Publicado 20 de Fevereiro de 2014 - 19h42

Por Maria Teresa Costa

Projeto prevê ciclovia ao longo do ramal da maria-fumaça

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Projeto prevê ciclovia ao longo do ramal da maria-fumaça

A implantação de uma ciclovia de cerca de 15 quilômetros ao longo do trajeto da maria-fumaçamaria-fumaça, entre Jaguariúna e Campinas, vai custar R$ 3 milhões. O projeto foi encaminhado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) ao Ministério do Turismo na tentativa de obter financiamento para a obra, cujo custo será partilhado entre as duas cidades.

 

A proposta de construção das ciclofaixas foi feita pelo prefeito de Jaguariúna, Tarcísio Chiavegato (PTB), que vê na implantação desse caminho para bicicletas, uma forma de incrementar o turismo e também facilitar o deslocamento de moradores entre as duas cidades. Jonas disse que o projeto prevê, também, a instalação de bicicletário para estacionamento e locação de bikes nas estações de parada da maria-fumaça - Jaguary, Carlos Gomes e Anhumas.

 

'Promissor'

 

"É um projeto promissor, temos um trajeto plano, e acredito que não teremos problemas com a obra, que é relativamente simples. Vamos precisar do financiamento", afirmou. O prefeito lembrou que a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) tem um plano municipal de ciclovias que prevê o incentivo ao uso de bicicletas como transporte e a construção de cerca de 100 quilômetros de via exclusivas.

 

O trajeto da maria-fumaça entre Campinas e Jaguariúna é parte do ramal da Companha Mogiana de Estrada de Ferro e que forma a atual Viação Férrea Campinas-Jaguariúna. A primeira estação é a Anhumas. Construída em 1926, foi a principal parada depois das estações Central e Guanabara. O prédio está conservado, mas foi alterado ao longo do tempo, mesmo porque ela não é a original da ferrovia.

 

 

 

Paradas

 

A primeira estação Anhumas ficava cerca de 200 metros da atual. Dali a maria-fumaça passa pela Pedro Américo, também inaugurada em 1926. Situada na Fazenda São José, sua principal função era o escoamento do café. Comparada as demais paradas, essa estação está em boas condições. No trajeto, a próxima parada é em Tanquinhos, a mais degrada das estações. Ali, os sócios da ABPF (Associação Brasileira de Preservação das Ferrovias) sonham em implantar o Museu do Telefone, mas o sonho vai ficando cada vez mais distante.

 

O telhado parece uma peneira por onde a chuva entra livremente. A caixa d´água está prestes a desabar e os banheiros precisam de reforma urgente. Era em Tanquinhos que os vagões que transportavam gado eram lavados. Localizada na Fazenda Santa Maria, ainda hoje é possível ver resquício da primeira estação que existiu antes da retificação do trecho da ferrovia.

 

Quando chega em Desembargador Furtado, a degradação continua. Na época do desmonte da ferrovia, essa estação foi a mais prejudicada: os arcos da plataforma, os pontilhões e as três linhas do pátio foram retiradas e apenas uma foi recuperada. A maria-fumaça segue para a Estação Carlos Gomes , uma das maiores do trecho. O pátio era equipado com 5 linhas, sendo 4 para o embarque da produção do café e uma plataforma de embarque de pedras e gado. De Carlos Gomes, a maria-fumaça chegará a última estação, em Jaguariúna, hoje um Centro Cultural bem conservado e que será restaurado em 2011.

 

Longe de uma solução

Enquanto a Prefeitura trabalho no projeto de construção da ciclovia, a extensão do trajeto da maria-fumaça da Estação Anhumas até a Praça Arautos da Paz está longe de ter uma solução. O prefeito Jonas Donizette (PSB) avalia que serão necessários R$ 6 milhões para concluir a obra, mas antes disso terá que regularizar a situação da jurídica da construção. Ele informou que vai aplicar penalidades aos responsáveis pela paralisação da obra.

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"A extensão foi decidida em um momento eleitoral, sem lastro financeiro e hoje estamos com uma situação complicada para regularizar juridicamente", disse. Com a construção interrompida desde 2011, por conta de erros no projeto, as obras já consumiram quase R$ 1 milhão, sem que um metro de trilho tivesse sido instalado.

 

Adequação

Vai ser preciso fazer adequação de terraplanagem e drenagem superficial de água pluvial. Um dos cálculos errados que paralisou as obras, segundo informou na época a Administração, foi a previsão de fundação de 9 metros de profundidade no local onde será construído um elevado por onde os trilhos irão passar. A profundidade necessária para a fundação seria de 18 metros devido ao tipo de terreno do local.

 

O projeto não previu, por exemplo, a construção de uma rotunda na Arautos da Paz, para a maria-fumaça fazer o retorno. Até o momento 17 pilares foram colocados, faltam sete. A empresa que foi contratada para fazer a obra acabou rompendo o contrato amigavelmente, porque, na época, a avaliação foi que os erros de projeto teriam que ser sanados para a obra continuar.

 

A extensão de 2,5 quilômetros estava previsto em R$ 3,37 milhões, com investimentos de R$ 1,5 milhão da Petrobras, R$ 1,5 milhão do Ministério do Turismo e R$ 370 mil da Prefeitura. Há ainda recursos para serem repassados para Campinas, mas dependerão de alterações no projeto.

Escrito por:

Maria Teresa Costa