Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 23h38

Por Inaê Miranda

O ouvidor das polícias do Estado de São Paulo, Júlio César Fernandes Neves, afirmou que gostaria que a apuração da chacina fosse mais rápida

Rodrigo Zanotto/Especial para AAN

O ouvidor das polícias do Estado de São Paulo, Júlio César Fernandes Neves, afirmou que gostaria que a apuração da chacina fosse mais rápida

O ouvidor das polícias do Estado de São Paulo, Júlio César Fernandes Neves, afirmou que gostaria que a apuração da chacina que deixou 12 pessoas mortas na madrugada do dia 13 de janeiro fosse mais rápida, mas ressaltou que a apuração precisa ser minuciosa.

Ele esteve em Campinas na noite desta quinta-feira (20) para participar de uma audiência pública organizada pelo Conselho Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de Campinas, no bairro Vida Nova, onde cinco das vítimas foram mortas. O Conselho de Direitos Humanos pretende produzir um relatório e encaminhar à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP).

Neves disse que está acompanhando o caso de perto e pediu paciência à população. "Gostaria que as investigações fossem mais rápidas, mas não podemos exigir uma antecipação e ser precipitados para que haja um relatório de forma obscura e inconcluso.

Ele tem que ser claro, objetivo e com reais indícios da participação seja de quem for" , afirmou. Sobre a prisão dos policiais, ele afirmou que não teve acesso aos detalhes da prisão. "Para que haja qualquer prisão temporária, os indícios têm que ser fortíssimas senão a prisão não é decretada. Se foi decretada a prisão dos policiais, com certeza existe o argumento e uma motivação para isso. E quando existe uma barbárie dessa, arranha a imagem de qualquer corporação" , acrescentou.

Familiares e amigos das vítimas estiveram presentes na audiência e cobraram justiça. "Nós viemos para cobrar que a justiça seja feita e que os crimes não fiquem impunes. A gente não pode se calar" , afirmou Sandra Freitas, amiga da família de Diego Dias Coelho, de 24 anos. A mãe do jovem também esteve presente, mas disse que está desmotivada. "O que eu quero é que os culpados paguem pela morte do meu filho. Vim aqui ver se tinha alguma resposta, mas por enquanto não tem nada. E não tenho esperança de que vai mudar nada. Estou sem fé. Só acredito em Deus", afirmou.

O Defensor Público Bruno Martinelli Scrignoli também participou da audiência e se colocou à disposição das famílias para entrar com ação de indenização. "As famílias podem procurar a Defensoria Pública e estamos à disposição para ingressar com ação de indenização em favor dos familiares. Entendemos que quando um filho é tirado de uma mãe é um projeto de vida que está sendo tirado de uma família", afirmou.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos, Paulo Mariante, a audiência tem como objetivo não deixar que os crimes fiquem impunes. "A intenção do conselho é ouvir a população e a partir do que foi discutido aqui hoje vamos fazer um relatório e encaminhar na próxima semana, o mais rápido possível, um relatório dessa audiência à Secretaria de Segurança Pública do Estado, cobrando a apuração dos fatos e para que os responsáveis sejam punidos" . Segundo Mariante, o no relatório deverão ter sugestões também como a implantação da polícia comunitária que esteja mais próxima da população.

Caso Jonathan

Familiares, amigos e vizinhos do operário Jonathan Ronei dos Santos, de 22 anos, preso na última terça-feira pela Polícia Militar sob a acusação de participar de uma tentativa de roubo na casa de um policial também estiveram presentes na audiência pública para cobrar justiça. Eles afirmam que o rapaz não teve participação no crime e que têm como provar.

"Viemos para fazer um apelo ao ouvidor, para que ele leia o Boletim de Ocorrência e o processo do meu filho, que não é bandido, é trabalhador. No momento que o policial diz que foi assaltado, ele estava em casa jantando e pouco depois foi para a casa da namorada. O próprio autor do delito também disse que não conhece meu filho. Ele estava no lugar errado, na hora errada" , afirmou a mãe Joana D'Arc Aparecida dos Santos. Na última quarta-feira, eles fecharam a Rodovia Santos Dumont em protesto. Uma nova manifestação estava sendo organizada para hoje, mas foi cancelada. A Defensoria Pública se colocou à disposição da família e o ouvidor das polícias disse que ia acompanhar o caso e apurar se houve alguma conduta inadequada do policial.

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Inaê Miranda