Publicado 29 de Dezembro de 2013 - 7h30

Barão Geraldo é das áreas onde a construção de conjuntos populares foi vetada

Cedoc/RAC

Barão Geraldo é das áreas onde a construção de conjuntos populares foi vetada

Ele responde por 12% do Produto Interno Bruto (PIB) de Campinas e abriga aproximadamente 80 mil pessoas. Se considerada sua população flutuante, de estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), este número salta para 110 mil.

Além de ser “casa” de uma das mais importantes instituições de ensino superior do Brasil, e do hospital que é referência em tratamento de câncer infantil, o Boldrini, o distrito de Barão Geraldo possui uma infinidade de empresas e grandes indústrias instaladas em seu território.

A Mata Santa Genebra, pedaço remanescente de Mata Atlântica que é preservada pelo município, também é uma das áreas mais importantes do distrito, que amanhã completa 60 anos (o distrito foi criado pela Lei Estadual 2.456, de 30 de dezembro de 1953).

Apesar das muitas vantagens de viver em uma região urbanizada e desenvolvida, Barão Geraldo se apresenta como uma das áreas da cidade que concentram índices altíssimos de violência. Bairros mais afastados do Centro do distrito também sofrem com a falta de infraestrutura básica.

Todas essas disparidades suscitaram a revolta de uma parcela de moradores, que há anos vêm lutando pela emancipação do distrito, proposta que chegou a ser aprovada pelo Senado, mas acabou vetada pela presidente Dilma Rousseff.

Emancipação

Para os organizadores do Movimento Emancipa Barão (MEB), a separação de Campinas seria importante para novos investimentos na região. Sem esperar investimentos públicos, o proprietário de um quiosque na Praça do Coco transformou a área, em uma parceria com a Prefeitura.

Atualmente, o espaço recebe feira de artesanato, shows artísticos — que acontecem em um palco próprio —, além de possuir sanitários, pista de caminhada e parquinho para as crianças.

O local se transformou em um dos pontos de lazer e cultura e hoje é um símbolo de Barão. E foi ali que, acompanhado de sua filha de 9 anos, o professor Ricardo Massagardi, de 56 anos, que mora em Barão Geraldo há dez anos, decidiu fazer um passeio. Quado o assunto é o distrito, ele é só elogios.

“É um lugar bastante agradável do ponto de vista da natureza, da qualidade de vida. É uma cidade dentro de Campinas, e precisa ser preservada.”

Insegurança

Ele comentou os problemas de insegurança. “É uma região muito visada, pela presença de estudantes, pelo fato de ser conhecida por ter moradores com maior poder aquisitivo, mas estou vendo muito mais polícia na rua ultimamente.”

O comerciante José Longhi Junior, de 58 anos, chegou ao distrito em 1986, apenas para

Foto: Edu Fortes/AAN

José Longhi Junior faz críticas, mas ainda considera o distrito um bom local para morar

José Longhi Junior faz críticas, mas ainda considera o distrito um bom local para morar

trabalhar. Mas quatro anos mais tarde, em 1990, se rendeu à região e se mudou para lá com a família. Atualmente, ele possui uma pequena banca de bolsas e acessórios na Praça 30 de Dezembro. Em um primeiro momento, fez críticas, mas garante que Barão ainda é um bom lugar para se viver.

“Barão Geraldo explodiu em violência e trânsito. Era uma região tranquila, que hoje tem muitos problemas. Os bairros da periferia estão esquecidos, não têm transportes, falta infraestrutura. Mas no geral, ainda é bom morar em Barão porque se passaram 60 anos e ainda não conseguiram verticalizar, mas há uma pressão muito grande do setor imobiliário”, disse Junior, que espera não ver a construção de prédios no distrito.

Infraestrutura

O distrito de Barão Geraldo não é o que rotulam como “Principado”. Existem bairros como o Solar Campinas, Vale das Garças, Village Campinas e Piracambaia que carecem de infraestrutura básica há mais de 30 anos.

Problemas de mobilidade e segurança pública são os que mais têm contribuído para tirar o sossego de quem escolheu morar cercado por matas e corredores ecológicos.

A extensão territorial de cobertura da 3º CIA da Polícia Militar, sediada no distrito, é imensa, mas há efetivo exíguo e poucas viaturas para cobrir esta grande área da cidade.

O 7º Distrito Policial da Polícia Civil abre apenas em horário comercial e a população o quer funcionando 24 horas por dia para atender às ocorrências. A subprefeitura está instalada inadequadamente numa praça de esportes.

A saúde do baronense carece de atendimento respeitoso e de qualidade, pois faltam médicos, dentistas e psiquiatra, além de remédios e exames ambulatoriais. Na Educação, temos escolas com filas de espera para mais de cem alunos.

Não há projetos para melhoria da infraestrutura do distrito e nem para novos equipamentos sociais, para uma população que triplicou na última década. Diante deste quadro, há pouco para comemorar os 60 anos da elevação a distrito.

Resta ao baronense, abandonado pelo poder público, reivindicar a autonomia do distrito, seja por decreto lei do executivo, seja pela emancipação. Quem viver verá!

Centro administrativo

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), comentou as críticas dos moradores que pedem um distrito mais seguro e que receba mais investimentos públicos. Anunciou, ainda, a criação de um Centro Administrativo no distrito, para janeiro.

“Será um verdadeiro posto avançado do Paço Municipal em Barão Geraldo, ampliando assim a oferta de serviços públicos na região”, disse.

Ele afirmou que Barão Geraldo é parte de Campinas.

“Seu destino e vocação estão intrinsecamente ligados ao destino e vocação do município. Acabamos de conseguir junto ao governador Geraldo Alckmin o sinal verde para uma expressiva ampliação da Unicamp, que será como que uma segunda universidade estadual. Isso reforça a característica do distrito como centro de conhecimento”, disse.

Segurança

Jonas afirmou que a Administração Municipal tem dedicado esforços ao distrito, assim como a todas regiões da cidade, para recuperar as condições do espaço urbano, ao qual ele se referiu como “valioso para todos nós”.

O chefe do Executivo campineiro ainda elencou as ações que estão sendo feitas no distrito e comentou sobre a cobrança por um distrito menos violento.

“As questões da violência e da manutenção das ruas são complexas e temos restabelecido a necessária continuidade dos serviços. Conseguimos com o governo do Estado um reforço no efetivo que atende nossa cidade, beneficiando não só Barão Geraldo como todo o município”, disse Jonas, lembrando que o investimento em segurança também ocorreu na área de monitoramento, que saltou de 120 para 360 câmeras de vigilância do sistema CIMCamp.

“E pretendemos intensificar o monitoramento nos distritos, de modo a garantir mais segurança para os cidadãos”, acrescentou.