando a cidade estava prestes a entrar em racionamento, a vazão chegou a 3,4 m3/s. Na madrugada de quinta, a mesma queda de vazão havia sido verificada, o que levou a Sanasa a pedir para a CPFL Renováveis interromper a operação da hidrelétrica Salto Grande. A usina parou, mas nesta sexta houve nova queda abrupta na vazão.

 

A CPFL Renováveis informou que com as chuvas da semana passada, as duas PCHs Jaguari e Salto Grande foram autorizadas a retornar operação no inicio desta semana. Entretanto, desde quinta-feira essas PCHs foram novamente desligadas por ausência de chuva e consequente queda de vazão.A CPFL informou que as empresas geradoras de energia da região vêm recebendo orientações da Câmara Técnica do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para que seja garantida a operação adequada e segura das usinas, sem interferir nas captações existentes para abastecimento público.

 

Irrigação

Se a usina parou, disse o especialista em recursos hídricos, Aurélio Carmo, o mais provável é que a queda na vazão tenha sido provocada por irrigação. "É bem possível que isso tenha ocorrido, levando em consideração o horário em que a vazão baixou" , afirmou.

 

A preocupação da Sanasa é que o volume de água no rio vem baixando novamente e as perspectivas de chuvas não são boas. O boletim diário da Sala de Situação dos Comitês Piracicaba-Capivari-Jundiapi (PCJ) informa que a previsão de chuvas até terça-feira é de acumulados de 25 a 50 mm nas Bacias PCJ.

 

No final de semana, áreas de instabilidade aumentam a nebulosidade provocam chuvas fortes e persistentes no sul do estado e em cidades próximas da divisa com o Paraná. Nas demais áreas paulistas, como na região do PCJ, mesmo com maior quantidade de nuvens, a chuva só ocorre a partir da tarde, de forma rápida e isolada, mas com risco para tempestades e descargas elétricas.

 

Onde atingir

 

Para dar algum resultado, a chuva tem que atingir a região do Sul de Minas Gerais, onde se formam os rios que abastecem o Sistema Cantareira. Essa cabeceira está localizada nas cidades de Camanducaia, Extrema, Sapucaí-Mirim, Joanópolis e Nazaré Paulista.

 

A chuva do último final de semana e nem o aumento de vazão para o Rio Atibaia, de onde Campinas tira água para abastecer 95% da população, fizeram o rio voltar ao normal. Um sobrevoo feito no início da semana por técnicos da Sanasa, mostrou que o nível do rio ainda não está 100%, principalmente na região de Bom Jesus dos Perdões, quando o Rio Atibainha se junta com o Rio Cachoeirinha, formando o Atibaia. Vários pontos foram analisados, inclusive para uma possível área de represamento para a região de Campinas.

 

Os técnicos constataram ainda que o Atibaia tem uma grande redução de suas margens, com falta de mata ciliar, mostrando a preocupação com o meio ambiente, conforme o diretor de operações, Marco Antônio dos Santos.

"Temos algumas áreas do Rio Atibaia que quase não existem mais matas ciliares, isso é um perigo para nosso manancial. Com este período de estiagem, o rio diminuiu muito sua vazão e sem estas matas ele fica muito vulnerável" , afirmou.

Rhodia

Depois de cerca de duas semanas paralisada por causa da baixa vazão do Rio Atibaia, a Rhodia retomou a produção em sua unidade de intermediários e poliamida, no conjunto industrial de Paulínia. Segundo a empresa, a água é utilizada em seus processos produtivos, principalmente em sistemas de refrigeração, sendo que a maior parte do total captado é devolvida para o rio, sem prejuízo para o abastecimento das comunidades.

Escrito por:

Maria Teresa Costa