Publicado 19 de Fevereiro de 2014 - 19h20

Capela de Nossa Senhora da Penha, na Ponte Preta, será restaurada por uma construtora

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Capela de Nossa Senhora da Penha, na Ponte Preta, será restaurada por uma construtora

Um capítulo importante da história de Campinas está virando pó. A capela construída em devoção a Nossa Senhora da Penha, ponto de encontro de fiéis católicos do bairro da Ponte Preta dos anos 1930, está abandonada. Este era o retrato do prédio descrito em matéria do jornal Correio Popular, em março de 2008, sobre o abandono da igrejinha.

 

Quase seis anos depois, o cenário continua o mesmo. O imóvel que é tombado foi ocupado por um casal, que mora há quatro anos no porão da capela. O Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) informou que o projeto de restauro está aprovado e deverá ser financiado por uma construtora.

 

Evitar invasão

 

No passado, recursos públicos foram investidos no imóvel. A Prefeitura reformou a capela em 1973. O espaço foi, por um tempo, centro de eventos comunitários, com bazares e distribuição de brinquedos a crianças carentes. Mas nos últimos, a degradação aumentou. Além da ferrugem e das paredes velhas, muitas vidraças foram quebradas.

 

Em 2008, uma senhora viva no porão da capela, sozinha. Atualmente, um casal de catadores de recicláveis e o filho de 17 anos dividem o pequeno espaço.

Angela Maria da Silva, de 46 anos, contou que cuida do local para que ele não seja invadido. "Eu varro, mantenho a frente limpa. Eu também pago a conta de luz que a gente gasta" , afirmou.

 

Quando o assunto é a obra de restauração da igrejinha, ela não segurou as lágrimas. "Todos os dias eu choro em pensar que um dia eu posso sair daqui. Eu quero ver essa igreja bonita de novo, com missas, mas não quero deixar esse lugar", desabafou.

 

Projeto

 

De acordo com Daisy Ribeiro, coordenadora do setor técnico do Condepacc, a capela tombada em 2001 já teve o projeto de restauro aprovado. Ela confirmou que a reforma será feita pela construtora ACS. A obra foi assumida como uma das contrapartidas pelo empreendimento. A incorporadora assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) onde se comprometeu em restaurar a igreja.

A construtora responsável pela reforma já revitalizou o prédio do antigo Hospital Santa Isabel.

 

Por meio da assessoria de imprensa, o diretor de engenharia da ACS, Allan Regazzini, informou que a empresa especializada encarregada pelo restauro já está contratada. A previsão é que os trabalhos iniciem em abril. Será feito reforço na fundação, restauração do piso, do forro e do telhado. A capela também irá ganhar nova pintura.

História

 

O pequeno imóvel também tem uma ligação marcante com a comunidade negra. O terreno, bem antes de surgirem os bairros operários, foi usado no século 19 para o sepultamento de um escravo açoitado até a morte. O rapaz pagou com a vida por ter se rebelado contra o seu senhor. O fato tornou o terreno ponto de romaria. A Igreja construiu ao lado da sepultura a primeira capela da região, batizada de Santa Cruz do Fundão.

 

A igrejinha original foi derrubada para a construção atual. A obra foi paga por um devoto de Nossa Senhora da Penha.  Ali sempre aconteceram terços e novenas. A devoção ao negro milagreiro fazia com que católicos acendessem velas no túmulo. Mas o movimento começou a cair na década de 1980, quando o grupo de rezadeiras se desfez.