Publicado 23 de Janeiro de 2014 - 17h33

Por France Press

O governo do Sudão do Sul e os rebeldes dirigidos pelo ex-vice-presidente Riek Machar assinaram nesta quinta-feira (23) um acordo de cessar-fogo que deve ser aplicado dentro de 24 horas, comprovou uma jornalista da AFP. O acordo, destinado a por fim a mais de um mês de combates violentos no Sudão do Sul, foi assinado diante de diplomatas estrangeiros e jornalistas na capital etíope, Adis Abeba.

Os Estados Unidos de imediato saudaram a assinatura do cessar-fogo, denominando-o de "crucial", e convidou as partes a instrumentalizar rapidamente o acordo.

Washington "saúda este cessar das hostilidades (...). Trata-se de um crucial primeiro passo para por fim à violência", indicou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

As duas partes também assinaram um acordo que prevê a libertação de onze partidários de Riek Machar detidos. A libertação estava no centro das difíceis negociações iniciadas no começo de janeiro.

Nenhuma data foi mencionada para a libertação.

"Estes dois acordos são os ingredientes para se criar um ambiente propício a uma paz total no meu país", declarou durante a cerimônia de assinatura o chefe das negociações dos rebeldes, Taban Deng.

"Esperamos poder alcançar rapidamente um acordo (mais global), que porá fim ao derramamento de sangue", disse o chefe das negociações do governo, Nhial Deng Nhial.

O anúncio do acordo foi feito mais cedo em um comunicado a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), que faz a mediação entre partes envolvidas no conflito sul-sudanês que devasta o jovem país desde meados de dezembro.

As delegações do governo sul-sudanês e partidários do ex-vice-presidente Riek Machar negociam desde o início de janeiro na capital etíope, sob a égide deste bloco de sete países do Leste Africano.

Os dois projetos de acordo - um sobre a cessação das hostilidades e outro sobre a libertação de presos partidários de Machar - foram apresentadas a elas em meados de janeiro.

Uma versão final do primeiro texto, consultado pela AFP, fazia referência "ao cessar imediato das hostilidades e ao congelamento das posições, enquanto que uma versão ainda provisória mencionava uma colocação em andamento de um processo de reconciliação nacional aberto a todos".

Este conflito começou em meados de dezembro pela rivalidade entre o presidente Salva Kiir e seu ex-vice-presidente e agora líder dos rebeldes, e já causou a morte de milhares de pessoas, assim como meio milhão de refugiados.

O presidente Kiir acusa Machar e seus aliados de tentativa de golpe de Estado, o que eles rejeitam.

Os combates são acompanhados, além disso, de massacres étnicos entre os Dinka de Kiir e os Nuer de Machar.

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