Publicado 14 de Agosto de 2013 - 5h04

Por Maria Teresa Costa

O prefeito Jonas Donizette (PSB) quer R$ 1 bilhão do novo PAC da Mobilidade Urbana para ressuscitar o veículo leve sobre trilhos (VLT). Ele encaminha nesta quarta-feira (14) ao Ministério das Cidades um pré-projeto com os estudos iniciais de viabilidade técnica e econômica, propondo a implantação de uma rede sobre trilhos para ligar o Aeroporto Internacional de Viracopos ao Centro e também para alimentar os futuros corredores Ouro Verde e Campo Grande, por onde circularão os BRTs, e o Corredor Noroeste. Se o estudo for habilitado, será feito o projeto executivo com o detalhamento, mas a ideia, disse, é usar os leitos ferroviários desativados para operar um transporte de massa sobre trilhos.

O VLT circulou entre 1990 e 1995 e foi o maior fracasso na tentativa de dotar a cidade de um sistema alternativo de transporte, e que significou um desperdício de US$ 120 milhões, gastos nos trilhos e nas estações, algumas das quais nunca chegaram a funcionar.

Além do leito ferroviário (o da antiga Sorocabana sai do Centro e corta a região Sul e que teve parte usada pelo VLT) será preciso construir novas vias que ainda não estão definidas. O leito da Sorocabana corta uma região com a maior concentração populacional e de menor poder aquisitivo.

O secretário de Transportes, Sérgio Benassi, afirmou que a situação de Campinas é dramática e a cidade não pode mais vacilar em adotar novas políticas para o transporte coletivo de massa. “O BRT é o primeiro lance nesse sentido e agora estamos abrindo a discussão para o VLT”, afirmou.

Segundo ele, o VLT é uma excelente solução, desde que seja integrado aos demais modais de transportes, que seja planejado, discutido com a cidade e com projetos técnicos viáveis. Campinas tem muitos dos leitos ferroviários desativados preservados.

No passado, a cidade teve a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro que saia da Estação Guanabara rumo a Minas Gerais; a Companhia de Estrada de Ferro Sorocabana que ia para Indaiatuba, da Companhia Paulista de Estrada de Ferro que ligava Campinas a São Paulo e ao Interior, o Ramal Férreo Campineiro, que ia até Sousas/Joaquim Egídio e a Funilense, que ligava Campinas a Cosmópolis.

A cidade tem 120 quilômetros de leitos ferroviários dentro do município, com 654 metros quadrados de área útil para oficinas e manobras. Os leitos conectam o centro aos principais bairros e aos principais municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Mas tudo isso é espaço de abandono. O Plano Diretor de Campinas de 2006 definiu pela preservação dos leitos férreos desativados para transporte de passageiros, local, turístico ou lazer e também orientou o reestudo do sistema VLT, analisando alternativas de traçado de localização das estações e integração plena ao sistema por ônibus.

O único trecho ativo é o da Paulista. O restante está invadido, com construções em cima.

O uso desses trechos para o transporte não será fácil. Mais conhecido pela denúncia de irregularidades na contratação da obra (superfaturamento e licitação viciada) que pelos benefícios que trouxe à população, o VLT nasceu da tentativa do ex-governador Orestes Quércia de cooptar o prefeito Jacó Bittar, então recém-saído do PT. O projeto esbarrou em “dificuldades técnicas” que as seguidas liberações de recursos não conseguiram contornar.

TAV

O adiamento do TAV deixou Viracopos sem uma conexão rápida com o Centro e é com esse enfoque que o prefeito acredita que poderá ter o projeto do VLT de Campinas habilitado. O bonde moderno ligará Viracopos ao Centro e ainda permitirá a integração com os BRTs e ônibus metropolitano.

Os corredores do BRT não chegam a Viracopos e a ligação das duas vias exclusivas até o aeroporto estava na dependência de que a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos bancasse o investimento, mas isso não foi previsto na concessão. O corredor Ouro Verde termina no bairro Vida Nova e o Ouro Verde, no Parque Itajaí.

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Maria Teresa Costa