Publicado 17 de Fevereiro de 2014 - 7h41

Por Maria Teresa Costa

Trecho do Rio Atibaia próximo à Estação de Captação da Sanasa, na altura da Rodovia D. Pedro I, em Campinas

Élcio Alves/ AAN

Trecho do Rio Atibaia próximo à Estação de Captação da Sanasa, na altura da Rodovia D. Pedro I, em Campinas

As represas que serão construídas em Pedreira e Amparo para ampliar em 13,8m³/s o abastecimento de água na região de Campinas irão também produzir energia. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), os reservatórios terão pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos rios Camanducaia e Jaguari para a ampliação da oferta energética pelo Estado de São Paulo.

 

 

 

 

 As PCHs tem peso importante no Plano Paulista de Energia, que prevê ampliar, até 2020, de 56% para 69% a participação de fontes renováveis na matriz energética do Estado. Os reservatórios garantirão uma oferta de água quase três vezes maior do que os 5m³/s que as Bacias PCJ estão autorizadas a receber do Sistema Cantareira. O Estado, informou Alckmin, sábado, em Campinas, já liberou R$ 53 milhões para as desapropriações das áreas das futuras represas que entrarão em operação em 2018. O custo estimado dos empreendimentos é de R$ 500 milhões.

A previsão do governador é que a licitação para os projetos básico, executivo e o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) esteja concluída em abril. A empresa vencedora terá 14 meses para entregar os projetos, quando então será aberta a licitação para as obras. O custo dos projetos será financiado pela Replan e foi uma das exigências dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que, em 2010, deu aval às obras de modernização das unidades industriais da refinaria, autorizando a retirada de mais 503m³/h de água do Rio Jaguari.

A autorização de aumento de captação ficou vinculada a contrapartidas que a refinaria foi obrigada a fazer, e que somam cerca de R$ 6 milhões, nas bacias PCJ. A Replan tem outorga do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) para captação horária de 1,87 mil m3 e pediu ampliação para 2,4 mil m³.

A proposta do governo é que, com essas barragens, a vazão regularizada venha a atender vários usos de importância para toda a bacia, comoo abastecimento público, diluição de efluentes líquidos, irrigação, geração de energia e recreação.

As PCHs tem peso importante no Plano Paulista de Energia, que prevê ampliar, até 2020, de 56% para 69% a participação de fontes renováveis na matriz energética do Estado. O plano identificou que São Paulo tem um potencial de 3,7 mil megawatts (MW) de energia hidráulica remanescente a ser explorado.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje existem 27 empreendimentos no Estado desativados, com um potencial instalado de 30,7MW. Há 48 PCHs em funcionamento produzindo 205 mil kilowatts (kW), quatro em construção e seis em fase de outorga. Para efeito de comparação, o consumo de um ferro de passar roupa é de 1,5kW.

Na região de Campinas existem quatro PCHs: a Jaguari, em Pedreira, com capacidade instalada de 11,8 MW, a Salto Grande em Campinas com 4,6MW, a Americana com 30MW e a Macaco Branco, entre Pedreira e Campinas, com 2,3MW. A energia produzida por elas entram na no sistema nacional, que é interligado.

A barragem que será construída em áreas de Pedreira e Campinas, no Rio Jaguari, terá capacidade de 26 milhões de m³ e vazão de 7,3m³/s, e a represa Duas Pontes, no Rio Camanducaia, com capacidade de 41 milhões de m³ e vazão de 6,5m³/s.

 

 

Escrito por:

Maria Teresa Costa