Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 20h14

Por Adriana Leite

Em greve, trabalhadores dos Correios são contra implantação de um novo modelo de plano de saúde

Cedoc/RAC

Em greve, trabalhadores dos Correios são contra implantação de um novo modelo de plano de saúde

A greve dos Correios prejudica a vida das empresas e dos consumidores. Enquanto persiste o impasse entre os trabalhadores e a empresa estatal, a entrega de pelo menos 1 milhão de correspondências em Campinas está atrasada. Se o problema for estendido para a Região Metropolitana de Campinas (RMC), a quantidade sobe para 7 milhões.

 

Contas, encomendas, amostras e documentos esperam para serem encaminhados aos remetentes. Empresários buscam saídas para encaminhar as mercadorias e a solução pode encarecer o custo do frete. As empresas também tentam meios para garantir o pagamento das contas aos credores. Sem os boletos, o caminho é pedir aos fornecedores que enviem os documentos fiscais pelo e-mail ou o jeito é buscar uma segunda via.

 

Para os empresários, isso significa mais gastos e também tempo. Os consumidores devem tomar as mesmas atitudes. É necessário ir atrás de uma nova via ou pedir ao credor o envio das contas por e-mail e no boleto. A greve não pode ser usada como justificativa para quitar o débito com atraso.

 

Um mês

 

A greve dos funcionários dos Correios já dura quase um mês e a maioria dos trabalhadores que está com os braços cruzados atua na triagem das correspondências. O setor é vital para dar celeridade ao fluxo de entrega dos documentos e encomendas. O Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares de Campinas e Região afirmou que a adesão dos trabalhadores é elevada e que a greve continua nos próximos dias. Uma reunião de conciliação está marcada para a segunda-feira no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

 

O diretor da entidade, José Ivaldo da Silva, comentou que o movimento está forte na região de Campinas, mesmo com os trabalhadores terceirizados sendo usados em atividades como a triagem. "Os terceirizados não têm experiência nesse setor e não têm a mesma agilidade dos trabalhadores concursados que estão em greve. Na última quarta-feira, havia pelo menos 1 milhão de correspondências com a entrega atrasada em Campinas. Na RMC, a quantidade chegava a 7 milhões, conforme constatamos nos centros de distribuição", disse.

 

 

Manifestação

 

Silva afirmou que na próxima segunda-feira, a categoria vai fazer uma manifestação no Centro de Campinas. Os trabalhadores dos Correios cruzaram os braços contra uma mudança da estatal no plano de saúde. Em nota, a empresa informou que "o levantamento de ontem mostrou que 92,8% dos empregados do Interior do Estado de São Paulo trabalharam normalmente. Na cidade de Campinas, 81% dos empregados trabalharam. Atrasos nas entregas podem ocorrer nos locais em que há paralisação deflagrada, já que o movimento está concentrado na área de distribuição" .

 

Conforme a estatal, "no Interior do Estado de São Paulo 11% dos carteiros não compareceram ontem. Todas as agências estão abertas e todos os serviços, inclusive o sedex, estão disponíveis - com exceção dos serviços de entrega com hora marcada em algumas localidades" . Na nota, a empresa ressaltou que haverá uma audiência de conciliação na próxima segunda-feira, em Brasília. A estatal reafirmou que "não haverá nenhuma alteração no atual plano de saúde dos trabalhadores, o CorreiosSaúde" .

 

Prejuízo

 

Apesar da estatal informar que a maior parcela dos trabalhadores está na ativa, consumidores e empresários reclamaram que não estão recebendo as correspondências. "Nenhuma conta, carta ou encomenda chegou na minha casa neste mês. Nós tivemos que solicitar a segunda via de todas as contas. Uma tremenda dor de cabeça", afirmou a auxiliar administrativo Cristina Franco.

 

O diretor da Hermitex, Lucas Kolokathis, afirmou que a empresa está com dificuldades para enviar os produtos aos clientes. "Nós trabalhamos com uniformes corporativos e muitas das nossas encomendas são enviadas por Sedex. O serviço não está operando. Temos que migrar as entregas para outros meios e acabamos encaminhando os produtos pelas transportadoras. Mas, em muitos casos, há uma elevação do frete", disse.

 

Recomendações

 

A diretora do Procon-Campinas, Lúcia Helena Magalhães, aconselhou os consumidores que se antecipem à data do pagamento das contas e peçam a segunda via aos credores. "A greve dos Correios não serve como justificativa para o pagamento atrasado das contas. Os consumidores devem checar se as empresas oferecem formas alternativas para o pagamento dos débitos", disse.

 

Ela afirmou que, se o consumidor procurar pela empresa e não houver alternativas para o pagamento, o credor não pode cobrar juros e multas.

QUADRO

Orientações aos consumidores:

Boletos e faturas

A paralisação nos serviços de entrega de correspondência não significa que as contas não deverão ser pagas ou que poderão ser postergadas no caso de atrasos no envio de boletos ou faturas. As empresas que enviam as cobranças por correspondência postal são obrigadas a oferecer e divulgar outra forma de pagamento ao consumidor (internet, depósito bancário, código de barras, entre outras). A recomendação é que o consumidor contate a empresa credora e combine a melhor forma de pagamento, antes do vencimento da fatura, para evitar a incidência de juros e multa por atraso.

Produtos entregues pelos Correios

 

As empresas que utilizam os serviços dos Correios na entrega de mercadorias são responsáveis por encontrar alternativas para que o produto adquirido pelo consumidor chegue ao seu destino no tempo combinado. No caso de produto não durável, especialmente com data de validade, é importante que o consumidor observe a data e não receba produtos com validade vencida.

Serviços contratados dos Correios

 

Só têm direito a pleitear ressarcimento os consumidores que contrataram os serviços dos Correios e eles não forem prestados na forma acordada, como por exemplo, o Sedex. Quem enfrentar esse problema e não tiver solução, deve procurar o Procon. Caso a questão envolva indenizações, é possível recorrer ao Poder Judiciário.

Escrito por:

Adriana Leite