Publicado 13 de Agosto de 2013 - 11h02

Por Adriana Leite

Guimarães: cursos formam profissionais com foco nas necessidades de vários setores

Leandro Ferreira/AAN

Guimarães: cursos formam profissionais com foco nas necessidades de vários setores

No primeiro semestre deste ano, 110.713 pessoas foram admitidas em Campinas. E nesse universo, os cargos de nível técnico e médio ganharam terreno.

Disputados pelos empregadores, esses profissionais têm hoje remunerações mais elevadas e uma série de benefícios para segurá-los no novo emprego. Nas consultorias de recursos humanos, as contratações de técnicos e pessoal de apoio aumentaram mais de 30% em 2013. No País, mais de 400 mil pessoas com qualificação técnica conquistaram uma vaga com carteira assinada no ano até junho.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostraram que aumentou em 44,38% o total de admissões de técnicos na área de informática nos últimos cinco anos.

No total, 1.033 pessoas da área foram contratadas apenas em 2013. Mais de 7,9 mil delas conseguiram uma oportunidade na área de serviços de administração, conservação e manutenção de edifícios e logradouros.

Outro ramo que requisitou muitos trabalhadores foi o de construção civil e obras públicas, cujo total chegou a 4.275 pessoas. O aumento foi de 60,35% frente aos números de 2010.

Mas o maior contingente de trabalhadores contratados neste ano foi de vendedores e demonstradores: 11.504 pessoas - e isso porque houve uma retração de 4,27% em relação ao primeiro semestre de 2012.

Especialistas em gestão de recursos humanos afirmaram que os técnicos e trabalhadores de suporte a atividades gerenciais estão sendo tão intensamente procurados porque as empresas querem elevar a competitividade e a produtividade.

O gerente executivo para o Interior da Page Personnel, Maurício Nagy, afirmou que a consultoria verificou um aumento de 31% na contratação de trabalhadores de áreas técnicas e de suporte à gestão das empresas.

“A região de Campinas foi a que mais demandou profissionais com esse perfil, com 40%. Depois vem a de Sorocaba, com 35%. Em seguida estão Jundiaí, Piracicaba, Sul de Minas e Vale do Paraíba” disse.

“O Interior está atraindo novos investimentos e há um boom de startups. Esse tipo de mão de obra é muito requisitado”, ressaltou. Segundo ele, as empresas observam as competências técnicas e comportamentais dos candidatos antes de contratá-los.

“Os empregadores querem trabalhadores com formação técnica e também jovens talentos universitários para ocupar vagas que futuramente os levarão a cargos de liderança”, comentou.

Nagy disse que a concentração de grandes indústrias e o avanço das áreas de serviços e comércio criam um ambiente que privilegia a contratação de mão de obra especializada.

Ele apontou que os universitários que estão entrando no mercado de trabalho podem receber de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil. “O piso para a área de engenharia sobe para R$ 5 mil”, disse.

O especialista enumerou as principais características exigidas pelo mercado para quem quer disputar uma vaga: boa formação, interesse em aprender e crescer na empresa e comportamento adequado à cultura da companhia. “O segundo semestre deve manter a busca por técnicos e profissionais de suporte gerencial”, previu.

Senac 

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) é um dos polos de ensino técnico em Campinas. A instituição oferece desde cursos na área de técnico em ótica até estilo e moda.

“A unidade de Campinas apresenta cursos que atendem a vários mercados e preparam profissionais para trabalhar em diversas funções. E a procura por eles é grande”, disse o coordenador de Negócios do Senac, Gustavo Henrique Escobar Guimarães.

Ele detalhou que há cursos com duração que vão de 800 horas (como o de designer de interiores, por exemplo) a até 1.600 horas (radiologia). “A unidade tem de 4 mil a 5,5 mil alunos e oferece cursos técnicos, especializações técnicas e pós-graduação”.

Guimarães disse que o mercado de trabalho para os técnicos está aquecido e que muitos empregadores fixam anúncios nos painéis da instituição em busca de mão de obra especializada.

O coordenador dos cursos MBA da Universidade São Francisco (USF), Paulo Lot, afirmou que as empresas estão apostando na formação dentro da companhia.

“É cada dia mais comum a instituição pelas empresas de programas de estágio e de trainees. Campinas é privilegiada nesse contexto porque tem um polo de universidades e escolas técnicas que permite às empresas encontrar mão de obra”, comentou.

Lot salientou que o fato de as empresas necessitarem de retorno mais rápido dos investimentos leva os contratantes a buscar por pessoas com formação técnica.

Trainee 

A diretora de Recursos Humanos da Villares Metals, Tatiana Godoi Santos, afirmou que a empresa investe tempo e recursos para a formação de profissionais por meio dos processos de estágio e trainees.

“A empresa tem uma grande demanda de trabalhadores na área operacional. Encontrá-los no mercado é cada dia mais complicado. Em virtude das nossas necessidades, decidimos reformular os nossos programas de contratação de aprendizes para formar os estagiários que futuramente irão ocupar os cargos técnicos e de liderança”, comentou.

O diretor da área de Operações da Daitan Group, Paulo Pessoa, comentou que a empresa busca profissionais no mercado de trabalho local e também em outros polos de formação de mão de obra para a área de tecnologia da informação.

“A empresa tem ainda várias iniciativas bem estruturadas para a formação de estagiários. Nós também apostamos nos treinamentos dos funcionários para aprimorar os profissionais”, disse.

Ele ressaltou que para atrair talentos é preciso oferecer mais do que bons salários. “O ambiente de trabalho e um plano de carreira também são fundamentais”, pontuou.

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Adriana Leite