Publicado 25 de Janeiro de 2014 - 18h30

Por France Press

O Fórum Econômico Mundial encerrou neste sábado sua reunião anual em Davos com otimismo moderado e muito focado nos desequilíbrios que abalam algumas economias emergentes.

Em um painel realizado este sábado, a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, deu o tom ao afirmar que "a recuperação está em processo de consolidação neste momento".

"Acredito que podemos ser prudentemente otimistas sobre as perspectivas da economia mundial. A economia dos Estados Unidos pode crescer 3% ou mais este ano e no próximo. A Europa está, enfim se recuperando, crescendo e o Japão está avançando de forma significativa", comentou o presidente do banco central do Japão, Haruhiko Kuroda.

"Em economias emergentes como Índia, China, Indonésia e outros, é provável que o crescimento econômico continue sendo alto ou se acelere", acrescentou Kuroda.

Na terça-feira, o FMI elevou sua previsão de crescimento mundial em 2014, de 3,6% a 3,7%, pouco antes do começo das reuniões do Fórum Econômico Mundial em Davos, com 40 chefes de Estado e de governo e mais de 2.500 participantes.

A volatilidade, o novo risco

A grande dúvida dos trabalhos de Davos veio este ano dos países emergentes, que estão crescendo menos e sofrendo fugas de capital, provocados por uma política monetária norte-americana mais restritiva que torna os investidores muito mais seletivos.

Segundo Lagarde, esta volatilidade "é claramente um novo risco e tem que ser vigiada".

A sexta-feira foi marcada pela queda do peso argentino na véspera, a maior em um só dia desde 2002, e da libra turca.

Por razões como esta, Larry Fink, presidente do BlackRock, o maior fundo de investimento do planeta com mais de 4 trilhões de dólares em carteira, pediu prudência.

"Vamos viver em um mundo com muito mais volatilidade", apostou Fink.

Segundo ele, a recuperação econômica dependerá muito da iniciativa pública, algo que ele não gera otimismo, "porque os políticos tendem muito a ser preguiçosos" na hora de fazer reformas.

"Vamos depender da execução de reformas na China (...), teremos que observar (o primeiro-ministro japonês Shinzo) Abe, e as reformas no Japão, Estados Unidos e outros lugares", acrescentou Fink.

O diretor geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, pontuou que "é muito cedo para saber qual vai ser o impacto deste fenômeno (da volatilidade monetária) no comércio, que a maioria das vezes responde a tendências a longo prazo".

Europa em meio à incerteza

Nos trabalhos de Davos houve certo consenso sobre a recuperação da economia europeia, frágil e incerta.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, comemorou este sábado que "a zona do euro em seu conjunto não seja mais o centro de todas as preocupações da economia mundial".

Defendendo a política de rigor fiscal e reformas preconizadas pela Alemanha, Schäuble disse que "os países membros mais bem sucedidos são os que foram colocados sob o programa" de assistência.

O ministro citou a Irlanda, Portugal, Espanha (cujo setor bancário foi resgatado), Chipre e Grécia, que segundo ele "está fazendo melhor que o esperado há dois anos".

Christine Lagarde voltou a falar no risco de deflação na zona do euro, onde os preços subiram apenas 0,8% em dezembro.

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, reduziu a importância do risco de uma queda sustentável e generalizada de preços prejudicial para o consumo, o investimento e o crescimento.

Draghi afirmou que a inflação se aproximará do objetivo de 2% a médio prazo e que sua instituição "está pronta para atuar".

 

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