Publicado 29 de Janeiro de 2014 - 14h36

Por France Press

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama durante discurso

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Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama durante discurso

Certa vez ele declarou "Vamos mudar o mundo!", mas o presidente americano, Barack Obama, modificou sua postura e agora, se ainda deseja remodelar o mundo, o faz em pequenos passos. Encurralado pelos republicados, atingido por seus próprios tropeços e pela falta de inspiração após cinco anos difíceis, o presidente soube adotar o incrementalismo.

Obama fez na noite de terça-feira um discurso do Estado da União otimista, apostando na luta contra a desigualdade econômica em seu país.

Mas não apresentou nenhum programa multimilionário ou proposta de grande desafio para os americanos. Ofereceu planos modestos e específicos ameaçando governar por decreto para evitar o Congresso, que fez seus planos de reformas murcharem.

No passado, o presidente advogou por deter o aumento dos oceanos e emendar a política quebrada de Washington. Agora tenta traçar um caminho sobre a lama política, com escadas para que todos tenham poupanças para a aposentadoria, salários, educação e saúde decentes.

"O que vemos é um Barack Obama diferente", declarou William Rosenberg, professor de Ciência Política na Universidade Drexel da Filaféldia.

Obama chegou à Casa Branca animado e gerou fortes expectativas, tendo a sorte de suceder o impopular George W. Bush.

Explorou o controle dos democratas no Congresso para somar uma quantidade recorde de propostas, que englobavam a proibição da tortura, a recuperação da indústria automobilística e a aprovação das reformas do sistema de saúde e Wall Street.

Mas agora, com o poder dividido em Washington, a esperança e a mudança que personificava ficaram no passado.

Um dos exemplos mais evidentes é a proposta de Obama de uma reforma migratória que regularize a situação das 11 milhões de pessoas que vivem ilegalmente nos Estados Unidos. Mas na terça-feira tratou com suavidade o tema - seu potencial único legado em nível nacional em seu segundo mandato - em uma tentativa de não espantar os legisladores conservadores.

Sobre o outro tema espinhoso, o acordo com o Irã sobre sua política nuclear, Obama mostrou-se mais firme, prometendo um veto a qualquer nova sanção que possa minar as negociações diplomáticas.

Não busca consensos ou luta frontal

O novo Obama demonstrou não ser um buscador de consensos, mas tampouco um pitbull político que enfrente os republicanos até o cansaço.

Em vez disso, se modelou como um presidente ativo e independente, que utiliza a legislação e acredita em inclinar o clima político a seu favor.

Assim, o presidente anunciou que nos próximos dias decretará um aumento do salário mínimo para os novos trabalhadores contratados pelo Estado federal. Regulará as centrais elétricas para diminuir a emissão de gases poluentes, caso não consiga a aprovação de uma legislação sobre mudanças climáticas. E convocará os diretores de empresas a não discriminar os que passaram um longo tempo desempregados, mesmo que os republicanos bloqueiem seus projetos para o estímulo ao emprego.

As mudanças vividas por Obama nestes anos não foram as únicas sofridas pelos presidentes dos Estados Unidos.

Os presidentes se sentem às vezes frustrados pelo poder dos lobbys contra seu governo. Mas o eclipse provocado por Obama foi mais profundo. A promessa de se converter no primeiro presidente negro dos Estados Unidos é um exemplo.

Obama se encara como um presidente de transformação, mais como Ronald Reagan que Bill Clinton.

Na terça-feira apareceu renovado, mais animado que o apático líder que viajou ao Havaí no Natal após um ano de 2013 brutal. Voltou determinado a fazer o melhor no tempo que lhe resta como presidente.

"Os presidentes, tanto republicanos quanto democratas, estão aqui porque querem alcançar coisas", disse Rosenberg.

Obama parece ter calculado que enquanto lhe faltar poder para aprovar uma reforma tributária ou alcançar a paz na Síria deve concentrar sua influência onde ela for mais efetiva.

Na opinião de Maureen Conway, analista do Instituto Aspen, aumentar o salário mínimo e abrir à população o acesso à cobertura de saúde e à educação pode marcar a diferença no segundo mandato de Obama.

"Acredito que (estas reformas) têm um impacto tangível porque envolvem os assuntos da economia familiar básica. São fundamentais porque afetam o modo como as pessoas vivem sua vida a cada dia", declarou.

No entanto, Obama não pode perder de vista as eleições legislativas de novembro. Afastar-se do poder executivo pode favorecer os republicanos e enfraquecer os democratas.

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