Publicado 12 de Agosto de 2013 - 5h00

Por Fábio Toledo

IG - FABIO TOLEDO

CEDOC

IG - FABIO TOLEDO

Em nosso tempo não é raro encontrar pessoas que estabeleceram uniões conjugais, sem contraírem previamente um vínculo formal. Muitos desses casais têm vontade de se casar, porém apontam diversos motivos para retardar essa decisão. E enquanto não alcançam as condições que entendem necessárias — conclusão do curso universitário, aquisição de imóvel e veículo próprios, ou mesmo atingir determinada meta profissional — optam por simplesmente viver juntos. Há quem afirme que a chamada coabitação “à prova” permite amadurecer a decisão de contrair matrimônio. É que os futuros esposos teriam a oportunidade de conhecer melhor um ao outro e aferir a possibilidade de êxito naquela união. Além disso, sustenta-se que uma jovem ou um jovem de vinte e poucos anos não estariam ainda em condições de tomar decisões que os comprometam para toda a vida.

No entanto, se investigarmos mais a fundo, constataremos que esses argumentos ganharam força numa sociedade de consumo, na qual a realização pessoal está fundada no ter e na máxima utilidade que se pode extrair do mundo em que se vive, inclusive das outras pessoas. Assim é que, antes de se adquirir um veículo, é fundamental um test drive, os produtos comprados à distância podem ser devolvidos em certo prazo e ... a companheira ou o companheiro que escolhemos podem ser descartados quando não mais “nos preencherem” ou não satisfizerem nossos anseios...

Acontece que a esposa e o marido não são jamais bens de consumo, passíveis de mera experimentação. É certo que no matrimônio marido e mulher buscam e encontram a sua própria realização. Cada um preenche no outro um espaço que somente o cônjuge poderia preencher. No entanto, a postura que cada qual assume diante do outro é de doação e não de apropriação.

Além disso, a realização de cada pessoa precisa ser construída sobre bases sólidas. De certo modo, a nossa vida consistirá em edificar ou não a própria felicidade. E, como toda obra de grande porte, é composta por fases. Há momento de se lançar os alicerces, de edificar as paredes e de colocar os acabamentos.

E talvez aí esteja a origem de tanta frustração na vida conjugal. É que, por não tomarem a decisão de se lançarem num caminho sem volta, entregando-se ao outro por toda a existência, ficam simplesmente armando e desarmando pequenas barracas, insuficientes para abrigar o imenso anseio de plenitude e de solidez que marcam o amor verdadeiramente conjugal.

A simples coabitação prévia não favorece a solidez do casamento, precisamente porque esse pressupõe um lançar-se com afã de comprometer toda a vida, ainda que com certa dose de risco. Em estudo realizado nos Estados Unidos, dois cientistas da Universidade de Wisconsin, Larry Bumpass e James A. Sweet, analisaram os dados do Relatório Nacional sobre Família e Lares (1987-88), com uma amostragem de 13 mil pessoas. E constataram que, dez anos depois de se casaram, 38% dos que haviam coabitado antes de se casarem, haviam se divorciado, em comparação com 27% dos que se casaram diretamente.

Isso não significa, evidentemente, que homem e mulher devam se casar sem se conhecerem a fundo. Aliás, na fase do namoro se deveria prestigiar, acima de tudo, esse conhecimento mútuo. Haveriam de falar de tudo nesse período: gostos, anseios, projetos profissionais, filhos, família, religião etc. E uma pergunta essencial que se há de fazer é: essa pessoa merece que me doe a ela (ou a ele) por toda a vida?

O sim a essa indagação não depende de que o outro não tenha defeitos. Não há quem não os tenha. Basta que esteja disposto a reconhecê-los e lutar por superá-los. Mas há que procurar saber se também o outro quer, de fato, comprometer-se com a mesma seriedade. Isso não depende de experimentação prévia. Basta que se tenha um coração suficientemente grande, capaz de se entregar por toda uma vida.

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Fábio Toledo