Publicado 01 de Fevereiro de 2014 - 20h14

Por Adriana Leite

Condomínio de alto padrão em Campinas: busca por financiamento para compra cresceu muito no ano passado

Camila Moreira/ AAN

Condomínio de alto padrão em Campinas: busca por financiamento para compra cresceu muito no ano passado

A aquisição de imóveis de alto padrão alavancou a expansão do crédito imobiliário na região de Campinas em 2013. A Caixa Econômica Federal, referência nas operações de financiamento no mercado nacional, registrou um aumento de 34,68% no volume de crédito para habitação na região. O valor subiu de R$ 2,26 bilhões para R$ 3,04 bilhões entre 2012 e o ano passado - superior à evolução do crédito nacional e também do Estado de São Paulo.

 

Os financiamentos com uso de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) tiveram alta de 61,11%. No acumulado, passaram de R$ 801,79 milhões em 2012 para R$ 1,29 bilhão no ano seguinte.

 

A modalidade é muito utilizada por quem compra imóveis de alto padrão, cujo valor ultrapassa os R$ 500 mil. A retomada da construção de novos imóveis também impactou positivamente os números da região. De acordo com o balanço da Caixa, os recursos disponibilizados para a produção de imóveis teve incremento de 33,39%. O volume aumentou de R$ 665,14 milhões para R$ 887,29 milhões. As fontes dos empréstimos foram o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o SBPE.

 

Novos imóveis

Os financiamentos para as empresas construírem novos imóveis foram aplicados em 8.716 unidades. O crescimento em relação a 2012 foi de 28,53%, quando o volume foi de 6.781 unidades. Conforme o estudo do banco estatal, no total foram financiados 38.498 unidades entre novas e usadas na região de Campinas em 2013. Os números mostram uma elevação de 49,33% sobre a quantidade de 2012 que foi de 25.780 imóveis.

A manutenção dos juros em patamares mais baixos, mesmo com as altas da Selic (taxa básica da economia brasileira), investimentos no setor imobiliário em cidades próximas a Campinas e também a retomada dos lançamentos de novos empreendimentos na cidade - mesmo que ainda em ritmo mais lento do que o desejado do mercado - influenciaram no resultado da Caixa.

 

Bancos privados

 

Embora não informem os dados locais, grandes bancos privados corroboraram o bom momento do crédito imobiliário em todo o País. De acordo com balanço divulgado na última semana pelo Bradesco, a carteira de financiamentos para a aquisição de imóveis subiu 35,2% no ano passado sobre a base de 2012. O volume chegou a R$ 13,60 bilhões no final do ano passado.

 

Igual cenário foi constatado pelos números do Santander, onde a carteira chegou a R$ 15,70 bilhões em dezembro de 2013. Segundo o banco, no ano houve um crescimento de 32,9%.

Resultados

 

O gerente regional de Habitação da Caixa Econômica Federal, Marcos Fontes, afirma que as faixas de renda mais elevadas buscaram por crédito para a aquisição de imóveis no ano passado na região de Campinas. “Os números mostraram uma demanda maior de pessoas que buscaram financiamento para a compra de imóveis de alto padrão, com valores a partir de R$ 500 mil”, diz.

 

Ele comenta que a evolução das contratações de crédito imobiliário na região foram superiores ao Brasil (26,43%) e São Paulo (23,95%). “Anualmente, o crescimento do crédito imobiliário na região de Campinas fica na casa dos 30%. Em 2013, houve um grande aumento dos financiamentos na modalidade que usa recursos do SBPE. Os empréstimos com esse produto, em geral, são realizados por pessoas com renda média e alta”.

 

Valor médio

Ele aponta que o valor médio dos financiamentos com o FGTS foram de R$ 107 mil e na modalidade SBPE foram de R$ 180 mil. O gerente salienta que a manutenção das taxas de juros, ainda que a Selic tenha subido no segundo semestre de 2013, foi fundamental para que o crédito imobiliário aumentasse em 2013 na região.

 

“Temos produtos que começam com juros de 4,5% e podem chegar a 10% ao mês. Vários fatores influenciam na análise da proposta que resulta na aplicação das taxas, entre eles o relacionamento que o cliente já tem com a Caixa”, explica Fontes. Ele diz que não há indicação de aumento das taxas neste ano.

O relatório anual de crédito imobiliário da Caixa aponta que a totalidade das cartas de crédito de subsídio com o FGTS teve um valor 16,65%maior do que em 2012. O montante passou de R$ R$ 157,02 milhões para R$ 183,16 milhões.

 

Uso do FGTS

 

A aquisição com o uso do FGTS subiu de R$ 696,33 milhões para R$ 836,91 milhões no ano passado - avanço de 20,19%. Outro produto que apresentou forte crescimento foram as operações de letra de crédito imobiliário (LCI) e Construcard. O volume passou de R$ 95,85 milhões para R$ 187,24 milhões. A alta foi de 95,34%.

 

Os financiamentos com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e do programa Minha Casa Minha Vida (faixa 1 para famílias com renda de até R$ 1.600,00) somaram R$ 550,54 milhões. No ano anterior, o volume foi de R$ 513,28 milhões. O aumento foi de 7,26%.

Construtoras

 

O mercado imobiliário de Campinas vê grandes oportunidades para explorar empreendimentos focados em produtos de alto padrão. A aposta se sustenta pela estagnação na quantidade de lançamentos durante dois anos, quando Campinas viveu uma crise política, e também pelo crescimento econômico da região que alavanca a busca de imóveis por executivos, empresários e profissionais liberais.

 

O diretor de compra e venda da Regional Campinas do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi), Rodrigo Coelho de Souza, afirma que o crédito imobiliário no País avançou 17% no ano passado.

 

“Estimamos que na região o volume tenta ultrapassado os 20% de aumento em relação a 2012”, calcula. Ele prevê que neste ano o crescimento se mantenha em 15% a 20%.  “A alta da Selic preocupa, porque eleva as taxas de juros na ponta, mesmo para o crédito imobiliário. Esperamos que o governo controle a inflação e não promova novas altas na taxa”, afirma.

 

Cenário

 

Outro fator importante para o mercado de crédito é que o desemprego permaneça baixo. “Se as pessoas perdem o emprego ou não encontram oportunidades de recolocação no mercado de trabalho, há o risco de uma alta na inadimplência”, comenta.

 

A Caixa Econômica Federal informa que a inadimplência continuou baixa em 2013 na região, em torno de 2%. Souza reforça os números do banco estatal que mostraram o avanço acentuado das aquisições de imóveis de alto padrão.

“O mercado nas faixas médias e mais elevadas está aquecido. Percebemos que houve um aumento na procura de financiamentos para imóveis acima de R$ 500 mil. Os empresários e profissionais liberais aproveitam as oportunidades de mercado e apostam nos financiamentos para não se descapitalizarem”, diz.

 

Demanda reprimida

 

Ele ressalta que o fato de o mercado local ter se ressentido de novos lançamentos para as faixas média e alta durante quase dois anos também gerou uma demanda reprimida. “Campinas ainda viveu um momento de valorização dos produtos e agora deve passar por uma acomodação de preços. Nos últimos anos, a valorização era de 10% a 15%”, detalha o especialista.

 

Souza aponta que o mercado local também está em consonância com a tendência mundial de aliar produtos residenciais e comerciais em um mesmo projeto. O diretor de Negócios da Brookfield Incorporações no Interior de São Paulo, André Lucarelli, afirma que a busca pelos empreendimentos para as faixas média e de alto padrão cresceu muito no ano passado em Campinas e região.

 

“Durante dois anos, não houve grandes lançamentos”. Ele também ressalta que houve uma valorização das áreas em Campinas. “Na cidade, o custo do metro quadrado em condomínios fechados varia de pelo menos R$ 800,00 a R$ 1.200,00”, comenta.

 

Valorização

 

O executivo observa que regiões nobres estão muito valorizadas. “Há compradores para os produtos focados no público de maior renda. A economia da região mostra que há público para consumir produtos de alto padrão”.

Lucarelli diz que há vários tipos de clientes desde os investidores que aplicam recursos no mercado imobiliário até as famílias que querem imóveis confortáveis e seguros.

 

“Os compradores dependem muito do perfil do empreendimento. O lançamento, por exemplo, de um prédio com um dormitório interessa a muitos investidores”, comenta. O executivo diz que a empresa têm empreendimentos lançados recentemente em Campinas e há planos de novos produtos.

Os empreendimentos da incorporadora na cidade e região tem valores que variam de R$ 250 mil e R$ 1 milhão.

Escrito por:

Adriana Leite