Publicado 13 de Agosto de 2013 - 5h00

Guto Silveira

CEDOC

Guto Silveira

Há algumas coisas difíceis de ser entendidas na administração pública. Uma delas é a punição quase inexistente a servidores faltosos. Veja, por exemplo, uma publicação do Diário Oficial do Município (DOM) de sexta-feira (9). Uma citação por edital convoca uma professora da rede municipal de ensino a comparecer em uma audiência de interrogatório de um processo administrativo disciplinar, para apuração de faltas injustificadas da servidora. Agora vamos aos fatos que estão lá registrados no DOM. De fevereiro a dezembro de 2011 a professora faltou 230 dias sem qualquer justificativa. No ano seguinte, 2012, as faltas subiram para 247. Deve também haver faltas em 2013, que não consta no edital. Pois muito bem. Tomando 2011 como base, qual empresa ainda teria como funcionário em agosto de 2013 uma pessoa com 230 faltas injustificadas? Levando em consideração o ano de 2012, é de se perguntar os motivos que só no oitavo mês de 2013 uma pessoa com 247 faltas é convocada para um interrogatório. Assim fica difícil defender a administração pública. É fato que todos têm direito de defesa, mas com 230 faltas, um processo administrativo já deveria ter se encerrado. E as faltas foram encerradas há 20 meses, tomando por base 2011. Nem parece ser coisa séria. Imagine o prejuízo que esta professora causou a seus alunos, sem que ocorresse qualquer punição. Sim, porque ela faltava alternadamente, comparecendo às aulas algumas vezes por mês. Nas faltas, ou os alunos recebiam uma substituta ou ficavam sem aula. Então há algo de errado no Estatuto dos Servidores Municipais. A punição a falta tão grave não pode demorar tanto. Ou a Prefeitura demorou tempo demais para tomar uma atitude, o que é mais provável.

COMO ASSIM?

Mas há outros fatos que desafiam a inteligência dos pobres contribuintes. Na sua luta para manter em funcionamento os serviços básicos, a Prefeitura vem quebrando a ordem cronológica de pagamentos (furando a fila). Na última publicação de quebra de cronologia, publicada na sexta-feira (9), entre os beneficiados estão o Consórcio PróUrbano e algumas empresas concessionárias do transporte coletivo. Você leu certo. PróUrbano, o mesmo que deixou de pagar a taxa de gerenciamento e fiscalização à Transerp em maio.

FAVORECIMENTO

Está certo que a Transerp é uma empresa de economia mista, logo dirão que não se pode misturar os papéis. Mas a Prefeitura é a acionista majoritária e agora beneficia com “antecipação de pagamento” quem deve a uma empresa praticamente pública. É um favorecimento que o eleitor/contribuinte e o fornecedor de bens e serviços com créditos atrasados a receber dos cofres públicos nunca irão entender. Não é para menos.

NOVO SECRETÁRIO?

Quer mais um fato estranho nessa tal quebra de ordem cronológica de pagamentos? Uma das publicações é assinada por Stênio Correa Miranda, secretário municipal da Saúde, quando o correto é o secretário da Fazenda assinar, como ocorre na publicação seguinte. Parece ser coisa de uma confusão instalada no governo.

SELEÇÃO BOA

A prefeita Dárcy Vera (PSD) quer pelo menos uma seleção treinando em Ribeirão Preto na Copa do Mundo de 2014. E não uma qualquer. Mas uma que fique até a final, como afirmou em uma solenidade na sexta-feira, com a presença do ministro dos esportes, Aldo Rebelo. “Não pode ser uma seleção que seja eliminada na primeira fase, porque senão fica pouco na cidade”, disse.

NA TORCIDA

Quem escolheu Ribeirão para cidade apoio foi a seleção francesa, que ainda não está classificada para o mundial e participa de repescagem em novembro. É claro que a prefeita está na torcida pela classificação. E até vai à França na época do jogo decisivo para os franceses, a convite da Fifa.