Publicado 18 de Fevereiro de 2014 - 20h26

Rodovia Anhanguera é a mais violenta na região de Campinas, aponta levantamento da Polícia Rodoviária

Leandro Ferreira/AAN

Rodovia Anhanguera é a mais violenta na região de Campinas, aponta levantamento da Polícia Rodoviária

O número de mortes em acidentes cresceu 50% na Rodovia Anhanguera (SP-330) e fez com que a via se tornasse a mais violenta da região de Campinas. No ano passado foram 34 vítimas fatais, contra 22 em 2012. A estrada também foi a que registrou maior quantidade de acidentes entre as 13 vias que cortam o município. Ao todo ocorreram 1.899 - 362 casos a menos do que o registrado no período anterior.

 

O dado é de um levantamento da Polícia Militar Rodoviária (PMR), que apontou queda de 10% na total geral dos acidentes nessas estradas nos 12 meses de 2013 em relação a 2012  - 7.661 contra 8.518, respectivamente. Porém, revelou que as colisões passaram a ser mais violentas com um maior número de pessoas mortas. Nas 13 rodovias que cortam o município ocorreram no ano passado 147 mortes, dez a mais do em 2012.

 

Motociclistas

 

Atropelamentos e colisões envolvendo motociclistas, além do excesso de velocidade, são os maiores causadores das mortes nas estradas, segundo a PMR. Um estudo realizado em 2013 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), baseado em dados de 2010 divulgados pelo Ministério da Saúde, aponta que cerca de 90% dos acidentes em rodovias acontecem por falha humana. Muitos dos casos ocorrem por imprudências como excesso de velocidade ou motoristas embriagados.

 

A Rodovia Santos Dumont (SP-75) era a que mais matava até 2012. Naquele ano foram registradas 23 mortes. No ano passado o número subiu para 30. A via registrou 989 acidentes em 2013, 77 a menos do que no período anterior, ficando na terceira posição, atrás da Rodovia D. Pedro (SP-65), que somou 1.562 acidentes e 15 vítimas fatais.

 

Bandeirantes

 

Na quantidade de vítimas fatais, a Bandeirantes (SP-348) ficou na terceira posição entre as rodovias. A via registrou 23 mortes no ano passado. No período anterior foram 25. A via somou 845 acidentes em 2013.

De acordo com capitão e comandante da PMR na região, Hugo Maeda Yanase, os atropelamentos na região de Campinas ocorrem principalmente pela localização das rodovias que cortam diversos bairros populosos e também margeiam empresas e indústrias. Outro fator apontado é a imprudência e negligência dos motoristas. "Grande parte dos acidentes com vítimas é provocada por causa do excesso de velocidade. Veículo que não consegue reduzir e acaba colidindo com a traseira de outro parado, motorista que perde controle e atinge barranco ou defensa. E tem também o veículo que atravessa o canteiro central e colide com outro da pista oposta"  afirmou.

 

Marcante

 

O comandante citou como exemplo a morte de uma família de ciganos (sete pessoas) no ano passado na Bandeirantes. "Um Volkswagen Polo atravessou a pista e bateu de frente com um Volkswagen Jetta com oito pessoas. Apenas Jetta branco, onde estava a família, ficou totalmente destruído; parte frontal ficou irreconhecível  uma garota sobreviveu. Esse acidente foi marcante e estamos falando de atravessar um canteiro que é extenso. O carro estava em alta velocidade", disse.

Outro fator de extrema importância é devido a esses trechos serem muito urbanizados. "Principalmente nas SP-330 e SP-75, que passam por diversos bairros onde a população ignora a passarela e atravessa na pista", afirmou.

O comandante afirmou que do total das mortes na Anhanguera, 40% a 50% ocorreram por atropelamentos. "A pessoa acha que dá, mas se engana. Realmente é preciso ter um trabalho de conscientização e educação para essa realidade mudar", disse. Ele lembrou que quando ocorre o atropelamento na estrada existe 99% de chance da vítima vir a óbito.

 

Ações

 

O comandante ressaltou ainda que a Polícia Rodoviária tem intensificado as ações para reduzir os índices de acidentes. "Diariamente realizamos operações com uso de radar para fiscalizar a velocidade. Aos finais de semana, temos realizado operações, principalmente na região do Circuito das Águas, onde tem ocorrido uma série de encontros e eventos que atraem muitas pessoas nesse período por causa das férias", explica.

 

Ele ainda alertou que o limite de proximidade entre veículos pode ser medido facilmente. "O perigo está sob controle enquanto você consegue enxergar o pneu do carro da frente. Se está vendo o pneu, dá tempo para segurar se ocorrer uma freada brusca. Em tempo isso dá cerca de três segundos" .

 

Pedestres se arriscam

 

A reportagem esteve na semana passada na Rodovia Anhanguera próximo ao km 91. Lá, no começo do mês, moradores do entorno fizeram uma manifestação com bloqueio de pista pela morte do adolescente Jonathan William Navera da Silva, Pedestres se arriscam para atravessar a rodovia na altura do km 91, em Campinasde 17 anos, atropelado. Eles pediam mais segurança no local. O trecho liga os bairros Nova Europa e Parque Oziel, em Campinas, e é sinalizado para pedestres, que têm que correr para fazerem a travessia. Não existe passarela no ponto.

 

No começo da manhã e no final da tarde é fácil flagrar pedestres se arriscando entre os veículos que passam em alta velocidade pelo local. "Tem que ser rápido senão o carro passa por cima mesmo", afirmou o operário José Pedro Silva. Seu colega de trabalho Sebastião Tieres também acha a travessia perigosa. "Não temos passarela, o jeito e atravessar correndo", afirmou.

 

Para o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em trânsito Creso de Franco Peixoto é preciso analisar o volume diário dessas rodovias. "A Anhanguera, Bandeirantes e Santos Dumont são muito movimentadas e com isso a quantidade de acidentes e, consequente mortes, aumentam. Mas é preciso fazer um trabalho com motoristas e população do entorno das rodovias, além de implantar passarelas nos pontos necessários".

 

Pela Anhanguera, no trecho de Campinas, passam diariamente cerca de 70 mil veículos, pela Bandeirantes, 90 mil; e Santos Dumont, 90 mil. "Grande parte das mortes tem relação com motociclistas. Acredito que é preciso ter mais fiscalização nas rodovias. Só assim os motoristas irão controlar a velocidade e vão tomar mais cuidado" .

 

Concessionárias

 

A concessionária que administra o Sistema Anhanguera/Bandeirantes, a CCR AutoBan, afirmou, por meio de nota, que registrou diminuição no número de acidentes no sistema no período (queda de 9% nos acidentes e de 10% nas mortes). A empresa concorda que diminuiu os acidentes, mas o número de mortes aumentou no ano passado.

 

Afirma também que constantemente faz investimento em obras, para melhoria da estrutura viária e tem melhorado a tecnologia de atendimento. Além de intensificar a sinalização, tanto vertical como horizontal, e campanhas de segurança aos usuários, principalmente no que tange a travessia segura.

 

No ano de 2013, seis campanhas foram realizadas. O sistema Anhanguera-Bandeirantes conta com 53 passarelas de pedestres, das quais 31 foram executadas pela concessionária, sendo 10 localizadas em Campinas e 17 somando Campinas a Sumaré.

 

Fora do contrato

 

Quanto ao trecho do km 91, a CCR informou que o contrato de concessão não prevê a construção de passarela no referido local, e a região não apresenta o nível de circulação de pessoas exigido pelas regras que determinam a implantação deste equipamento.

 

A concessionária Rodovias das Colinas, que administra a SP-75, informou, também por meio de nota, que reconhece a importância da redução contínua do número de acidentes e, por isso, todas as rodovias de sua concessão possuem a estrutura e tecnologia necessária para prover segurança ao usuário por meio de sua sinalização vertical e horizontal, obras de melhoria e manutenção, câmeras de monitoramento e serviços disponíveis. Além disso promovem campanhas de conscientização e segurança rotineiramente.

 

A Rota das Bandeiras, que administra a Rodovia D. Pedro (SP-65), informou que em 2013 o número de mortes apresentou uma redução de 10,7% em relação a 2012. Foi o terceiro ano seguido em que os índices apontaram queda no número de vítimas fatais envolvidas em acidentes. A queda verificada no número de mortes também foi constatada na quantidade de acidentes.

 

Em 2013, o índice foi 5,8% menor do que em 2012. Neste quesito, o comparativo entre 2010 e 2013 aponta uma redução de 13,6%. A nota ainda afirma que foram investidos R$ 833,9 milhões em obras de conservação, manutenção e modernização do sistema viário, desde o início da concessão, em abril de 2009. Outra iniciativa, é o investimento em campanhas de conscientização, denominadas Parada Legal, destinadas a motoristas de carros, caminhões e motociclistas.

Vítimas fatais

Rodovia                           Total 2012/2013          Vítimas fatais 2012/2013

Anhanguera (SP-330)             2.261/1.899                               22/34

Stos. Dumont (SP-75)            1.066/989                                  23/30

Bandeirantes (SP- 348)             995/845                                  25/23

D. Pedro (SP-65)                   1.715/1.562                               16/15

Zeferino Vaz (SP- 332)              692/679                                 11/14

Jorn. Francisco Aguirre (SP-101) 636/549                                  15/13

Adhemar P. de Barros (SP-340)   533/574                                  10/9

José Roberto Mag. (SP-83)        157/160                                   6/3

Miguel Melhado (SP-324)           137/123                                   4/3

Constâncio Cintra (SP-360)       183/152                                    4/2

Lix da Cunha (SP-73)                66/67                                       1/0

Frasc. Von Zuben (SP-91)         71/54                                       0/1

Heitor Penteado (SP-81)            6/8                                          0/0